Menos de uma década após protagonizarem um (relativamente discreto) atrito lírico, eis que Prodígio e Valete surpreendem ao partilharem pela primeira vez uma faixa. “A Salvação”, com um instrumental assinado por ambos, é o primeiro single do novo álbum do rapper da Força Suprema, que acaba de assinar contrato com a Universal Music Portugal.
Ainda que contenha versos sobre diferentes temáticas, a própria música expressa bem o entendimento que os uniu, a consciência de que o verdadeiro inimigo não está do outro lado do microfone — sobretudo para quem tanto partilha, do amor pela cultura hip hop à arte das palavras, passando pela etnia e contexto social, mas também pela marcante perda paternal.
“Nós contra nós sempre foi o plano deles/Eu nunca me distraio, estou aqui para combatê-los/Eu sei de onde vem o perigo/Eu sei quem é o inimigo”, escuta-se no single, cujo videoclipe realizado pela Afro Digital só reforça a mensagem transmitida.
Em entrevista exclusiva ao Rimas e Batidas, Prodígio e Valete falam sobre a inesperada colaboração, explicam o que os une, abordam o passado e o futuro que tão bem clarificam o presente.
Como é que vocês se aproximam ao ponto de irem para o estúdio?
[Prodígio] Do que me lembro, a primeira vez foi no camarim d’A História do Hip Hop Tuga [na MEO Arena, em 2022]. O Valete veio ter comigo, por causa daquela situação toda do “R.A.P. (Retaliações Antes da Paz)” e do single dele. Falámos um bocado e daí não passou. Se calhar também não era o sítio ideal para a gente desenvolver muito. E assim ficou, ficou claro que não existia nada, que não se ia passar nada depois daquilo. Depois, foi a Paula Homem [da Universal]. Ela estava sempre a martelar-me a cabeça: “olha, tu e o Valete têm mais em comum do que possas imaginar”. Eu tinha acabado de perder o meu pai, ela disse-me que o Valete tinha passado pela mesma coisa. “Olho para ti e lembro-me muito dele”, dizia-me ela. E já houve tanta coisa que eu fiz em que fui mal percebido e mal interpretado… E às vezes estamos com os nossos feelings, com a nossa realidade, a olhar para as coisas da nossa forma. Comecei a pensar e disse “OK, cool”. Pedi o número do Valete à Paula e liguei-lhe. E falámos e falámos.
Isso foi há muito tempo?
[P] Há uns dois anos, um ano e tal. E há dez meses começámos a falar de música. A única cena que o Valete me disse foi: “eu escrevo no meu tempo, então quando estiveres com um deadline, diz-me que a gente aperta a cena”. Foi trocar beats e ideias, ir para o estúdio, ele ouvir o que eu estava a fazer, e surpreender-me com beats que eu nunca fosse imaginar que ele curtisse. Ele dizia: “eu soltava nisso”. A partir daí, foi história.
[Valete] Primeiro, gostava de dizer que toda a cena de Força Suprema é um caso de estudo. Tudo o que eles conseguiram, esta cena do artista/empreendedor, artista/visionário, isto é obra da Força Suprema e quando se contar a história do hip hop daqui a 50 anos, eles vão ter vários capítulos, porque a revolucionaram a vários níveis. E acho que todos nós estávamos a observá-los e a estudá-los. Fogo, como é que estes gajos conseguem fazer isto? O General D fala muito de vocês, está sempre a dizer que são a referência. Que conseguiram pôr pessoal do bairro a trabalhar para o projecto.
É um lado de emancipação social que por vezes não é tão valorizado.
