Scúru Fitchádu no NOS Alive: Também se dança no meio do caos

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Sara Coelho

Coreto transformado em manicómio com Scúru Fitchádu, o punk que gosta de fazer dançar. A chegada à zona mais afastada do palco principal é feita ao som do funaná completamente retorcido de Marcus Veiga. Se fizéssemos mute no som, a festa não pareceria diferente de qualquer baile de uma aldeia.

Ronaldo D’Alva Teixeira e Chullage são os companheiros de serviço de Scúru, o frontman irascível que leva uma t-shirt de Mão Morta com a frase “Pelo meu relógio são horas de matar”. Uma referência que é importante reter para entender a revolução sónica que se faz com funaná, punk, electrónica lo-fi e metal.

 


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A dança no meio do caos é bem capaz de ser a salvação da humanidade e Scúru Fitchádu encontrou a fórmula exacta para mudar o mundo. Ou não. Quem sabe.

O público é, na verdade, uma escola de dança acabada de ser criada. Ninguém parava, dentro ou fora do palco. No meio do marasmo, as palavras berradas pelo músico do Almada são mais um bálsamo enérgico – Scúru Fitchádu, o EP de estreia, é a base do alinhamento, destacando-se o single “Ken Ki Fra”.

O acordeão que carrega nos braços é uma arma de ataque pouco usual, mas que resulta na perfeição neste contexto. “This machine kills fascists” é a frase colada no instrumento, outro apontamento delicioso que remete para Woody Guthrie e a sua guitarra. Não mata, mas mói o corpo, podemos assegurar.

Marcus é um alien no universo nacional e, tal como Karlon, vai buscar a inspiração a Cabo Verde através do sampling. Headbanging e passos básicos de funaná podem não ser o futuro que idealizámos, mas são o presente que precisávamos.

 


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