O “maior sunset de sempre” precisava de uma banda sonora mais diversificada. E já começou a trabalhar nisso

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Diogo Pereira // Mai Magazine

Sheck Wes, Drake, Kendrick Lamar, DaBaby, Eminem, Jay Rock, Post Malone, Fetty Wap, 50 Cent, Lil Nas X, Blocboy JB, Kanye West, Lil Pump e a lista poderia continuar por aí fora. As músicas (mesmo que em versões de gosto duvidoso) destes nomes (que não actuaram na Figueira da Foz) foram disparadas através do sistema de som pelos diferentes DJs que tocaram na edição deste ano do RFM Somnii, um festival que, se falarmos apenas em números, aparece na mesma linha do MEO Sudoeste e NOS Alive, por exemplo, dois eventos “major” — a organização revelou que 130 mil pessoas passaram pelo recinto no fim-de-semana passado.

Se a lista do primeiro parágrafo são só nomes ligados ao hip hop, engane-se (e aqui falamos directamente para aqueles que nunca ouviram falar do Somnii) quem ache que isto é um festival dedicado ao maravilhoso mundo das rimas e batidas; pelo contrário, a genética está mais virada para a EDM (esse nome feio…), e a única excepção foi Tyga, americano que serviu de cobaia — foi a primeira vez que se viu e ouviu um rapper no palco principal.

Este ano, a mudança foi assumida e a criação de um palco secundário (com curadorias de Rui Miguel Abreu, Laydown e Swag On) foi parte dessa aposta. Durante os três dias, nomes como Dealema, Valas, Piruka, Phoenix RDC, Spliff, Sippinpurpp, DOMI, Waze e DJ Cruzfader, entre outros, actuaram perante plateias que vibraram (nalguns casos mais, noutros menos) e pintaram um quadro bastante diversificado do que é o hip hop nacional em 2019 — artistas oriundos das mais diversas zonas do país mostraram que o centro não tem domínio total do monopólio.

Piruka, Dealema, Phoenix RDC e Sippinpurpp foram os mais bem recebidos nos seus respectivos dias, chegando a ombrear (em termos de público) com o que se passava no Palco RFM, o que deve ter feito alguma confusão a todos aqueles que pensavam que o espectro musical do festival estava completamente fechado. Neste momento, o Somnii parece ter entrado numa perigosa encruzilhada e existem, pelo menos “visto” daqui, quatro opções para os anos que se seguem: a) volta ao formato inicial e esquece o hip hop; b) junta EDM e hip hop e espera que o público não se importe com a mistura; c) vira-se totalmente para o hip hop e aposta em nomes em que outros festivais ainda temem arriscar; d) cria um evento paralelo ao Somnii em que se dedica exclusivamente ao hip hop.

Com uma localização mais que acertada para um festival de Verão e um ambiente de festa saudável, o RFM Somnii pode não apresentar o cartaz mais fascinante e ambicioso do panorama português, mas as pequenas alterações que vimos na edição deste ano dão esperança no “maior sunset de sempre” com uma banda sonora diferente e mais heterogénea.