[V] Sem dúvida, principalmente em Portugal, em que, quando és um artista independente, és um super-herói. Tens de ser um super-herói. E acho que eles encontraram os caminhos. Eu tenho uma escola em Benfica e costumo dizer que, se tu quiseres fazer uma trajectória independente, uma das referências é o pessoal da Força Suprema. Então, em primeiro lugar, queria estar perto deste movimento, porque acho que são históricos. Depois, outra coisa importante para mim é que tenho uma afinidade particular por MCs. E esses niggas são MCs. Sinto-me em casa. É diferente fazer um som com ele porque ele vai perceber tudo o que eu vou dizer. A coisa vai ficar familiar. Porque são MCs que estão em cima do som. Este é o tipo de gajo que eu gosto de ver a ter sucesso. Vamos ter alguns gajos que vão gravitar à volta do fenómeno hip hop mas que não têm esta escola. E eu particularmente gosto mais de ver os rappers a brilhar. São gajos que eu sei… Em 2006, quando fiz aquele som com o Sam, dizíamos: “quando o dinheiro acaba, nós ainda estamos cá”.
[V] E eu sei que isto também é a cena deles. Se algum dia isto deixar de dar dinheiro, eles vão continuar a cuspir. Com os filhos e os netos. Então, sinto-me em casa. Foi bué fixe fazer o som com o Prodígio. Também sei, porque já estou aqui há muitos anos, que normalmente quando os rappers têm algum tipo de atrito, é porque são rappers que não se conhecem bem. Tu ouves o som, interpretas mal, vocês nunca estiveram juntos, estás a interpretar coisas que ele disse e nem o conheces… Sempre que tive esse tipo de atritos, teve a ver com isso, com o facto de o rapper não me conhecer. Então foi muito fixe. E foi dos gajos mais fáceis de trabalhar. Eu sou muito complicado, demoro a escrever, na mistura sou bué maluco: a minha voz tem que estar assim e assim. E ele sempre: “‘bora, mano”. Descomplicou ao máximo e fluiu muito bem.
[P] Não parece, mas o movimento é pequeno. O people diz que o “Valete é bué complicado”, mas se calhar por ser produtor e ter trabalhado com tanta gente, não é complicado… És complexo, que é uma cena diferente. Tu queres a cena a soar daquele jeito. E eu entendo. Se calhar por teres trabalhado sempre no teu sound e na tua cena. Eu, como trabalhei com bué sounds e muita gente, sou uma pessoa menos exigente nesse aspecto. Ele não, tens que ir à paragem X, e isso também é bué nice.
Tinham características que, à partida, davam para ter uma boa química de estúdio.
[V] Para mim foi muito fácil. Realmente os artistas têm alguma complexidade e fluiu super facilmente.
[P] Ainda ouvimos vários beats, mas quando apareceu este foi wow…
[V] Agora quero bué fazer rap para rappers, estou muito nessa cena. E sinto que esta faixa é isso, isto é para nós, para os rappers. Sinto bué isso e estou muito satisfeito com a música. Vocês têm aí o vosso alimento, o vosso almoço, e é bué preciso. Até porque, falando no caso português, e ele saberá falar melhor de Angola, se calhar até 2010 ou 2012 havia muita gente com visibilidade a fazer rap para rappers. Uma coisa muito comunitária. E creio que se está a fazer menos. E há um público gigante que está órfão. Está sem esse alimento. Eles têm 25, 30, 35 anos…
[P] E eu sou este público. 90% da música que oiço é antiga. Por causa deste fenómeno. Então acredito que haja outros como eu.
[V] Sem dúvida que há. Em África, então, este público é gigante. E eu sou de outra era, o Prodígio é um bocado mais novo do que eu, mas eu venho de uma era em que não fazia muito sentido os MCs que são jedis não colaborarem. Era obrigatório. Até me disseste que sentes que faltou na tua discografia um som com o Azagaia, e de repente o MCK… Somos MCs e para ele faz-lhe todo o sentido ter um som com este e com aquele, é aquela peça do puzzle que faz todo o sentido e para mim é igual. Eu quero fazer música com todos os MCs históricos.
Deixar uma música com esse tal jedi na discografia?
[V] Sem dúvida. Isso é o que faz sentido. E também é uma forma de a gente alimentar esse público que curte mesmo aquele rap e que está desejoso.
