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Soul of a Nation: exposição do Tate Modern é montra para a música afro-americana de hoje

[TEXTO] Hugo Jorge [FOTO] Direitos Reservados

A arte com cunho afro-americano produzida durante o período do Movimento dos Direitos Civis foi o pretexto para o museu Tate Modern, em Londres, criar a exposição Soul of a Nation: Art In The Age of Black Power.

A instalação reúne duas décadas de trabalho, começando em 1963, ano áureo do movimento cívico dos EUA. Apesar da distância temporal, a verdade é que muitos dos temas que despertaram a comunidade negra continuam, até hoje, na ordem do dia e, por consequência, na consciência de alguns dos mais destacados músicos afro-americanos.

 



A ligação entre a Soul of a Nation e músicos como Kendrick Lamar, D’Angelo, Beyoncé ou The Roots foi explorada pelo curador da exposição, Mark Godfrey, em conversa com a revista britânica NME. “Muita da melhor música negra dos últimos cinco anos olhou para este período. Os The Roots usaram uma colagem de Romare Beaden, que está na primeira sala, na capa de um álbum seu. O vídeo “Formation” da Beyoncé inspira-se na estética dos Black Panthers. O Black Messiah do D’Angelo e muitos dos álbuns de Kendrick Lamar abordam o tipo de estética das memórias desse período”.

A presença de música é transversal a toda a exibição, com pinturas inspiradas no jazz de John Coltrane, ou na letra de “What’s Going On”, single de Marvin Gaye que procurava sentir o pulso de toda uma geração após o regresso da guerra do Vietname para uma América estilhaçada por tensões raciais, com violência nas ruas.

Para os interessados, Soul of a Nation: Art In The Age of Black Power está em exposição no museu Tate Modern até o dia 22 de Outubro. A realização desta exposição – que tem aliás um mural generoso dedicado a capas de discos – foi pretexto igualmente para o envolvimento directo da Soul Jazz records que agora faz editar Soul of a Nation: Afro-Centric Visions In The Age of Black Power – Underground Jazz, Street Funk & The Roots of Rap 1968-79. Trata-se de mais uma excelente lição de história por parte da editora londrina, com pergaminhos mais do que firmados no fértil terreno das compilações e com um olhar apurado para este passado específico. No alinhamento de Soul of a Nation, disponível como sempre acontece no catálogo desta editora em formatos digitais, CD e duplo LP, encontra-se música de Gil Scott-Heron, Roy Ayers, Oneness of Juju ou Doug Carn, a banda sonora perfeita para uma visita à Tate Modern.


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