SBSR’19 – Dia 1: e a Nova Lisboa aqui tão perto…

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos, Alexandre Ribeiro e Rui Miguel Abreu [FOTOS] Manuel Abelho [VÍDEO] Luis Almeida 

Se fosse fácil chegar ao paraíso, todos moraríamos lá, certo? Tomem isto como nota de aviso para tomarem as devidas cautelas para chegarem a horas ao recinto do Super Bock Super Rock e não perderem nada do que consta nas vossas agendas. Quanto mais cedo melhor, claro, que também há horas de ponta para entrar na Nova Lisboa.

Pelas 20 horas, quando o dia já começava a perder o fulgor e o calor se ia dissipando, Dino D’Santiago subiu ao palco EDP com a energia no máximo, com novo material para nos oferecer e a atitude de intensa vibração positiva que sempre o caracteriza. As Nações Unidas deveriam seriamente considerar Dino para o cargo de embaixador global da boa vontade, que ele parece ter a força para sozinho resolver todos os conflitos, todas as diferenças e desigualdades. Pelo menos é nisso que se acredita logo que se fazem ouvir os sons de “Nova Lisboa”.

Secundado pela sua banda formada por Sol Lopes, Sofia Grácio e Nayela Simões em resplandecentes vestes prateadas carimbadas pela designer Alexandra Moura, Dino apresentou-se de branco ostentando uma t-shirt em que se lia “Não é sonho nenhum”. Não, estamos todos plenamente acordados.

No alinhamento trazido ao Super Bock Super Rock destacaram-se naturalmente os novos temas: “Jorge & Andresa”, “Carta pa Tareza” e “Nu Fazi”, com ondulações entre o batuku e o funaná, mostrando que esta interpretação electrónica de Dino das suas próprias raízes está cada vez mais refinada.

“Raboita Sta. Catarina”, “Tudo Certo” com direito a piscadela de olho a Kaytranada, que se apresentará hoje a fechar o palco Super Bock, o clássico dos Tubarões “Djonsinho Cabral”, “Nôs Crença”, este ligado a justa vénia aos nossos primeiros embaixadores da vibração lisboeta, os Buraka Som Sistema, e “Sô Bô” marcaram a primeira parte do alinhamento. Neste último tema surgiu Pedro Mafama, que participa na nova remistura do tema com aditivos de PEDRO, e essa terá sido porventura a única falha desta viagem comandada por Dino, não por demérito de Pedro Mafama, cuja apresentação amanhã no Palco LG by Rádio SBSR aliás muito se aguarda, mas por falhas no seu microfone que comprometeram a sua prestação.

Seguiu-se o resto da viagem em perfeita sintonia com o público, com “Mundu Nôbu” colado a vénia a Nigga Fox, “Como Seria” a acenar aos Carters da Rainha Bey e do imperador Jigga, “Funaná na Mundu” e a fechar o banger “Nôs Funaná” devidamente apimentado pelas novíssimas roupagens reveladas com o EP de remisturas.

A matéria que Dino leva para o palco é sólida, tem espessura para aguentar embates maiores e poder magnético para atrair ainda mais gente. Por este andar, não há dúvidas de que Dino D’Santiago lá haverá de chegar. E nós seguiremos de perto…

A actuação de Jungle foi a banda sonora do jantar, paragem necessária antes do previsível baile que viria de seguida, mas, pelo que conseguimos ver e ouvir, o regresso ao Meco ajudou a abrilhantar a prestação da banda: o seu balanço cirúrgico da soul funcionou como intermediário perfeito na passagem do dia para a noite.



Com o “embaixador” Branko vai dar “Tudo Certo”, pensámos no final do concerto com a ajuda das palavras de Dino D’Santiago que subiu a palco nos últimos minutos. O protagonista do nosso primeiro concerto do dia foi uma gota de água num copo que já transbordava tal era o balanço imparável de tanta anca.

Em bando, os festivaleiros percorreram o recinto até ao Palco EDP para ouvir Nosso pela primeira vez “tão perto de casa” — dado frisado pelo próprio Branko nas primeiras, poucas, palavras que dirigiu ao público. Como ele bem diz, é um homem mais da música e foi isso que entregou sem pausas para respirar. Quem não perdeu o fôlego foi Cosima. Poucos conheciam a britânica que dá voz a “Hear From You”, mas depressa ficaram impressionados com a contralto que, com alguns problemas no retorno, não falhou as notas, os tempos e a ginga. 

Um Na Surra de que tanto gostamos, mas fora de portas.



Quando chegámos ao Palco Somersby, Conan Osiris já tinha ajudado a atracar os “Barcos” da massa humana que não quis perder pitada do concerto de um dos grandes fenómenos da música portuguesa nos últimos anos.

Coadjuvado pelo insubstituível João Reis Moreira e dois músicos (Sunil Pariyar e Cheong Lee), o autor de Adoro Bolos, disco que “patrocina” grande parte do alinhamento, está como quer e, pelas suas palavras, é provável que nunca tenha estado tão bem, falando para um público rendido que, como disse num tom com tanto de sarcástico como de agradecido, sabe “mais do que ele”. Quem diria que em 2019 celebraríamos esta misturada de forma tão entusiástica.

Chegados a “Telemóveis”, o tema que levou ao Festival da Canção e à Eurovisão, cantou-se mais alto do que em qualquer momento, a prova que a televisão ainda tem um papel importante para a disseminação massiva. No caso de Osiris, a democratização dos meios deu-lhe a oportunidade de entrar de rompante sem pedir licença, mas foi o círculo tradicional que lhe garantiu a conquista do grande público.

Neste primeiro dia do festival — e com nomes como Jungle, The 1975 e Lana Del Rey no palco principal –, a Nova Lisboa (representada por Branko, Dino e Conan) mostrou-se no seu expoente máximo no outro lado da margem, ombreando com a “nata” internacional.


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