Retarded Temaki estreia-se com EP homónimo pela COLÓNIA CALÚNIA

[FOTO] Direitos Reservados [ARTWORK] Carolina Panta

Acaba de dar entrada no catálogo de COLÓNIA CALÚNIA o EP de estreia de Retarded Temaki. O projecto homónimo do produtor alinha sete temas instrumentais.

Uma nova personagem envolta de mistério surge na turma fundada por VULTO.. Desde CAFÉ, editado em 2016, que o catálogo digital do colectivo no Bandcamp tem aumentado, com trabalhos de artistas tão dispersos como Pesca ou Metamorfiko, Tilt ou L-ALI e, claro, o próprio VULTO., ele que também tem planos na sua agenda editorial para 2018.

Retarded Temaki — cuja primeira aparição em cena remonta às batidas cedidas para Mau da Fita, de Vilão — também responde por Silvestre, o apelido que lhe tem servido para assinar o seu lado techno na netlabel Padre Himalaya. O selo que criou em 2014 tem sido o mote para algumas festas em terras de sua majestade e, já em Abril, a dupla “Silvestre & Renato Lda” vem representar a editora pela primeira vez em solo nacional, a propósito do Lisboa Electrónica.

Na tentativa de o conhecermos um pouco melhor, o produtor confessou à nossa publicação não ter “muito jeito para a cena” das perguntas e respostas, com a mesma rapidez com que desabafou assuntos triviais como “jantei massa com tomate hoje” ou “está um frio do caralho.” Talvez seja por isso que tenha decidido não cantar e expressar as emoções apenas num contexto rítmico e melódico. A música não obriga ao uso da palavra e Retarded Temaki sente-se como um peixe a marinar em molho de soja enquanto manipula sons no Ableton Live.

 



Haverá certamente muita gente que nunca ouviu falar de ti. Quem é o Retarded Temaki? Como começou esta tua aventura enquanto produtor?

Comecei a produzir com os meus vizinhos no Hip Hop 4, depois fui pro Fruity Loops e de alguns anos para cá estou com o Ableton Live.

Falaste-me das colaborações com o Vilão no álbum dele, os teus únicos trabalhos editados até agora. De onde nasceu essa hipótese de trabalharem juntos? Já se conheciam?

Não, nunca nos conhecemos pessoalmente até hoje. Mandei uns beats para a editora dele porque dela faziam parte rappers que eu curtia e perguntei se alguém do colectivo deles curtia pegar em algum dos instrumentais para rimar por cima. Ele decidiu utilizar três para o álbum dele, Mau da Fita.

Voltas agora a lançar novos conteúdos, desta vez em nome próprio. Tentaste criar algum conceito em específico para este EP?

O conceito era mostrar sons que tenho feito com bpm’s lentos. Não têm de ser necessariamente rap ou só rap, mas sim com uma onda rap.

Fala-me um pouco do processo de produção destes temas. Tens algum método para procurar e trabalhar os samples que escolhes? Complementas as faixas com ajuda de instrumentos virtuais?

Saco quase tudo do YouTube. Depois uso um sampler que é o ixiQuarks e o Ableton Live. Há um som no qual me samplei a gritar pro microfone e meti uns efeitos e isso. Andava a ouvir Burzum na altura.

Como surgiu esta ligação a COLÓNIA CALÚNIA? É um conjunto de artistas que conheces ou tens vindo a acompanhar?

Conheci o VULTO. desde o projecto As Irmãs Reúnem e fiquei bué entusiasmado porque há algum tempo que não acompanhava o rap tuga. E para mim aquele trabalho não só trouxe uma cena bué fresca a nível de produção dos beats mas também fez um bom apanhado de rappers que, no geral, eram quase todos duma geração nova na altura (pelo menos para mim). Quando ouvi aquilo fiquei mesmo “wow, isto é diferente do que tudo o que tinha ouvido na tuga até agora.” Para mim marcou um novo capitulo no hip hop em Portugal. Desde então, fui sempre acompanhando os trabalhos e projectos em que o VULTO. está envolvido e de todos os rappers presentes nesse álbum. Acho que sem ser o Blasph e o Mike El Nite, todos os outros ouvi pela primeira vez aí. Por exemplo, na altura pensei “de onde é que apareceram gajos como o L-ALI ou, noutra vibe, o Revo-T e Big-P?” Fiquei mesmo surpreendido e isso até me inspirou a voltar a fazer beats, porque eu fiquei bué tempo sem produzir cenas com uma vibe de rap/hip hop. No final do ano passado, enviei um grupo de sons ao VULTO. e foi isso! Há faixas neste EP que foram produzidos em 2017, outros que foram produzidos até há 3 anos atrás, como o primeiro tema, por exemplo.

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira