PAUS sobre Madeira: “Sentes o ácido nestas músicas”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTOS] Hélder White

Os PAUS lançaram hoje, 6 de Abril, o seu quarto registo de longa-duração. Hélio Morais, Makoto Yagyu, Fábio Jevelim e Quim Albergaria apostaram numa ideia conceptual para Madeira.

Pedro Azevedo, do festival ALESTE, convidou o grupo para uma residência artística na ilha que fica a sudoeste de Portugal continental. Aproveitando o momento de concepção do seu novo álbum, os PAUS baptizaram o novo rebento com o título Madeira. Um disco de temperamento tropical e carregado de acidez e psicadelismo, não fosse o quarteto assumidamente experimental, capaz de envolver qualquer registo sónico com que se cruza com uma forte camada de atitude rock que não esconde, no entanto, as suas derivas exploratórias por terrenos stoner ou kraut.

Interventivo e, ao mesmo tempo, exótico. É assim que melhor se classifica o quarto LP da banda lisboeta, que bebeu muita da sua inspiração da ilha situada no Oceano Atlântico. E isso não só é audível como também visível, já que Madeira tem dois rostos diferentes para se apresentar ao público. Além de um plano sónico e estritamente musical, Madeira é também um vídeo-disco — uma espécie de visita guiada por nove locais diferentes, um por cada faixa presente no alinhamento. Há ainda um documentário em torno de todo o processo de criação deste novo trabalho, feito em parceria com o realizador Ernesto Bacalhau, que no dia 22 de Abril vai para o ar através da RTP2.

O Rimas e Batidas foi até aos estúdios HAUS para falar com a banda sobre este novo disco, bem no centro do espaço onde se deu toda a criação musical, que mais tarde viria a “casar” com a Madeira.

 



De onde nasceu este conceito de se inspirarem na ilha da Madeira para o novo álbum? Foi todo gravado lá?

[Fábio Jevelim] Não foi gravado lá. Só gravámos os vídeos.

[Hélio Morais] O que aconteceu foi que nós já tínhamos algumas coisas. Já tínhamos gravado os instrumentais quando nos foi confirmada a residência na Madeira. Quando houve a confirmação de que faríamos esta residência, coincidentemente ou não, essa parte instrumental do disco remetia-nos para essa ideia, de coisas mais tropicais. Nós gravámos as vozes dois meses depois de ter os instrumentais. Aí já nos deixámos influenciar pela ideia que tínhamos sobre a Madeira — de experiências passadas, de conversas com amigos que vivem cá mas são da Madeira. Deixámos-nos influenciar pela Madeira mas não estivemos na Madeira quando compusemos o disco.

Sim, de facto o disco remete muito para essa onda mais tropical, meio selvagem. Como é que surgiu essa oportunidade de residir durante um mês na Madeira?

[H.M.] Nós tínhamos sido convidados para tocar no festival ALESTE em Maio de 2017. Só que seria um evento diferente, que o Pedro Azevedo estava a tentar fazer acontecer, em que, por uma razão ou outra, não foi possível de se realizar da forma que ele imaginava. Então ele lançou-nos o desafio. Em vez de irmos só tocar ao festival, fazíamos também uma residência em Setembro na Madeira. Na altura, como nós até planeávamos editar o disco ainda em 2017, a ideia inicial até era irmos à Madeira aprender a tocar as músicas. Porque nós, como as compomos quase como se fosse música electrónica, não as sabemos tocar. Nós gravamos pedaço a pedaço e nunca tocamos todos juntos. Então a ideia era seguir para a Madeira e estarmos por lá durante uma semana a aprender a tocar essas músicas, e o primeiro concerto da tour ser no Funchal. Entretanto mudámos de editora e acabámos por achar, juntamente com a editora, que seria melhor lançar o disco em 2018. Deixámos cair essa ideia inicial para a residência e tivemos esta ideia megalómana de fazer nove vídeos e ainda um documentário. Conseguimos “enganar” o Ernesto Bacalhau, da Garage, a fazer isto connosco, com o budget que havia disponível. E o pessoal do ALESTE moveu mundos e fundos e encontrou os parceiros necessários para conseguir fazer isto acontecer.

Todos esses vídeos foram feitos no espaço de uma semana?

[H.M.] Ya. Fomos num domingo e regressámos no outro domingo.

Dois desses vídeos já foram revelados. Os restantes vão sair ao mesmo tempo que sai o disco?

