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Fotografia: Nick Walker

Música para repor energias.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Freddie Gibbs & The Alchemist, DJ Ride, Pop Dell’Arte, Joell Ortiz & KXNG Crooked, LUCKI e Lil Yachty

Fotografia: Nick Walker

Se há quem precise de repor energias, não há fome que não dê em fartura. Em Minneapolis e noutros estados norte-americanos, já na terceira noite consecutiva de tumultos – a “linguagem daqueles que ninguém ouve”, dizia Martin Luther King.

Enquanto os EUA acordam para a negritude, o carregamento semanal de música adequa-se a todas as etapas de uma revolta: o caos (DJ Ride e Pop Dell’Arte), a meditação (Freddie Gibbs & The Alchemist, LUCKI) – um dia, também a festa (Lil Yachty). Quem sabe quando chegará esse dia?


[Freddie Gibbs & The Alchemist] Alfredo

As palavras de Bernie Mac que abrem Alfredo – “Take the trash out” – parecem um repto às armas que, pela terceira noite consecutiva, se mobilizam contra o racismo policial nos inglórios EUA. Em “Scottie Beam”, a terceira faixa, os versos perfuram como uma profecia: “Yeah, the revolution is the genocide / My execution might be televised”. A imagem de George Floyd, homem negro esmagado pela “força” cobarde, vai definir 2020. O segundo álbum de Freddie Gibbs com o mítico The Alchemist não tem energia de motim, mas pode ser um bálsamo de suaves rimas e requintadas batidas. Porque quase tão importante quanto a revolta é a convalescença.


[DJ Ride] Morph

E por falar em possíveis bandas sonoras para a atualidade, DJ Ride emerge com o que um ouvinte no Bandcamp designa “música apocalypse-friendly.” O campeão mundial de scratching (e um dos Beatbombers, ao lado de Stereossauro) fez uma “viagem” pela cena da “bass musicexperimental” e voltou com uma cena auditiva de pugilato. É Odete sem facas e Amnesia Scanner levado ao limite; um som mais facilmente associável com um motim. Curiosamente, o curta-duração Morph sai pela Renraku, editora sediada em Minneapolis, cidade onde George Floyd foi assassinado…


[Pop Dell’Arte] Transgressio Global

Transgressio Global: começa a parecer de propósito. O regresso dos iconoclastas Pop Dell’Arte aos discos, depois de 2010, já está a ser cozinhado desde 2017 – e o horizonte temporal do conteúdo é infinitamente maior. É um disco em que “Ovídio ouve Sonic Youth na rádio, Camões anda à pancada com Ziggy Stardust, o minotauro vai a saunas gay com Foucault”, como escreve Ricardo Romano no Altamont. Barroquismos greco-latinos e transgressão espácio-temporal neste que é o quinto disco da banda.


[Joell Ortiz & KXNG Crooked] H.A.R.D

Ambos ganharam o troféu de “caloiro do ano” na revista XXL e acabaram por se juntar no grupo Slaughterhouse. Joell Ortiz veio de Brooklyn, pela mão de Dr. Dre e depois Eminem, e KXNG Crooked saiu de Long Beach, Califórnia, para entrar na Death Row Records. Cruzam caminhos pela terceira vez, durante os 25 minutos de H.A.R.D., com produção de Apollo Brown, Illmind, Heatmakerz (amigos dos The Diplomats) ou J.U.S.T.I.C.E League.


[LUCKI] Almost There

Quando acharem que já viram tudo de Chicago, há sempre mais um talento à espera. O rapper e produtor LUCKI, colaborador de Chance the Rapper, Danny Brown, Earl Sweatshirt ou FKA Twigs, já tem cinco mixtapes, um álbum e quatro EPs na algibeira. Antes de Flawless Like Me, o segundo álbum que está quase aí, Almost There reconforta os fãs à espera (aviso à navegação: flauta desafinada na faixa “Runnin With”).


[Lil Yachty] Lil Boat 3

Respirem fundo: ASAP Rocky, DaBaby, Drake, Future, Tierra Whack e Tyler, the Creator (também presente em Alfredo) fazem parte da trupe de Lil Yachty para Lil Boat 3, o último capítulo da sua série de discos que começou com uma mixtape em 2016 e foi seguida por um álbum propriamente dito em 2018.

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