SBSR: Moullinex e a arte de ser cientista da noite

[TEXTO] Ricardo Farinha [FOTOS] Hélder White

Moullinex fez esta noite a primeira de duas actuações nesta edição do Super Bock Super Rock – muito provavelmente um feito inédito. Luís Clara Gomes divide-se pelas suas diferentes e oblíquas facetas: ora é produtor, músico ou DJ, ou funde estes elementos para se tornar num espécime híbrido evoluído.

O que não lhe falta nunca é a sua característica de cientista rítmico da noite, mestre na arte de estimular a pista de dança, capaz de transformar qualquer sala onde actue num autêntico club, com um ambiente espetacular e muito característico. Os graves electrónicos misturam-se na pista de dança com a ginga funk, hip-hop e disco, e foi também desta forma que Moullinex iniciou a sua actuação no palco Carlsberg do SBSR, autêntica mega-sala-cave de rave electrónica que serve para fechar todos os dias o evento.


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E o mais elogioso é que Moullinex consegue produzir esse efeito tanto a passar música como a tocar em formato live act. O set começou por incentivar o público a voltar a preencher o espaço da sala e pôs cabeças e pés a abanar. Quase sem darmos por isso, mesmo para os ouvidos mais treinados, o público, caso não estivesse a olhar, praticamente não deu conta do momento em que Moullinex deixa a mesa de mistura para agarrar o baixo e o microfone, agora já rodeado da sua banda, numa transição suave e exímia. A partir daqui, é tempo para tocar os temas dos seus discos – Elsewhere, editado o ano passado, é o que mais roda. A última da noite foi “Take My Pain Away”, e pelo meio ainda houve a participação especial de Da Chick, companheira de armas na Match Attack.


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O mesmo Luís Clara Gomes actua outra vez este sábado no Super Bock Super Rock, no palco Antena 3, numa “purple experience” de homenagem ao malogrado Prince. De resto, estamos prontos para o dia mais Rimas e Batidas do festival – de Slow J a DJ Ride, de Batida a Mike El Nite, de Kelela a Capicua, e, claro, com os incontornáveis Orelha Negra, De La Soul e Kendrick Lamar.


Ricardo Farinha

Ricardo Farinha

Jornalista. Colabora desde os 18 anos com várias publicações culturais — as rimas e batidas sempre foram inerentes à vida.
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