[Quim Albergaria] A ambição não foi só a de “olha, bora fazer o que a Beyoncé fez.” A de lançar um disco todo em vídeo. Foi pensar no objecto em si e tentar que tenha mais sentidos lá dentro. Nós temos três edições para o disco. Uma edição em CD, o vinil e ainda uma edição que traz o disco e o video-disco. O que vamos fazer no dia do lançamento é colocar o video-disco também disponível no YouTube. Só não vamos lançar já o documentário, que é uma espécie de making of que explica toda a nossa semana na Madeira. Isso vai para o ar através da RTP2, que acreditou naquilo e vai transmiti-lo no dia 22 de Abril. Já não sei se respondi a tudo o que perguntaste… [risos]

Sim. Pensei que fossem lançar por fases: primeiro o disco, depois o vinil, o video-disco, o documentário…

[Q.A.] Não. Isto é buffet [risos].

[H.M.] Até porque, cada vez mais, as pessoas ouvem a música das mais diversas formas. O YouTube é uma das plataformas nas quais as pessoas ouvem música. E se tu puderes ter por lá os vídeos para todas as músicas… Hoje já nem digo que é um luxo, é quase uma questão de conseguires estar presente em mais sítios.

E acabam por não “obrigar” o publico a comprar ambas as versões do álbum para ver os vídeos, visto que vão estar disponíveis no vosso canal no YouTube.

[Q.A.] Só o documentário é que não vai lá estar. Nem no formato físico nem por streaming. O disco e o video-disco sim.

Faz sentido, dado que tem uma estreia televisiva. Mas se calhar mais tarde…

[Q.A.] Sim.

 


paus


Vocês abrem o Madeira com um “Blusão de Ganza”. Que ideia é esta?

[F.J.] Isto é um projecto que andamos a desenvolver (risos). Tivemos a ideia no Lux. Já viste o que era teres um blusão insuflável que, quando vais para os festivais fumar ganzas, podes expirar o fumo lá para dentro? Depois quando se acaba a ganza tu podes ir lá buscá-la outra vez.

[Q.A.] Ou seja, é maximizares o teu investimento. Sejam coletes, calças… Podes fazer o branch out da forma que tu quiseres. É um mecanismo semelhante ao dos coletes salva-vidas. Tem aquele tubinho para tu encheres com o THC que te sobra da expiração e depois, quando te acaba a ganza, está salvo porque tens aquela reserva.

[F.J.] No fundo é um salva-vidas.

[Makoto Yagyu] E até podia sair de lá e entrar-te pelos poros ou assim… [risos]

Essa música está dividida em duas partes. De certa forma, marca para vocês duas fases distintas dentro do disco?

[M.Y.] No vinil vai marcar o lado A e o lado B. Foi mais por estética.

[F.J.] Nós primeiro fizemos a música inteira. Mais ou menos a meio ele acaba por quebrar e conseguimos fazer dali duas faixas. Quando estávamos a decidir o alinhamento vimos que fazia mais sentido ela ficar dividida em duas.

[H.M.] Aquilo fazia-me comichão, pá. A música até ficava bem no início do disco mas eu achava-a demasiado longa logo para o arranque. É um tema instrumental longo.

[Q.A.] Ficou fixe porque o disco já tem um mood todo ele muito parecido. Não há assim nada que salte ou que seja um objecto muito estranho. E ter essa faixa dividida em intro e reprise torna tudo muito mais coeso. No vinil fica ainda melhor. Porque tu paras, viras o disco e tens aquilo para começar o lado B.

E quando a compuseram ela era ainda maior ou a parte I e II são, literalmente, o tema original dividido em dois?

[Q.A.] Era só as duas juntas. Tanto que nós, ao vivo, vamos tocá-la como se fosse um tema apenas.

[M.Y.] Aquilo tem uma vibe fixe e ali no meio entra numa cena meio espacial. Ficava estranho ter a faixa completa logo na abertura do disco.

Apesar de vocês serem assumidamente experimentais, o Madeira é possivelmente um dos projectos mais alternativos que fizeram.

[M.Y.] Acho que o Clarão foi mais…

[F.J.] O Clarão foi mais matemático.

[H.M.] De certa forma, percebo o que estás a dizer.

 



O Madeira também tem muita experiência. Mas mais naquela onda do prog-rock. Algumas nuances até me remetem para o 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte. E depois com o twist tropical que vocês lhe dão…

[F.J.] Sentes o ácido nestas músicas. A construção toda dos disco, aqueles teclados… Dá-te um ar mais psicadélico e trippy da cena.

