#PAYDAY: Este mês é Stray que paga a conta com “Verão”

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Todos os meses, os membros da Monster Jinx têm de pagar a renda no #PAYDAY. Desta vez, o Lorde Comandante Jinx foi cobrar directamente a Stray, membro fundador do colectivo que prova que em Maio não vai ser preciso dar troco.

Stray conta-nos mais, em exclusivo, sobre o tema: “Quando a ameaça do sol começa a pairar sobre nós, eu olho para trás e apercebo-me como gostava do Verão em criança e como isso se foi perdendo à medida que fui crescendo, até praticamente o odiar.”

 


 

O rapper já cá anda há algum tempo, e por isso mesmo escolhe escrever um anti-hino às férias em “Verão”. Das recordações de infância até à vida de adulto, da escola para o trabalho, estar à parte é condição crónica para Stray. A sonoridade do “Enchanted Forest” de Roger Plexico, com os seus samples em reverse, pintam com perícia esta crónica musical.

Leiam o testemunho completo dado por Stray ao Rimas e Batidas:

“O PAYDAY dá-nos a oportunidade de jogar uma carta fora do baralho. Eu raramente crio “músicas soltas”. Começo a trabalhar sempre com objectivo de criar um corpo, num conjunto de temas, num disco. Mas este desafio permitiu-me sair desse processo e criar uma ideia que funcionasse sozinha — e isso impulsionou-me directamente para o instrumental “Enchanted Forest” de Roger Plexico. Já tinha ouvido esse beat — como é normal entre nós na Monster Jinx — ainda na sua fase mais primitiva, muito antes de estar terminado, e apaixonei-me logo. Não era um beat “para rimar”, mas sim para funcionar por si mesmo dentro do disco que os Roger Plexico estavam a fazer e, por isso, não o tentei resgatar para mim. Mas quando esta oportunidade surgiu, falei com eles sobre a possibilidade de fazer uma tema a partir dele e eles concordaram, fornecendo-me uma nova estrutura e ajudando-me a torná-lo mais adequado à minha interpretação.

Não posso deixar de dizer que, para mim, o “Enchanted Forest” é um dos melhores instrumentais alguma vez produzidos em Portugal e para além dele — é esse o nível de admiração que tenho por esse beat. Para lhe fazer justiça, teria que me libertar das minhas camadas normais de abstracção. Sou muito criticado por não fazer músicas “reais” — músicas sobre mim, sem filtros, emotivas e despidas. Eu acredito que faço músicas “reais”. Ainda que talvez só reais para mim, codificadas por mim, para mim… e admito que isso dificulte a passagem para o ouvinte. A única outra música que fiz “completamente despedida” foi a “Caixa de Vidro” e, de facto, a recepção a essa faixa foi muito mais visceral e popular. Essa música foi, já nessa altura, uma reacção à mesma crítica — mas era para ser entendida como o momento final de um álbum e não como uma peça solta (o que não aconteceu).

A atmosfera pura, honesta, quase ancestral da “Enchanted Forest” disse-me que tinha que mostrar a alma sem máscaras — e foi o que fiz.

Escrevi a primeira parte da letra na cabeça — o que nunca faço — e levantei-me às 7h da manhã a um sábado para a registar. A segunda parte veio naturalmente, pouco depois. Quanto ao tema, em si… Quando a ameaça do sol começa a pairar sobre nós, eu olho para trás e apercebo-me como gostava do Verão em criança e como isso se foi perdendo à medida que fui crescendo, até praticamente o odiar. Se na infância as “férias grandes” eram um espaço onde me podia perder em mim e viver sem expectativas, a regresso à escola ou ao trabalho, à medida que fui crescendo, começou a tornar-se numa competição — um jogo para ver quem se diverte mais, quem viaja até mais longe, quem curte mais… e eu não suporto “diversões institucionalizadas”… coisas como a Passagem de Ano, o Carnaval, etc. Quando a diversão é obrigatória e as pessoas entram num modo de festejo zombie, faz-me perder a vontade de fazer seja o que for. Os melhores momentos da minha vida nunca foram planeados e muito menos responderam a um calendário. E o Verão, no seu todo, foi-se tornando numa obrigação dessas. Daí, surge a relação com o rap. Da mesma maneira que me sentia afastado disso, também me sentia afastando da comunidade do Hip-Hop, por ter uma reacção diferente às coisas. O meu crescimento está intimamente ligado a isso e não há forma de o negar — tenho 20 anos como ouvinte e 15 como praticante, o que parece surreal, mas é verdade.

Mas esse também é um componente que raramente exploro na minha música. Por isso, naturalmente, incluiu-se na música.

Para acabar numa nota positiva, devo dizer que me começo a apaziguar com o Verão. Embora não seja provável que me vão encontrar estendido na praia tão cedo… talvez me apanhem na rua e tudo.

Vitamina D, yeah.”

ReB Team

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