Falando da música em si, diria que existe aqui um grande statement e o videoclipe ainda realça mais essa mensagem, de vocês assumirem que o combate que se quer, que realmente vale a pena, não é entre vocês — e que têm a consciência de quem é o verdadeiro inimigo a combater.
[P] Acho que o bom desta música é que deixa a ideia d’”A Salvação” em aberto. Eu não sou daquelas pessoas que querem ditar aos outros o que é a realidade. Principalmente hoje. Mas, quando estás numa empresa e numa estrutura, quando estamos distraídos achamos que o nosso inimigo é o colega da mesa do lado. Aquele que ganha exactamente o mesmo que nós. E nunca conseguimos olhar para o último andar e perceber que quem decide o que a gente ganha não és tu nem ele, é a pessoa que está lá em cima. Há alguém a explorar-nos aos dois. Eu e o Valete somos a mesma pessoa, somos filhos das colónias, herdeiros da ditadura.
[V] Concordo plenamente, é mesmo isso. Somos dois rappers, dois músicos, dois luso-africanos ou afro-lusos. Dois negros. Mais do que ninguém, eu sei o que é ser negro em Portugal. Então, o negro em Portugal não pode nunca ser o meu inimigo. Estamos sempre em território hostil, tens um milhão de adversidades. Há pouco tempo tivemos um homem negro em Portugal que encheu duas MEO Arenas, o Plutonio. Isso são cenas mesmo de super-herói. Até porque estamos num mercado de classe média alta e classe alta. Há muito poucos gajos do bairro a prosperar na música portuguesa, há muito poucas condições. Para apresentares músicas, lançares um disco, tens que gravar, misturar, masterizar, fazer um videoclipe, contratar assessoria de imprensa…
[P] E isso é o mínimo.
[V] Um miúdo quer aparecer, mostrar-se para o mercado musical e sem 10 ou 15 mil euros… vai sofrer muito. Nós estamos nesse contexto, então os rappers, os músicos, não são meus inimigos. Jamais. Nós só temos coisas em comum. Depois, uma coisa que sempre me inquietou na comunidade hip hop é que o people gosta mais de ver rappers a beefar do que a fazerem músicas juntos. Eu quero ver o Nas com o Jay-Z. É divertido ver os niggas a beefarem-se, mas preferia ouvi-los juntos. Então acho que fez todo o sentido.
[P] Eu venho da escola do freestyle, então cresci mesmo nas batalhas. Hoje é uma coisa que já não me dá tanto, não vou mentir, mas sempre me deu gozo. Principalmente se eu for fã daquilo que fazes… Damn, o Valete?
[V] Sim, mas quando é saudável.
[P] A cena é que muitas vezes escorre para outros lados. Então, acho que este refrão é muito simples, até porque os versos existem em universos tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidos… Eu sempre me vi mais como o B.I.G. Vivi com a minha irmã num bairro social, no “Bairro da Fome” da Serra das Minas, sempre fui aquele gajo que queria fugir da miséria para levar a minha irmã comigo, então sempre disse que era mais B.I.G., que queria um grande carro, uma grande casa e tirar os meus irmãos dali. E um amigo meu, que por acaso também é amigo do Valete, sempre me disse: “tu és maluco, 90% do que escreves é Tupac, já viste bem o teu catálogo?”. Essa é a nossa discussão desde sempre, então há toda essa dualidade, e sempre que falo com ele sobre isso digo-lhe que tem razão. Isto porque parece que estou sempre a reclamar, naquele registo meio social, a falar sobre qual é o nosso lugar e o que é que é nosso, a dizer que também pertencemos, que estamos aqui por algum motivo e não viemos parar a Portugal de pára-quedas, que não falamos a mesma língua à toa, que há um background.