[M.Y.] Sim. Visto por aí, tem um lado experimental.

[H.M.] Eu acho que tens razão. E dito de uma forma um pouco diferente, eu até já ouvi opiniões semelhantes. Faz sentido. Mas a relação que cada pessoa tem com o disco varia, às vezes até mesmo dentro da banda. O que é uma cena fixe.

Num dos singles que pudemos escutar antecipadamente, o “L123”, tecem ali uma ode clara ao transporte público.

[F.J.] Sim, ya [risos]. Ao subúrbio.

É algo que faz parte do vosso dia-a-dia?

[F.J.] Nós somos todos da periferia. A certa altura, o L123 teve de fazer parte da nossa vida. É uma ode a isso. O L123 acaba por ser um passe importante para tu vires de fora para dentro.

[Q.A.] O que eu acho que a canção retrata é o facto de nós olharmos de fora para dentro. Com esse conhecimento, tu vens até ao centro e consegues ver para lá da ilha. Percebes uma data de coisas como o privilégio, discursos e relações de poder, como é que as manifestações de identidade e cultura funcionam numa cidade… Isso para nós foi super importante em termos formativos. Quando começámos a ter relações com a música não fomos só rock, rock, rock até aqui. Havia uma data de misturas. De algumas forma, a nossa música, vista de fora para dentro, tem essas influências todas. Hoje em dia até se confunde um bocadinho o que é ser de Lisboa ou ser-se de fora. A canção é sobre isso tudo. Não é só sobre os subúrbios de Lisboa, se calhar também é sobre Portugal ser um subúrbio da Europa e até de África. É um elogio. Uma fotografia honrosa dessa situação marginal que todos temos.

[F.J.] E qualquer coisa no teu dia a dia acaba por ser inspiradora. O cruzamento de culturas que que existem. Eu, por exemplo, sou da Amadora. A viagem de comboio era brutal e antigamente ainda se podia fumar nos transportes (risos). O cruzamento ainda era melhor. Ouvíamos montes de música. O pessoal da periferia é mais espalhafatoso e então tu acabas por absorver aquela cultura toda. Hoje já não ando muito de transportes públicos…

[Q.A.] Andas quando estás em tour.

[F.J.] Será que há um L123 da TAP? Lisboa, Madeira, Porto, Algarve… Acho que eles deviam apostar nisso (risos). Fica a sugestão.

 



Ao mesmo tempo que o disco sai para o mercado vocês apresentam-no logo nesse dia, no Hard Club. O que é que podem revelar sobre esse concerto?

[H.M.] Já temos alguns discos, por isso temos de os conseguir encaixar também um bocado nessa apresentação. Fizemos um set que vai a todos eles. O que temos para estes concertos é também resultado da nossa experiência na Madeira. Como lá estivemos a gravar os vídeos, aproveitámos para recolher material para poder ter nos espectáculos ao vivo. Temos um desenho de luz diferente, que vai implicar ver imagens dessa residência na Madeira.

[Q.A.] Essa pergunta faz sentido porque eu acho que tu, quando tens um novo disco, deves apresentá-lo apenas com temas que façam sentido para o acompanhar. Ou então tocas apenas o novo disco.

Isso vai levar-vos, possivelmente, a ir buscar até algumas músicas menos conhecidas da vossa discografia mas que agora fazem todo o sentido inseridas no âmbito do Madeira.

[H.M.] Sim. Nós acabámos por pegar em temas que já não tocávamos há imenso tempo.

Se calhar nem eram dos temas mais tocados desse projectos.

[Q.A.] Sim, eram músicas que deixaram de fazer sentido nos nossos concertos. Mas agora parece que ganharam uma nova vida ao se inserirem neste alinhamento. E isso é fixe.

[M.Y.] Até porque se tocássemos apenas o disco, tal e qual ele está montado, acabávamos por ter apenas trinta e poucos minutos de concerto (risos).

[F.J.] E eu acho que é fixe para o público nós tocarmos cenas anteriores. Eu quando ia ver uma banda que não tocava as malhas antigas ficava fodido. Tens de ter um bocado esse respeito pelas pessoas que te vão ver.

[M.Y.] Vamos tocar uma que não tocávamos há bué! Uma do PAUS. Já não tocávamos isso há uns 5 anos…

Vai ter uma abordagem diferente dessa que apresentaram pela última vez?

