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Pulsação tresquiáltera na visita de Black Coffee ao Brunch Electronik Lisboa

[TEXTO] Manuel Rodrigues [FOTO] Direitos Reservados

Numa recente entrevista para o LA Weekly, por altura da sua passagem pelo festival Coachella, Black Coffee afirmou que as suas raízes africanas o influenciam bastante nas escolhas das músicas para os seus sets bem como nos temas que produz. “É algo que eu não consigo descartar”, responde, acrescentando “até mesmo nas alturas em que eu não quero que soe a isso, quando tento procurar outros sons, acaba sempre por lá chegar através do ritmo. Faz parte do que sou”, conclui.

Facto é que Nikosinathi Innocent Maphumulo, nome de baptismo, natural de Durban, Kwazulu-Natal, África do Sul, transporta consigo uma forte ligação a África, venha ela através de músicas com ritmos directamente ancorados ao musicalmente vasto e fértil continente, ou através de ligeiros apontamentos nos efeitos que usa ou até nas próprias transições. No final de tarde de ontem, naquele que foi o sexto episódio da edição deste ano do Brunch Electronik, em Lisboa, Black Coffee deixou bem saliente esse enraizamento, recorrendo muitas vezes a bombos laços, que rapidamente se colam às percussões tradicionais, e certos apontamentos em tercinas.

Black Coffee é muito mais do que um mero DJ e produtor. É alguém com um forte vínculo à indústria musical, não só no que está directamente ligado à sua Soulistic Music, selo que já lançou temas de artistas como Culoe De Song, Goldfish, DJ Shimza e Da Capo, mas também no que diz respeito às colaborações com alguns dos nomes mais sonantes do mercado, como Drake e Alicia Keys – é também sabido que o artista sul-africano se encontra a trabalhar com Pharrell Williams e que tem como sonho vir um dia a ligar-se profissionalmente com Beyoncé. Não será por isso de estranhar o evocar de uma vertente mais comercial nos seus sets, como servem de exemplo as remisturas para os temas “Somebody That I Used To Know”, de Gotye, e “Hell To The Liars”, dos London Grammar.

Ritmo, vigor e perícia na mistura. Foi com estes atributos que Black Coffee conquistou uma plateia esgotadíssima, que, apesar do normal congestionamento na pista de dança e nas zonas contíguas (bar, restauração, casas de banho…), não poupou na hora de sincronizar corpo e alma com os ritmos debitados a partir dos quatro decks de mistura daquele que foi grande anfitrião da noite, cujo talento coleccionou aplausos e tantas outras manifestações entusiásticas a cada quebra rítmica, cada energético regresso à batida, cada passagem e cada efeito utilizado.

A tarde foi também ela de celebração, conduzida pelas actuações de Rui Trintaeum, Enoo Napa, Themba e Da Capo. Aos poucos, o público começou a preencher a pista de dança, com algumas pessoas a procurarem locais de boa visibilidade e audição (os limitadores da grande cidade parecem continuar impiedosos neste campo), e outras a posicionarem-se estrategicamente nas zonas alcançadas pelos vários chuveiros de água fresca montados na estrutura que sustenta também a já habitual rede camuflada e o reforço de PA.

“Dancing In The Villa”, de Da Capo, “Abantu”, de DJ Satelite feat. Fredy Massamba (na remistura de Djeff Afrozila),“Y.O.U.D.”, de Culoe De Song, e “Abiro”, de Kato Change, foram algumas das músicas que se ouviram antes do sol desaparecer por entre a vegetação do Parque Florestal de Monsanto, altura em que a ligeira descida de temperatura deu lugar a uma abrupta subida de emoção no coração da plateia. Euforia generalizada, telemóveis no ar, era chegada a altura do cabeça de cartaz assumir os comandos.

 


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