Rastronaut: explorando a galáxia bass lisboeta

 

[FOTO] Francisco Henrique Melim

 

“Bass”. Esta é a palavra-chave para compreender o crescente universo sónico que tem tomado conta de Lisboa e, aos poucos, invadido as pistas de dança de todo o mundo. Seja zouk, kuduro progressivo, kizomba, future tarraxo ou tropicalismos assentes em graves gordos, bass é a raiz que se ramifica por entre estilos e nos traz os ritmos que hoje colocam Lisboa em órbita com grandes capitais associadas à global dance music.

Quem calcorreia a calçada lisboeta, facilmente é confrontado com ritmos de influência latina, brasileira e africana, uma mescla de origens e batidas que sofreram, nos últimos anos, transformações dentro dos campos da electrónica. Um dos produtores e DJs lisboetas associados a essa expansão é Rastronaut, que fundiu a sua natural atracção pela bass music britânica às sonoridades que ressoam pela capital portuguesa. “Sons de Angola, Cabo Verde, Brasil, tudo faz parte do som de Lisboa, não há maneira de não seres influenciado pelo sítio onde vives e pelo que está à tua volta”.

João Silva, de nome próprio, é um dos elementos da Enchufada que se tem destacado pelos clubes alfacinhas. Sublinhe-se que a cada dois meses é um dos guias do sistema de som do Lux nas Hard Ass Session, residência da editora na discoteca à beira-Tejo. Em Março marcou presença no XOYO, em Londres, numa estreia além-fronteiras que coincidiu com uma cidade referência no seu ADN musical.

Ainda sem um disco ou EP em nome próprio editado em formato físico, o produtor dedica-se a navegar no emaranhado de sons despejados diariamente para a internet em busca de novas injecções auditivas, novas produções com potencial para inflamar as pistas de dança. Absorções para eventualmente atingir o ponto em que se lança a uma compilação de autor.

*O ReB agradece ao estúdio Metal Box e ao Gustavo Rodrigues pela cedência de espaço para a realização desta entrevista.

Ricardo Miguel Vieira

Escrevo umas linhas em revistas e sites. Cultura, música, activismo, DIY, surfing são o meu universo. Se não me encontrarem por aí de headphones entre orelhas é porque estou algures no oceano.