O cartão de visita de M.A.F. com direito a mix exclusiva no ReB


[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

M.A.F. (Majestic As Fuck) é, para já, um produtor desconhecido, mas o cenário pode estar prestes a mudar: o EP de estreia está a caminho e promete colocar o seu nome no mapa da produção nacional.

A frequentar o curso de hip hop na Restart, Pedro Correia olha para o movimento como um espaço criativo onde tudo é permitido, assinando música sem regras rígidas a partir de referências como a Monster Jinx ou MF Doom. Na mix que apresenta em exclusivo no ReB, as escolhas demonstram que presta atenção especial à música do presente, misturando Skepta, Stormzy, Playboi Carti, Future, Vince Staples ou Run The Jewels para criar um quadro referencial com os artistas mais quentes do momento.

 


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Para começar, quem é o Pedro Correia e como é que chegou aqui? 

Comecei o meu percurso musical desde muito cedo: o meu pai sempre me influenciou desde criança com discos do Zeca Afonso e outros da canção de intervenção. A cultura hip hop foi, provavelmente, a primeira maneira que encontrei para me exprimir. Nasci em Bragança, um meio pequeno. O skate fazia parte da minha rotina, assim como os graffitis e as mixtapes gravadas em CDs piratas e passadas de mão em mão. O Jackpot 2000 do DJ Bomberjack era como a minha bíblia sonora. Essa foi a minha janela para a cena portuguesa.

Quando é que começas a aprofundar o teu relacionamento com o teu lado musical? 

Com a minha ida para Coimbra para estudar na universidade, eu comecei a levar a música mais a sério. Sempre tive a necessidade de fazer coisas um bocado à parte do establishment e, como o movimento rock sempre foi muito forte nessa cidade, vi a oportunidade de romper com as rotinas padrão associadas aos estudantes.

A partir daí, quais foram os projectos de que fizeste parte? 

Comecei por tocar guitarra numa banda de punk rock formada por amigos chamada The Amazing Flying Pony. Sempre fui fortemente influenciado por bandas como os The Parkinsons, que posteriormente viriam a ser meus amigos, ou, a nível internacional, os At The Drive In. A energia e postura em palco eram as ferramentas de linguagem que eu necessitava para me exprimir. Como as bandas da altura também passaram a tocar com synths, fiquei com curiosidade de experimentar um novo instrumento. Comprei um Micro Korg e rapidamente me apaixonei pela maquinaria. Do Micro Korg aos samples, foi um instante.

Criei outras bandas como A Velha Mecânica. Tive a oportunidade de gravar um álbum em que finalmente consegui encaixar o hip hop no universo do pós-rock pela voz do Fuse dos Dealema. Actualmente, toco synths, teclados e samples na banda Quinta-Feira 12. Curiosamente, o álbum Fiasco, lançado em 2016 pela Rastilho Records, conta também com a participação do Fuse.

És um dos alunos do curso de hip hop da Restart. Porque é que decidiste entrar e como é que está a correr até agora?

Com o passar do tempo, vi-me sempre a regressar ao hip hop como fonte de criação, sentindo sempre que é o sítio onde és mais auto suficiente para fazer música, para te exprimir. Não dependes de ninguém. Consigo ficar horas de volta das máquinas ou a ouvir discos. O simples facto de falar da história da cultura com alguém é algo que me faz feliz. Vi no curso da Restart uma maneira de me rodear de pessoas criativas que estejam no mesmo sítio com um único propósito. Precisava de uma nova injecção de inspiração nesta fase, estava muito descontente com a música e com as “cenas” a que ela está associada.

Quanto ao que se tem passado até agora, posso dizer que superou as minha expectativas. Senti-me e sinto-me compreendido. As pessoas que conheci são fantásticas. Fui apresentado a nomes de peso no panorama nacional e é uma experiência de vida. A quantidade de conhecimento e técnica que é partilhada pode ser avassaladora no início mas habituas-te rapidamente ao ritmo. Sinto a necessidade de ser uma pessoa melhor todos os dias. A nível musical e pessoal.

Pelo que pudemos ouvir no teu SoundCloud, és um produtor bastante ecléctico que consegue tocar em vários géneros. Quais é que são as tuas influências musicais? 

Gosto da ideia de desconstruir conceitos. Faço a música que sinto que tem de sair no momento. Tenho muita coisa cá dentro. Adoro o MF DOOM, referência poderosa, figura mítica e imponente. Na cena portuguesa, admiro muita gente, existe muito trabalho árduo e de muito bom gosto. Vou referir apenas um colectivo que me inspira todos os dias: Monster Jinx. Trazem a tal desconstrução e criatividade de que falo.

Estás a preparar o teu EP de estreia. O que é que podemos esperar desse registo em termos de sonoridade?

Enquanto lanço beats regularmente para a minha beat tape, que será encerrada no final do mês, estou a finalizar o EP, que conta com nomes do panorama nacional e alguns nomes internacionais. Em termos de sonoridade, será algo bem ecléctico, quase esquizofrénico. Pode ir do boom bap ao trap e acabar com electrónica experimental. Quero que reflicta este desbloqueio criativo que certas pessoas me proporcionaram (algumas delas serão participações). Sentia esta necessidade de deitar tudo cá para fora.

 


[TRACKLIST]

1. Playboi Carti – Faster
2. NO FUTURE – Subúrbio
3. Run The Jewels – Legend Has It
4. Future – Draco
5. Young Thug – Safe
6. Davinche, Bugsey & Young T, Fee Gonzales – Money
7. STORMZY – BIG FOR YOUR BOOTS
8. DarkSunn – See U Smilin
9. M.A.F. – Thug Love
10. Sunson – Got To Be With Someone
11. NERVE – DESERTO
12. Somebody – Holymoley! Flip
13. Oddisee- Like Really
14. Roc Marciano – Move Dope
15. Kirk Knight – SETUP Feat. A$AP Ferg
16. Skepta – No Security
17. Vince Staples – BagBak
18. Rick Ross – Lesson Learned ft. Lil Wayne (Dj Forgotten remix)
19. Ordnry Yngstr – LA GIRLS
20. Holly – i’m no better (ft. apollodor)
21. Purporangjuice – Lotus
22. Azide x J Swey – Kami
23. Sango – Respeita (ft. DKVPZ)
24. Ace Hood – Give Thanks
25. The Underachievers – Cobra Clutch
26. Twondon – Supreme (feat. JAG)
27. Flume – Enough feat. Pusha T
28. Thundercat – Walk On By (feat. Kendrick Lamar)