Seja em dias de trabalho ou nas férias, no escritório ou na praia: a música acompanha-nos para todo o lado e há sempre coisas novas a descobrir. Sexta-feira é sinónimo de mais lançamentos e hoje são seis os discos apanhados pela rede do Rimas e Batidas, entre os quais podem encontrar vários momentos de rap, mas também estéticas pop, R&B e electrónica.
Podem expandir ainda mais o vosso leque de opções e ir do jazz ao rock se se debruçarem pelas restantes propostas que valem a pena não deixar de mencionar: MALLINA & Ella Nor (INDÚSTRIA), Duquesa (SIX.), Trinix (Origin), DESTIN CONRAD (wHIMSY), Rakim (The RE-UP), Tanhai Collective (Circa 2019), Nate Smith (LIVE-ACTION), Ché Noir & The Other Guys (No Validation), SPINALL (ÈKÓ GROOVE), Guedra Guedra (MUTANT), D Smoke (Wake Up Supa), Nicholas Payton (TRIUNE), Myd (Mydnight), Tiwa Savage (This One Is Personal), Gyakie (After Midnight), Dayo Bello (DB), Oren Ambarchi, Johan Berthling & Andreas Werliin (Ghosted III), IDLES (Caught Stealing (The Original Motion Picture Soundtrack)), Wohdee (Mind Games), Rockers Hi-Fi (Mish Mash) e Lathe of Heaven (Aurora) também têm novos projectos cá fora.
[Skepta & Fred Again..] Skepta .. Fred
Enquanto o mundo desespera pelo próximo álbum a solo de Skepta — já lá vão seis anos desde Ignorance is Bliss e os recém-lançados singles “Friendly Fire”, “Round 2” e “Junior’s Law” parecem apontar para um sucessor —, o rapper fortaleceu os laços que o ligam a Fred Again.. com um curta-duração colaborativo que serve como culminar da dupla jornada via “Victory Lap” e “Back 2 Back”. Skepta .. Fred abraça a estética grime revisitada em plena era do drill e do jersey club, resultando numa mão-cheia de malhas em que os flows clássicos e as rimas recheadas de street knowledge se fixam em pulsares mais modernos, elevando um dos maiores veteranos do rap made in UK a militante da vanguarda contemporânea.
[Joey Bada$$] Lonely At The Top
Depois de medir forças com meio mundo — tendo trocado diss tracks com Mick Jenkins, Reason, Ray Vaughn ou Daylyt — Joey Bada$$ atirou-se à sua própria editora em “DARK AURA”, tema inaugural e também o primeiro avanço do LP hoje editado, Lonely At The Top. O disco, no entanto, é muito mais do que o reflexo das suas quezílias e mescla braggadocious com instrospecção, hinos apontados ao underground e canções que piscam o olho à possibilidade de airplay nas rádios, mas também fórmulas infalíveis com alguma experimentação. Na lista de convidados, são muitas as canetas “pesadas” a tingir versos extra, com Ab-Soul, A$AP Ferg, Rapsody, Rome Streetz ou Westside Gunn à cabeça.
[KIRBY] Miss Black America
Mais do que um mero disco de estreia, Miss Black America é um valioso statement por parte de uma emergente artista que abraça as suas raízes do Sul dos EUA na música que apresenta ao público. Esta filha do Mississipi tece aqui um cruzamento perfeito entre hip hop, R&B, blues, gospel e country e a mestria que apresenta tanto a nível vocal como musical aponta-lhe um futuro risonho que poderá estar muito para breve. KIRBY pode mesmo conseguir seguir as pisadas de uma SZA ou Beyoncé e já conta até com o valioso co-sign de um dos seus conterrâneos mais afamados no mundo do rap, Big K.R.I.T., que empresta a sua voz à faixa-título deste Miss Black America.
[Blood Orange] Essex Honey
Devonté Hynes voltou a vestir a pele de Blood Orange após um silêncio discográfico que durou três anos, desde o seu descomprometido curta-duração anterior Four Songs. O regresso é pela porta grande, já que este Essex Honey o coloca novamente na rota dos registos de longa-duração, seis anos depois da mixtape Angel’s Pulse e sete anos depois do álbum Negro Swan. De forma visceral e introspectiva, o cantautor e produtor inglês medita sobre perda, identidade e nostalgia numa obra catalisada pelo falecimento da sua mãe. Em Essex Honey, Hynes constrói paisagens musicais delicadas e fragmentadas — com pianos etéreos, violoncelos esparsos e batidas que se dissolvem e ressurgem. A ficha técnica é verdadeiramente digna de um nome de culto da indie pop, já que compreende gente como Lorde, Caroline Polachek, Daniel Caesar, Mustafa ou Tirzah, entre outros.
[Westside Gunn] HEELS HAVE EYES 2
As culturas do hip hop e do wrestling andam sempre de mãos dadas nos versos assinados por Westside Gunn e hoje o rapper de Buffalo, Nova Iorque, volta a inscrever mais um capítulo nesse sempre delicioso crossover. HEELS HAVE EYES 2 serve de sequela a um projecto menos ambicioso dado a conhecer em Abril passado e surge bem mais reforçado face ao seu antecessor. São 37 minutos de rimas capazes de atirar qualquer um ao tapete ou de fazer os adversários voar sobre as cordas do ringue, por vezes também em regime tag team com as de colegas como Benny The Butcher, Skyzoo, MIKE ou Stove God Cooks.
[DJ 420@ôa] Club Sorrow
IDM vira EIDM (de Emotional Intelligent Dance Music, claro) nas mãos de DJ 420@ôa. O produtor português cria espaço na pista de dança para a exploração dos sentimentos em Club Sorrow, uma colecção de 11 faixas (mais três remisturas) que pulsam a preto e branco e remetem para ideias de ansiedade, depressão ou até antifascismo. Masterizado por Mestre André e envolto numa capa da autoria de Maria Quintas, este lançamento da Rotten \ Fresh conta com uma tiragem em CD de 60 exemplares, cujas cópias podem ser adquiridas no Bandcamp, na Flur (Lisboa) ou na Matéria Prima (Porto). Drum & bass, electro, breakbeat e muitas gotinhas de ácido contam na lista de ingredientes que fazem a receita deste projecto.