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Postais de Londres: IVVVO

[ENTREVISTA/FOTO] Ricardo Miguel Vieira, em Londres

 

*Numa certa noite de Verão, cinco portugueses, produtores conotados com a cena electrónica residentes em Londres, actuaram no Corsica Studios, um club sombrio nas arcadas de uma ponte ferroviária. Ao longo da semana, o Rimas e Batidas vai divulgar alguns dos seus pensamentos em voz alta na primeira pessoa. Reflexões sobre a Portuguese Dance Music que se faz ouvir Europa fora e que agora tem o seu expositor maior na Rádio Quântica, a inaugurar a 1 de Novembro por Violet e Photonz.

 

A música não tem uma área geográfica, poderia estar a fazer exactamente a mesma coisa no Porto ou em Lisboa,em Barcelona ou em Berlim. Aconteceu vir para Londres e obviamente que há influências indirectas todos os dias naquilo que vejo, que faço e que oiço, não é uma coisa premeditada, mas acaba por acontecer e por se reflectir no meu trabalho. A música não tem um ponto no mapa: a música é música. Sou português e não me defino como um ícone da Portuguese Dance Music. É o que é. É música. E é fixe os produtores portugueses estarem cada vez mais a dar nas vistas cá fora.

Portugal, Porto e Lisboa acabam por ainda não ter as ferramentas e as plataformas necessárias para suportar tantos produtores e artistas, seja na área da música, nas artes plásticas, ou em qualquer outra área criativa. Eu compreendo isso. A mim sempre me disseram que a primeira revolução é feita em casa. Nunca cresci na consequência de estar em casa. Sempre cresci a pensar em globalidade. A partir daí, as coisas acontecem, com trabalho e dedicação, independentemente de onde estejas.

 


 


O que me motivou a mudar para Londres há sensivelmente três anos foi o facto de sentir que o Porto, onde comecei a produzir, em meados de 2010/2011 já não tinha nada para me oferecer, para além da família e dos amigos, e também a de uma descoberta para uma vida melhor. O país não está de altas famas e também estava na altura de sair de casa dos meus pais, por isso se tinha de sair, saía para Londres. Foi já aqui que aconteceu o meu primeiro release físico numa editora inglesa em 2013, o que foi a melhor prancha de lançamento para a faina, para o dinheiro, para os carros e para as mulheres.

Quando estou a passar som como DJ, esse acto deixa de ser só sobre mim, passa a ser sobre quem está a ouvir, o público. Isso é uma coisa que na verdade não me dá muito prazer, porque sou narcísico, singular, e tenho um ego gigante e é tudo sobre mim. Contudo, acabo por ceder um pouco e as coisas acontecem da melhor maneira. Os meus sets nunca são uma coisa muito pensada, mas estão sempre dentro daquilo que gosto. Não quero estar apenas a passar um tema de algo que não gosto ou procurar deixar as pessoas a dançar. Sou uma pessoa muito moody, tão depressa quero uma coisa como outra. Já me aconteceu estar a tocar para 3 mil pessoas em festivais e passar Joy Division a meio do meu set porque era aquilo que me apetecia ouvir.

 


 


Não me consigo definir numa só palavra. Acho-me incrível, porque sou. Às vezes acordo e apetece-me escrever música, outras vezes tenho vontade para produzir outras coisas. Como a Gabriela Cravo e Canela, eu nasci assim e pronto. Não há uma palavra nem uma scene que me defina. É o que é. É IVVVO.

Tenho uma edição a sair, acompanhado de um filme realizado por mim, na Hemlock Recordings/ORO e depois estou a escrever um álbum cujo segredo ainda não posso revelar. É para uma editora de referência e será para final do ano, início do próximo. De resto só desejo alcançar um futuro com dinheiro, carros e mulheres.

 

 

Segue as produções de IVVVO no SoundCloud e Facebook.

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