Lisboa voltou a receber Sessa na passada sexta-feira, 6 de Fevereiro, para o primeiro concerto da tour de apresentação do seu novo álbum Pequena Vertigem de Amor, na Casa Capitão, com sala esgotada e um ambiente marcado pela expectativa e pelo entusiasmo em descobrir a nova fase do músico brasileiro.
As boas-vindas são-nos dadas por Leonor Arnaut, artista portuguesa que lançou recentemente a sua carreira a solo com o single “Vida Cega”. Pelos feixes brancos de luz que atravessam a sua voz, articulando-se nos movimentos rítmicos dos instrumentos, instala-se um ambiente acolhedor e intimista, que se propaga pelo silêncio do olhar de um público que a ouve atentamente e a quem tem o prazer de apresentar o seu novo “Avé, Raposa”, lançado naquele mesmo dia como segundo avanço daquele que será o seu álbum de estreia. Breve mas poderosa, a sua performance foi como que uma chuva de melodias delicadas geradas por um alcance vocal fora do comum, qual rouxinol em palco a envolver o público numa energia calma e profunda que abriu caminho para o artista principal daquela noite.
Ao entrar em cena acompanhado por uma banda composta por Biel Basile, Marcelo Cabral e Lê Veras, Sessa capta de imediato a atenção dos ouvintes ao abrir o concerto com “Pequena Vertigem”, tema que dá início ao seu mais recente trabalho. Desde os primeiros instantes, o ritmo e a presença da banda preenchem o espaço, materializando ao vivo as composições que em palco assumem uma nova intensidade, realçada pela harmonia cuidadosamente orquestrada, dado o detalhe sonoro aplicado à instrumentação de cada faixa.
Sessa percorre o repertório do seu último LP marcado pela experiência da parentalidade, entrelaçando-o com canções de álbuns anteriores como Grandeza (2019), centrado no sentimento do desejo, e Estrela Acesa (2022), onde as relações amorosas assumem o protagonismo. Apesar das diferenças temáticas e emocionais entre os vários discos, o fio condutor vive da essência que o artista transparece nas suas criações: a particular atenção dada ao som dos instrumentos e vozes, alinhando-os no cosmos do amor.
O público, deixando-se conduzir pelas canções, desenvolve ritmos corporais que se alinham uns com os outros e formam uma sintonia que faz transparecer cada verso entoado. Estes versos encontram, assim, o eco físico naquele espaço. Nas composições de maior pulsação, como “Flor do Real”, “Grandeza”, “Nome de Deus” ou “Canção da Cura”, essa comunhão intensifica-se: a música ganha corpo, a sala vibra e o concerto vive-se num gesto coletivo, cantado e dançado.
A cada tema, a resposta da plateia faz-se sentir de forma imediata e vibrante pelo intermédio de assobios e aplausos. Nos breves momentos em que se dirige a nós, Sessa agradece não só a presença, mas também a atenção e a entrega com que cada música é recebida. Nota-se um entusiasmo partilhado de um público que vivência o concerto e resiste à ideia do seu fim.
No momento da despedida, a banda deixa o palco, mas a reação da audiência prolonga-se e ocupa o silêncio, entendendo-se a mensagem subjacente do desejo de continuidade, que se exclama por uma voz: “Sessa, não cessa”. O regresso ao palco para um breve encore confirma a conexão estabelecida, encerrando a noite com a mesma intensidade com que começou.
Curioso e entusiasmado com esta nova fase do artista, o público português transforma o primeiro concerto da tour de Pequena Vertigem de Amor num momento marcante: uma estreia que se afirma não apenas pela música, mas também pela experiência vivida.