[V] E outra cena que também acho importante é que estamos numa posição bem privilegiada. Somos rappers com palcos, com ouvintes. Se o Prodígio fizer um som sobre Angola, e já fizeste vários, há 100 mil, 200 mil ou um milhão de pessoas a ouvir. Isso é um privilégio do caraças, os rappers que estão nessa condição têm que perceber essa responsabilidade. Há 50 mil rappers que não têm esse palco. Fazem canções muito importantes, mas não chegam tanto às pessoas, então esta música também é isso, é esta mensagem de “eu sei quem é o inimigo” e muita gente vai ouvir, muita gente vai reflectir sobre essas frases.
E se já existe essa responsabilidade quando lançam um tema a solo, numa colaboração como esta ainda há um peso acrescido de passar uma mensagem que seja significativa.
[V] Ya, e ele também me disse que ia fazer um álbum com base em gospel e eu tenho uma relação esquizofrénica com Deus e com a religião e também quis deixar isso na letra. Há um conceito muito fixe no hip hop que é o estilo livre, tens espaço para te exprimires como quiseres, sem regras nem restrições, sem filtros, e é das coisas mais bonitas que existe no hip hop. Podes ir a vários temas e, se for um bocado excessivo, não há drama. Ninguém é perfeito, temos incoerências e contradições, por isso é que também acho a música bué bonita, é um manifesto brutal de estilo livre, é essa a beleza da música para mim.
[P] O teu verso do cobre… Adoro essa linha, porque é daquelas coisas que, se não tiveres profundidade e fores apaixonado pela religião do homem, tu vais logo para a blasfémia para te defenderes. É uma linha que é tão forte que não consegues abraçá-la se não estiveres pronto e foi uma das que mais curti na música.
[V] A que eu curti mais foi a do “isto para ser melhor só com um verso do Azagaia”. É uma homenagem bué bonita e nós os dois já falámos sobre, na continuidade das nossas carreiras, sermos uma extensão do Azagaia.
[P] Mano, arrepiei-me todo.
[V] Tu teres falado sobre ele na música é uma grande homenagem.
[P] Sim, e das poucas coisas que me arrependo é de ter adiado essa colaboração, estavam-me sempre a cobrar, sempre disse que iria fazer, mas com a estrada, you keep on moving e, depois, com o que aconteceu… essa merda é curta.
[V] Vamos ter todos 70 ou 80 anos e o que vai mesmo marcar, o que vai mesmo ser significativo na nossa história, é a obra. Um som com o Azagaia, um som com o MCK, é isso que vai ficar…
Tal como, agora, um som entre Prodígio e Valete.
[P] Sem dúvida. Meto-me muitas vezes no lugar de miúdo, de “eu” ontem, e há certas coisas que, principalmente depois de ter perdido o meu cota, acho que devo àquele puto, a quem vendi tantos sonhos. Porque foi ousado demais, tudo o que fiz. Eu tenho uma trajectória estranha, saio de perto dos meus cotas para ir com 9 ou 10 anos para um bairro social, sem nada… havia comida, nunca passei fome, mas há toda uma falta de estrutura. Sais da escola e não encontras os teus pais em casa. Há reunião dos pais e os teus pais não estão lá. Depois, estás mesmo ao lado do traficante e da prostituta. E o teu irmão mais velho é o gajo do bizno, vai preso 13 anos. E tu vais para Londres estudar. E jurei a mim mesmo que nunca iria assinar um contrato que não fosse de música, até a música funcionar. Estudei, formei-me, tenho o meu puto, estou no cubico com ele e a mãe do meu puto, a receber propostas de trabalho e a dizer: não, mal termine os estudos vou para a tuga porque tenho isto para fazer. Então devo muito àquele puto. E às vezes ouvia as músicas dos meus heróis juntos e ficava tipo: come on, man, podia estar melhor, estás a ver? Então termos feito esta coisa tão nua e crua… Para mim é um Valete em esteróides, o Valete do “Anti-Herói”, um super rapper. E eu sou aquele Prodígio a roçar a cena da Força Suprema. Acho que era muito importante que esta música fosse assim, acho que era muito importante que o tema da música fosse abrangente para não ser nem muito eu, nem muito ele. Para ser mesmo um encontro bonito entre os dois universos.
