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Sean Paul: “O nosso género ainda é considerado undergroud, mas nós somos globais”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Sara Coelho

Sean Paul foi um dos grandes nomes do cartaz da edição de 2017 do Sumol Summer Fest. O artista jamaicano condensou uma carreira de 17 anos num concerto enérgico e colocou a plateia a cantar clássicos ou a dançar novos hits como, por exemplo, “Body”, faixa com participação dos Migos.

O Rimas e Batidas esteve à conversa com Sean Paul depois do concerto no certame da Ericeira e trocou algumas ideias sobre o seu percurso, a apropriação do dancehall e do reggae ou as suas raízes portuguesas.

 



Tu tens uma carreira de 17 anos com hits atrás de hits. Qual é o segredo?

Não há segredo. É apenas amor pela música.

Acompanhas sempre o que se anda a passar nos topos das tabelas? 

Sim, eu ando a ouvir o que se está a passar, definitivamente. Mas não existem fórmulas, nem segredos. Eu amo música e eu acho que os meus fãs têm sido muito bons para mim, muito leais. Tenho fãs que são novos e outros que são mais velhos. Eu tenho de lhes dar os parabéns. Se não fossem eles, eu ainda estaria a cantar na casa de banho (risos). E alguém ainda andava a dizer: “Pára com essa porcaria” (risos).

 



Grandes artistas como a Rihanna ou o Drake têm tirado elementos de géneros a que estás intimamente ligado. O que é que achas desta apropriação? Achas que é benéfica? 

Eu não diria tirar porque quando gostas da música, é isso que tem de ficar. Quero dizer, se eu quiser fazer um álbum de country ou western, se eu sentir no meu coração que devo fazê-lo, eu devo fazer, já que amo tanto esses géneros. Ou se eu souber que os meus fãs vão adorar, já que muitos deles fazem por essa razão. Eles sabem que os fãs deles gostam disso e tiram vantagem.

O único problema que tenho é: se eu fizesse um álbum de country ou western, eu não poderia vir ter contigo e dizer: “Hey, este é o meu próximo single“. Em vez disso, tenho que dizer: “Este é um álbum de country ou western. E este é o meu próximo single“. É possível que os meus fãs gostem ou talvez ganhe alguns fãs de country ou western.

O nosso género ainda é considerado undergroud, mas nós somos globais. Nós somos gigantes. Nós temos sons a rebentar através de pessoas como Charlie Blacks e grandes canções que vêm do nosso género. E as pessoas conhecem-nos por todo o mundo. Mesmo assim, nós somos conhecidos como um género underground. Se alguém faz a “nossa” música, eu quero que eles digam, “este é o álbum de reggae. Este é o meu álbum de dancehall”. 

Eu não quero que eles digam, “este é o próximo single“. Tu tens que deixar explícito porque existem miúdos que não sabem. E depois vão dizer que a música daquele ou do outro é fantástica. Isso tem que ficar claro quando a música foi apropriada da vibe de grandes como Bob Marley, Peter Tosh, 3rd World, Jimmy Cliff, Shabba Ranks, Steel Pulse e tantos outros. 

Eles abriram o caminho para mim, por isso não posso ficar aqui e ver outras pessoas a tomá-lo. Eu nunca cheguei e disse: “Este é o meu som”. Eu disse: “Eu amo dancehall e é isso que quero fazer”. Se esses artistas querem usar o som, boa, eu amo. Mas têm que dizer: “Este é um single de dancehall. Porque nós somos grandes dessa maneira. Nós não somos underground. E tu não podes pegar nisso dessa outra forma. É o teu novo single, mas vem da nossa música. Tens que dizer isso.

 



Não lanças um álbum desde 2014. Estás a preparar um novo trabalho? 

Sim, estou a trabalhar em algumas coisas. Eu lancei alguns singles este ano com Dua Lipa, Tory Lanez – eu fiz um remix para ele e depois eles fez uma canção para mim – e Migos – essa é uma música que também vai aparecer no disco.

No meio disso, eu estou a fazer um projecto com o artista Chi Ching Ching. Ele assinou com outro artista chamado Popcaan, mas eu estou a produzir o álbum. Existem grandes artistas jamaicanos a apoiar este miúdo actualmente. Ele vai lançar um álbum este ano e o meu álbum provavelmente sai depois disso.

O meu próximo single vai ser com a Shakira, produzido pelo David Guetta. Mas quero meter cá fora o material do Chi Ching Ching antes do meu. O álbum dele sai, provavelmente, em Setembro. Tem três canções comigo lá. Também tem colaborações com artistas gigantes da Jamaica como o Popcaan, o Chronixx.

Na minha pesquisa, encontrei que tinhas raízes portuguesas. Mantiveste alguma ligação com o nosso país? 

Não, eu não tenho. Os meus antepassados vieram daqui há 400 anos. Nós lá em casa somos portugueses. Nós temos sangue português. Enquanto eu crescia, as pessoas diziam: “Tu és espanhol, tu és português, tu és latino”. Mas nunca tive ligação às raízes. Eu não conheço a família aqui. Eu nem sei se existe família para mim aqui. Não sei se eles foram todos embora para o Brasil ou para a Jamaica. Mas como já disse: estou em casa. Estas são as minhas raízes.

 


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