[H.M.] Há umas pequenas mudanças nos sons, porque agora toco com um pad que antes não utilizava. Um ou outro pormenor… Mas quem já não se lembre dela provavelmente nem a vai reconhecer.

 


paus


Na vossa agenda está também a passagem pelo NOS Alive, onde vão dividir o palco com o Holly Hood. Que contornos terá essa actuação?

[F.J.] Ainda não sabemos nada.

[H.M.] Aquilo vai ser um mix. Vai ser um concerto nosso, um concerto do Holly Hood e, pelo meio, há um momento em que nos cruzamos todos no palco. É esse momento que ainda não está definido.

[M.Y.] Não será um concerto conjunto. São concertos separados, com esse pequeno pormenor.

[F.J.] Basicamente nós vamos assaltar o Holly Hood (risos).

Vocês até se cruzaram com ele recentemente no Red Bull Music Culture Clash.

[Q.A.] Deixa-me refazer a tua frase: Nós ganhámos o Red Bull Music Culture Clash com o Holly Hood [risos].

Como correu para vocês essa experiência?

[M.Y.] Fui muito fixe. Deu buéda trabalho mas curti bué.

[Q.A.] E mesmo que não tivéssemos ganho, foi uma experiência muito fixe.

Falem-me de toda essa preparação. Vocês tiveram de se juntar com antecedência para ensaiar. Estamos a falar de semanas, meses de trabalho?

[M.Y.] Tivemos de montar os rounds. Tivemos de encomendar dubplates, reescrever letras. Tivemos mesmo de gravar cenas.

[H.M.] Começámos a trabalhar juntos para aí em Dezembro. Foi a primeira sessão que fizemos aqui. Depois continuámos. O Glue feito doido a pedir dubplates a toda a gente…

[M.Y.] Depois estivemos para aí uma semana de ensaios “a sério” antes do evento. Juntarmos-nos a tentar sacar a cena.

[F.J.] Acho que foi uma experiência fixe. O pessoal curtiu bué, nós demos-nos todos bem. Fomos lá basicamente comer uma ganda cachupa e acabámos a ganhar aquilo.

[M.Y.] Foi uma grande noite.

[H.M.] A cena é essa. Foi uma experiência muito fixe. Foi bué divertido estar lá. Fazer aquilo com o resto do pessoal, da crew e os outros, muito bom ambiente. O público curtiu muito.

Vocês são um grupo muito multicultural e acabaram por ir parar ao epicentro de um evento repleto de diferentes culturas.

[M.Y.] Tivemos lá o Janel dos Kussondulola connosco.

[H.M.] O “real deal!”

[F.J.] Quando nos fizeram essa proposta nós achámos logo que tínhamos de chamar pessoal com o qual nos identificamos. Nós ouvimos tanta coisa, que tentámos ir buscar uma salganhada de people e mostrar que a xungaria da periferia em palco.

[M.Y.] Sabes que isso também foi o que nos fez ganhar. Éramos a única banda mesmo. Com power, com peso. Tínhamos MCs, DJ…

[H.M.] Nós fomos convidados como crew leaders. Ficava fácil querermos fazer daquilo uma cena de PAUS ao vivo. E acabámos por ir numa de desviar os egos e montar ali um espectáculo fixe. Nós fomos convidados para montar um bom espectáculo, não para montar um espectáculo dos PAUS. A base da nossa crew foi um DJ com MCs e fomos nós que tivemos de nos adaptar àquilo.

[M.Y.] E não falámos do Silk, que é aquele performer mais soul.

[H.M.] Quisemos malta boa onda. O Silk foi logo dos primeiros porque ele é um espalha brasas do caraças. Um gajo de palco incrível. O Holly Hood e o Mike El Nite porque fazem aquele tipo de rap que nós ouvimos. O Mike faz cenas bué diferentes, bué experimentais. O Holly Hood faz aquele trap muita downer que nós também curtimos. Têm muito a ver com a nossa cena mesmo que sejam estilos diferentes. O Glue foi o gajo que colou aquilo tudo.

Numa das vezes que apanhei “O Disco Disse”, do Quim na Antena 3, lembro-me que houve um grande destaque em torno da estreia do Holly Hood. Se calhar muitas pessoas acharam estranho o convite da vossa parte mas percebe-se que é realmente uma cena que acompanham no universo de PAUS.