O que é que já podes contar sobre este novo álbum que aí vem?
[P] Sai para o ano, nem muito tarde nem muito cedo. É capaz de ser o meu melhor trabalho, acho que encontrei aí uma coisa… A vida é diferente depois de atravessares o deserto. Eu tive conversas com a minha pior versão. Perder o meu cota foi viver o meu pior medo antes de viver outros medos normais. Nunca gostei e acho que nunca vou gostar de ninguém como gostava do meu cota. Eu gostava das pessoas através dele. A minha vida inteira foi pensar em que é que o meu cota pensaria, o que é que ele faria. Então tê-lo perdido tão cedo foi… Acho que despi-me de toda a vaidade que podia ter. Mano, eu não sei onde é que estão as minhas jóias. Não uso um relógio há cinco anos, para aí. Não sei onde estão as minhas coisas, não sei onde estão os meus óculos. Eu fui atropelado pelo autocarro da vida. E acho que este álbum reflecte isso. Porque tudo o que fiz de lá até agora foi só dor. Foi dor sem aceitação. Então acho que agora consigo perceber o que se passou. E este álbum diz isso.
E entre vocês os dois, fica a porta aberta para eventuais outras colaborações?
[V] Por acaso até falámos disso. Eu quero, estou bem nesse caminho. Quero fazer rap para rappers. Os meus próximos anos vão-te deixar isso muito claro. Então quero ter todos os rappers na minha discografia. Fiz agora um som com o Pragga. Já tínhamos feito cenas, mas agora um som oficial.
Também chamas pelo nome dele aqui n’”A Salvação”.
[V] Exactamente. Para mim também é um super-herói. É uma das nossas referências. É um rapper de rappers. E é super perfeccionista, então está com muita dificuldade em lançar música. Quero muito puxar por ele. Então nos próximos anos quero colaborar com todos os MCs de elite. E isso não tem nada a ver com fama e números. Foda-se essa merda. MCs de elite.
[P] E para mim é uma honra fazer parte deste momento, ainda fazer isto. Fui fã, passei a fazer parte e continuar a fazer parte é um privilégio, como o Valete disse há bocado. Principalmente olhando para trás, de onde a gente vem, é um atrevimento, é uma loucura. O people ria-se de nós. Éramos vandalizados na nossa cara, era vergonhoso o que a gente representava, a realidade do país em que a gente se encontra. Então, para mim é muito importante continuar a fazer isto a este nível, desta forma. A ter cuidado com o texto.
Esta colaboração também é uma lição de maturidade e reconciliação?
[V] Sim, diria que sim, também pelas nossas idades, isso faz muita diferença. Porque eu acredito sempre que juntos somos mais fortes. E depois, reforçando o que eu estava a dizer, nesta altura: cuidar e alimentar uma comunidade hip hop que é espectacular. Que tem muita força em toda a lusofonia. E, a partir daqui, desafiarmos pessoas para que aconteçam mais coisas. Portugal não tem um festival de hip hop e precisa, então é criar este tipo de coisas para não deixar a cultura morrer e até fazer com que cresça. Nós temos pessoas, temos vontade, é através da união que vamos conseguir estas coisas.
[P] Esta música é muito importante para quem veio depois. A primeira pessoa a quem a mostrei foi ao Gson e ele quase morreu de felicidade. Começou a gritar! Eu acredito na cena do universo, de que as coisas vão acontecer quando tiverem de acontecer. E, nesse dia, percebi a importância desta música. Eu já sabia, por isso é que a mostrei especificamente a ele, até porque ele é como eu numa versão em esteróides, melhorada. Então, esta música é isso, dizer-lhes: menos daquilo, mais disto.
[V] Ele mostrou o som a um MC, então nem é preciso explicar muito. Ele vai perceber o significado.