Orelha Negra e Russa, entre outros, no FNAC Live 2019

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTO] Rui Vieira

Está na altura do FNAC Live se despedir do Capitólio. De regresso a Lisboa para a sua sétima edição, o festival anuncia a sua deslocação para o Pavilhão Carlos Lopes. A arena do Parque Eduardo VII receberá a 14 de Setembro uma catadupa de talento nacional que inclui Orelha Negra, They Must Be Crazy e Russa — e a entrada é livre.

A organização comunica que, à la carte, se doseiam igualmente nomes “consagrados pelo público” e colegas “emergentes” do panorama português. Na longa ressaca de um retorno em jeito de fénix com o aclamado disco III, os Orelha Negra são um claro exemplo do lado de lá dessa divisória. Dos scratches de DJ Cruzfader às cordas dedilhadas por Francisco Rebelo, da bateria de Fred e da MPC de Sam The Kid aos teclados de João Gomes, o grupo não é uma enciclopédia do hip hop com índice de fácil acesso. Os autores de “Skylab”, “M.I.R.I.A.M” e “Solteiro” fazem uma cartografia promíscua de sons: toadas e pulsões despidas de cronologia e origem, incertas entre o analógico e o digital, assertivas no groove universal.

“Sopros pesados e orquestra rítmica de afrobeat”, prometem os ascendentes They Must Be Crazy, mais de dez músicos portugueses e angolanos que encontram em Fela Kuti um guia espiritual. Mesmo em estúdio a preparar o sucessor do álbum Mother Nature, aterrado em 2017, não hibernaram e têm continuado a fazer desfilar sobre palcos vários a sua polirritmia urgente.



Dada a sua vitória na área musical do prémio Novos Talentos FNAC 2019, a aparição de Russa neste cartaz poderá não ser uma surpresa. Filipa Florêncio é uma rapper recém-chegada ao cenário nacional, que se apresentou oficialmente com Catarse, longa-duração com produção de Holly ou Sickonce. Em 2019, já nos brindou com a mixtape L.S.D. e o EP Party Leftovers, antes de ser eleita a Artista Revelação pelo Prémio MIMO de Música.

O sueco Daniel Sallberg e o português Luís Fernandes criaram o projecto de Yagmar para celebrar as virtudes do indie rock, da electrónica e do kuduro; hoje, colhem os frutos do improviso, já sob a forma de banda (ao lado de Gastão Baumont na guitarra) e com os EPs Dez Fruta e Amargo — este último conta com a participação de Pedro Mafama no tema “Profano”.

E há ainda mais vida no FNAC Live: o indie pop sintético dos famigerados Best Youth, que em 2018 lançaram Cherry Domino; a ascendente cantautora Joana Espadinha com O Material Tem Sempre Razão na bagagem, os barcelenses Glockenwise e o seu Plástico discográfico, os Tape Junk, Churky e ainda os Cassete Pirata.


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