PEDRO: “Neste momento sinto que a cena nacional inspira-me mais do que aquilo que se passa lá fora”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

Um dos mais directos (e bem-sucedidos) herdeiros de Buraka Som Sistema está prestes a lançar o seu álbum de estreia. PEDRO, outrora conhecido como Kking Kong, largou a escada para o seu primeiro longa-duração com “Rapazes”, faixa que teve direito a estreia na reputadíssima FACT Magazine, sinal que a imprensa internacional quer cada vez mais estar no centro desta Lisboa multicultural.

Apontado para o club, o novo single de Pedro Maurício recupera uma pérola perdida da discografia dos BSS, “Vem Curtir”, acelerando-a para encaixar nos seus “trademark larger than life drum patterns“.

Se no ano passado deu um ar da sua graça com “Na Quebrada“, remistura de “Drenas” com participação de Rincon Sapiência, ou deixando créditos em projectos de Dino D’Santiago e Carlão, o cenário para 2019 também é bastante promissor: começou com contribuições em praticamente todas as faixas de Nosso (a única excepção é “Lucuma”) e, se tudo correr bem, terá um disco cá fora antes de 31 de Dezembro.

Fomos saber mais sobre “Rapazes” e o que aí vem:



“Rapazes” tem um sample de uma música de Buraka Som Sistema, banda que tem um papel preponderante na tua carreira. Quando (e como) é que decidiste transformar a “Vem Curtir” nesta “Rapazes”? E porquê a escolha desse tema em particular, que nem é o mais óbvio da discografia dos BSS?

Eu já tinha uma ideia de fazer algo com elementos de BSS há imenso tempo, mas fico feliz que tenha conseguido esperar tempo suficiente para fazer algo cool e que ao mesmo tempo não falte ao respeito em nada. É como se fosse um pequeno tributo e, nesse sentido, fico muito contente de ter conseguido fazer isto acontecer, com um tema que não é mega óbvio, logo não é garantido que seja algo que as pessoas gostem imediatamente e, mais importante, que os BSS tenham gostado e apoiem tanto o meu trabalho.

Tens sido um elemento fulcral nalgumas das aventuras mais recentes do Branko e tiveste os teus momentos a solo com faixas que rebentaram (e que até se transformaram em remisturas com grandes nomes do rap brasileiro). Se olhaste para dentro no primeiro single do disco, a ideia é partir para o mundo a seguir? Ou a cena nacional está-te a inspirar mais do que o que se está a fazer lá fora?

A ideia é sempre partir para todas os caminhos possíveis, tentar fazer o melhor que consiga em cada oportunidade que vai surgindo. Neste momento sinto que a cena nacional inspira-me mais do que aquilo que se passa lá fora porque o que tem sido lançado cá tem muita identidade e a forma como eu me estou a relacionar com todas essas coisas novas inspira-me imenso, seja no meu dia-a-dia normal ou na forma como tudo isto tem impacto na minha vida enquanto produtor e DJ. Acho mesmo que se está a viver uma óptima fase na música lusófona e fico genuinamente feliz de poder testemunhar isto e fazer parte deste período.

Um álbum de estreia, assuma-se ou não, é um passo mais sério na carreira de um músico, seja ele de que género for. Foi algo que sempre quiseste ou foi uma “iluminação” recente?

Era algo que já me tinha ocorrido há algum tempo e que, de uma forma mais séria ou não, já tinha verbalizado para o mundo e ia fazendo pequenos apontamentos nessa direcção. Mas fico contente de ter conseguido esperar até uma altura da minha vida onde sinto que consigo fazer algo com qualidade para justificar este passo em frente desde o meu último lançamento pela Enchufada. Na realidade, estou feliz de ter tomado este decisão.

Tendo tu trabalhado com nomes tão diferentes como Branko, Carlão, Dino D’Santiago, Isaura ou o Rincon Sapiência, o que é que podemos esperar dos créditos do teu disco? Muitas participações ou será uma aventura mais solitária? O que é que podes revelar?

Irei ter alguns convidados sim, uns na produção e outros convidados vocais. Preferia não revelar porque acho que é sempre mais divertido esperar até à última e ver mas fico feliz que quem eu convidei para entrar nisto comigo, o tenha feito e nesse sentido, quero muito que o resto do mundo oiça o resultado disso.