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Texto: Paulo Pena
Ilustração: Filipe Feio

Já sabem qual é a dica: falem bonito.

Papillon: “O objectivo é fazer as coisas com verdade e não ter vergonha daquilo que realmente somos”

Texto: Paulo Pena
Ilustração: Filipe Feio

Depois da metamorfose em Deepak Looper, o melhor álbum nacional de 2018 para a equipa do Rimas e Batidas, Papillon tem vindo a abrir asas à liberdade criativa. Já não se prende em casulos, e exibe agora novas cores no seu corpo artístico. E o seu novo tema é exemplo perfeito dessa transformação em pleno desenvolvimento. 

“00 Fala Bonito”, com Lhast na produção e Charlie Beats na co-produção, é o mais recente voo desta borboleta, e chega-nos como brisa de Verão, capaz de aquecer os longos e frios meses que se aproximam. Boa disposição em forma de canção, mas a mensagem não fica, no entanto, em segundo plano, uma vez que o artista da Sente Isto sente, de facto, aquilo que diz na sua música. Papillon fala bonito, e a semana termina no melhor dos tons. Guardem esta, que vai servir para inúmeros dias, semanas, meses ou estações. 



Para começar, como tem sido o feedback da “00 Fala Bonito” até agora? 

Tem sido um feedback fixe, parece que o som está a ser muito bem recebido. Entretanto, criei também uma comunidade mais próxima, e foram os primeiros a ouvir o som e a partilhar logo o feedback.  

… um Patreon? 

Não, é uma cena um bocado mais restrita. Tem a ver com o número de telemóvel, por isso é uma linha mais próxima. 

Em relação a este novo single, e partindo da descrição feita por ti num comentário no YouTube, sentes que este é mais um passo de quem está agora confortável em explorar novos caminhos? 

Sim, sinto-me mais confortável para explorar novos caminhos. Este momento, depois do álbum, serve para isso mesmo, para experimentar coisas, perceber novas direcções. Acima de tudo, tentar manter o entusiasmo por fazer música e coisas criativas, e sinto que estou, aos poucos, a dominar esse estado de espírito de não ter medo do desconhecido. 

Nesse sentido, os teus últimos temas têm-te levado para registos cada vez mais melódicos. Já te sentes tão à vontade a cantar como a “rappar”? 

Sinto-me mais confortável a cantar, sim. Ainda não está ao nível do rap, acho que ainda faltam uns degraus e treino. Sabes que cantar exige, se calhar, alguns fundamentos que eu não tive oportunidade de aprender muito cedo, mas que com a intuição vais experimentando. É continuar a aprender e melhorar a skill de cantar. Só que, por defeito, eu já faço rap há mais anos do que canto, por isso ainda não está em pé de igualdade. E eu acho que a parte melódica acaba sempre por dar uma alegria nos sons, seja no rap, seja em qualquer coisa; quando metes um refrão, ou só mesmo um verso com melodia, parece que estás a meter um bocadinho de cor na pintura. 

Como dizes na descrição do “00 Fala Bonito”, porque é que tinhas essa ideia inicialmente de “guilty pleasure” sobre esta faixa? 

É estranho… Eu não me imaginaria a fazer algo deste género, à partida. Mas eu gostei de ouvir; é um facto. Então, parti do mesmo pressuposto de quando comecei a fazer o meu primeiro álbum com o Slow J. Nós começámos a fazer o Deepak Looper com o pensamento de o que é que eu ouvia, e foi a partir daí. Porque, muitas das vezes, no processo criativo estamos a fazer coisas que achamos que os outros vão gostar que façamos. E fugimos daquilo que ouvimos, quando estamos contentes, tristes, em festa. Criamos a nossa própria linguagem, mas vamos fugindo. E eu comecei exactamente por essa questão de o que é que eu gostaria de ouvir para me sentir bem disposto. Daí vem a ideia do guilty pleasure, porque há muitos sons que eu considerava que o fossem, mas tive essa conversa comigo próprio para desconstruir essa ideia. Existe muito isso na música. Eu sou da geração MP3, da geração das playlists, e sempre ouvi música de vários géneros, por isso acabo por ser resultado desses géneros todos que fui ouvindo. E o processo, para mim, tem sido abrir um bocado o livro e mostrar mais de mim, mostrar que também gosto e faço este tipo de música. A verdade é só uma: tu ouves e gostas, mais vale admitir. Acho que o objectivo é fazer as coisas com verdade e não ter vergonha daquilo que realmente somos. 

Esta é uma canção que sabe a Verão. Já a tinhas gravado há algum tempo e decidiste lançá-la só agora, ou é um tema recente? 

Os meus sons demoram algum tempo a ser feitos. Portanto, este deve ter demorado umas duas estações [risos]. Aliás, o som ficou terminado em Julho, mas começou a ser feito no Inverno, ou seja, as primeiras bases, ouvir o beat com o Lhast pela primeira vez, começar a definir a letra, as guitarras, etc. Não foi um processo demorado, foi nos timings certos. Não estava com pressa de o lançar. Começou a ser feito no Inverno, passou a Primavera e acabou no Verão, portanto, foram três estações.  

E porque é que decidiste esperar estes meses até o lançares? 

Porque tenho uma ordem de lançamentos, e já tinha idealizado, na minha cabeça, a ordem desses lançamentos. Calhou ser agora, porque sinto que dentro da ordem que tenho lançado ultimamente, sinto que está no momento certo, e também porque não estou a fazer sons para as estações. Quero acreditar que o tema é tão bom agora, em Outubro, como em Agosto do próximo ano, ou em 2025. O objectivo é que gostes dele em qualquer estação, mas, sim, tem temperatura de Verão, não vou negar. 

A capa do single intrigou-me. Deste liberdade total ao Filipe Feio para usar a imaginação, ou os elementos da ilustração fazem parte da tua visão sobre o tema? 

Liberdade total eu nunca dou [risos]. A imagem representa aquilo que eu quero transmitir, e existe liberdade total numa certa fase do processo. Mesmo a música gira muito à volta das guidelines que vou dando, apesar de não ser a pessoa que executa a produção. E com o Fiti foi igual; esta capa até passou por várias fases, não foi à primeira. O que eu quero sempre é que não seja só do meu agrado, mas também de quem faz. E o Fiti é um excelente artista, além de fotógrafo, e tenho muita consideração pela opinião dele, para que ele também fique contente com o trabalho que está a fazer comigo. 

Já há previsões para quando podemos ver este e outros temas ao vivo? 

Vou estar no Rádio SBSR.FM Em Sintonia. Vai ser uma cena fixe e dentro das medidas que agora temos de respeitar. E quando houver possibilidade de termos concertos à moda antiga, ou pelo menos com um bocado de mais proximidade, terei todo o prazer em voltar. É esperar que tudo corra bem, para haver condições para poder dar concerto


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