A Phonograma, editora fundada no ano passado para reeditar em vinil discos emblemáticos — ou mais obscuros, mas ainda assim merecedores dessa atenção — da música portuguesa, voltou a carimbar uma fornada de discos. Psicopátria, dos GNR; A Um Deus Desconhecido, dos Sétima Legião; 1º de Agosto no RRV, dos Xutos & Pontapés; O Elevador da Glória, dos Rádio Macau; e The Life of He, dos Croix Sainte, são os títulos desta nova leva de edições.
“Estes cinco lançamentos, que agora foram resgatados ao passado, têm como ponto em comum terem sido todos editados originalmente na década de 80, e deixado marca em quem os escutou na época, e no trajecto de cada uma das bandas. São cinco discos que contam uma história tantas vezes repetida ao longo dos anos, mas que, entre nós, era vivenciada pela primeira vez”, contextualiza, em declarações ao Rimas e Batidas, o radialista Henrique Amaro, que fundou a Phonograma com Hugo Ferreira e Jorge Álvares.
As novas edições já estão disponíveis em exclusivo na FNAC, tanto nas lojas como no site da marca. A única excepção, por motivos logísticos, é a reedição de The Life of He, dos Croix Sainte, que poderá ser comprada (ou encomendada) a partir de 19 de Dezembro.
“Se os GNR ou os Rádio Macau já estavam inseridos numa editora firmada como a EMI-Valentim de Carvalho, os Xutos & Pontapés despediam-se do circuito alternativo com um disco ao vivo gravado no Rock Rendez Vous, a Sétima Legião estreava-se na emergente Fundação Atlântica, e os Croix Sainte criavam a sua editora, Alliance Records, para conseguir editar a sua música”, acrescenta Henrique Amaro.
“A ideia principal na criação da Phonograma baseia-se na necessidade de tornar públicos, no formato vinil, uma série de discos fundamentais na construção de uma música eléctrica produzida em Portugal. Ao longo dos anos, em alguns casos, essas obras foram sendo recuperadas em formato digital através de reedições em CD ou disponibilizadas no streaming, mas o vinil não conseguiu abranger o volume de obras que consideramos necessárias editar para todos os que não têm as versões originais — e outros, que só recentemente souberam da sua existência. Desde Abril de 2024, editámos 16 títulos de géneros e artistas diferentes, num arco temporal alargado, englobando discos que foram sucessos na época, e outros ditos obscuros e fracassados, a que o tempo e uma imensa minoria de interessados garantiu a sua importância na história da música gravada em Portugal”, diz ainda.