[H.M.] O disco do Holly Hood de 2016 foi o que mais rodou na nossa carrinha.

[Q.A.] Foi o disco que substituiu o do Halloween na nossa carrinha [risos].

 



Gostava de regressar novamente ao lado do vídeo-disco de Madeira. Não é um conceito novo mas também não temos muitos casos em Portugal a apostar nessa vertente. Como é que dividiram a parte criativa desse processo com o Ernesto Bacalhau?

[H.M.] Partiu muito dele. Ele tinha as letras, tinha os motivos das músicas e foi à procura de sítios que, de certa forma, conseguisse ilustrar a vibe ou a ideia que ele construiu das músicas. Nem sempre é a mesma que a nossa. Mas fez tudo bué sentido.

Houve algum input vosso?

[M.Y.] Há um que acabámos por mudar o sítio.

[Q.A.] O “970 Espadas” éramos para gravar no mercado do Funchal, no meio daquelas frutas todas. Nesse dia fomos gravar o vídeo da “A Mutante” buéda cedo e devemos ter bebido para aí dois litro de poncha no vídeo todo (risos). Entretanto o Hélio tinha aterrado, porque teve de ir ao Porto tocar com Linda Martini e regressou nessa madrugada. Depois fomos almoçar e foi uma churrascada brutal…

[M.Y.] Continuámos a beber e ficámos na piscina, com um tempo maravilhoso…

 



Deixaram-se ficar e gravaram na piscina?

[M.Y.] Não, foi num campo de ténis. Assim já meio decadente, meio podre.

[F.J.] Pegámos nas pessoas que eram para estar no mercado e trouxemo-las para ao pé de nós. Foi mais numa de conforto, até porque estávamos todos com uma ganda vibe lá… Ficou um vídeo muito fixe.

Ficaram com algum desses vídeos mais vincados na memória? Alguma experiência mais fora do comum?

[M.Y.] Curto bué do “Madeira”. Gosto muito do “Olhar de Rojo” também.

[H.M.] Ya. Gosto muito da montagem feita para o “A Mutante” também. Sei lá, foram tantos.

[M.Y.] E o conceito foi mais ou menos o mesmo. Se calhar o “Olhar de Rojo” é o que muda um pouco, porque tem imagens mais ácidas, mais psicadélicas, e com imagens nossas do concerto que demos na Madeira. O resto é tudo, basicamente, nós a tocar as músicas.

[F.J.] É por isso que acaba por ser um vídeo-disco e não nove telediscos. Há ali um registo muito parecido. Se ouves música tens de conseguir ligar as coisas de forma a que te faça sentido. Os vídeos também se traduzem assim. É difícil escolher uma música favorita do disco. Por isso, é igualmente difícil estar a nomear um vídeo favorito. Faz tudo sentido num todo.

Mas houve certamente alguma aventura aí pelo meio.

[F.J.] Epá, o “L123”… Foi ali uma relação de amor/ódio.

[H.M.] Aquilo é na ponta de São Lourenço, que é um deserto, literalmente. Nós andámos com um gerador atrás e tudo. Aquilo é playback mas nós tocámos tudo. Tínhamos de ter tudo ligado.

[F.J.] Tivemos de carregar aquilo por montanhas.

[H.M.] Um sol do caraças, depois chovia… Custou mas foi fixe. Ao ponto do pessoal do ALESTE ter contratado dois ou três gajos para nos virem ajudar. Ou seja, nós os quatro mais o pessoal do ALESTE, que era bué gente ainda.

[F.J.] Foi uma granda tareia [risos].

Descobriram sítios novos?

[M.Y.] Eu, todos. Só conhecia a pousada da Ponta do Sol e uma praia e um restaurante lá perto. Aquilo é lindo.

[H.M.] Eu já tinha visto quase tudo porque tive lá antes a ver aquilo. Aquele pessoal é inacreditável. Pegaram em mim e levaram-me para todos os sítios que eles curtem da ilha. O Quim foi lá depois e também deu para conhecer bastante. O resto da banda só conheceu na altura da residência.

Agora para a próxima podem pensar nos Açores…

[Q.A.] Eu curtia que fosse nas Berlengas [risos].

[F.J.] Até pode ser Troia [risos]. Tem lá o casino.

[Q.A.] E na ilha da Armona? É um bom nome para um disco: Armona.

[F.J.] Temos de ver se conseguimos enganar mais pessoal [risos].

 


 

PAUS

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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