RBTV: Mais um mês a pensar no futuro – Festival Rimas e Batidas 30 dias depois

 

Há exactamente um mês arrancou no Cinema São Jorge a primeira edição do Festival Rimas e Batidas e a primeira certeza que todos tivemos, mesmo antes do primeiro sound check ter começado, foi que tínhamos ali plantado uma semente para o futuro. O Festival Rimas e Batidas vai regressar. E se calhar mais cedo do que seria de esperar (os festivais, como o Natal, podem ser quando um homem quiser…)…

Passado um mês, no entanto, podemos fazer um balanço honesto do que aconteceu: tivemos muito menos público do que desejaríamos, muito menos até do que pensávamos ter, ainda assim o suficiente para acreditarmos que a nossa ideia pode funcionar. O público há-de descobrir o caminho para rimasebatidas.pt e há-de descobrir o caminho para os dias em que ocuparmos o São Jorge. Ou outro espaço qualquer.

Apesar de editorialmente termos o hip hop no centro do nosso “palco”, não deixamos de dar atenção a outras realidades que são para nós igualmente importantes: no primeiro Festival ReB houve oportunidade de espreitar um curto filme de Eduardo Morais sobre Sonic Boom, fantástico produtor da área da electrónica experimental; dedicámos uma noite inteira a programar no feminino, dedicámos outra aos que gostam de explorar as zonas mais recônditas e afastadas da electrónica; e mostrámos coisas em estreia, ou quase: como a Fábia Maia, a Caroline Lethô, o L-ALI, o Slow J, o novo projecto do Beware Jack com o Blasph. Ou seja, não demos às pessoas aquilo que elas já conhecem e pronto. E pagámos um cachet a toda a gente e tivemos um técnico de som a sério e pizzas de legumes grelhados e garrafas de tinto alentejano no backstage. E pagámos as licenças da SPA e tivemos montras cheias de arte.

Fizemos bem e fizemos diferente. Certeza absoluta: haveremos de fazer melhor e continuar a fazer diferente. Porque este texto é acerca do futuro. Fizemos o primeiro Festival ReB antes de completarmos cinco meses de idade e hoje, ainda sem contarmos seis de existência, não podemos deixar de sentir orgulho sobretudo nas ideias que temos para o futuro, nos objectivos que traçámos e que queremos todos alcançar. Somos uma equipa determinada: eu, o César Furtado e o Ricardo Miguel Vieira, o Bruno Martins, o Gonçalo Oliveira, o Bernardo Marques e todos os outros colaboradores, do Alexandre Ribeiro ao António Barbot e ainda todos os outros que vão pontualmente contribuindo das mais diversas formas (com textos, com fotos, com vídeos, com ideias, com mixes, com palmadas nas costas) – são eles todos que garantem que o Rimas e Batidas vai continuar a crescer e a evoluir.

Ainda só passou um mês desde a nossa primeira aventura e já nos queremos meter em várias outras. Mantenham-se atentos a este espaço porque o futuro já começou e não tarda nada volta a bater-nos à porta.

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
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