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Noite C.R.E.A.M. @ Lux: mais crack, por favor

 

[TEXTO] Manuel Rodrigues [FOTO] Ricardo Malveiro

 

Chegámos ao Lux em cima da hora do espetáculo de MGDRV, o défice no escoamento de pessoas na zona de Oeiras, derivado às enchentes provocadas pelo festival que lá se realizou estes dias, fez com que a nossa missão se atrasasse ligeiramente. O que, por um lado, até teve a sua piada, pois, ao entrar, na discoteca ribeirinha, conseguimos testemunhar dois ambientes completamente diferentes: no piso de cima, reina a calmaria, acompanhada pelas músicas típicas de um início de noite de quinta-feira, e algumas dezenas de pessoas repartidas entre a pista de dança e as poltronas do costume; no piso de baixo, a caso muda completamente de figura, com os MGDRV a incendiarem por completo o espaço com uma energia contagiante e talento a condizer.

Por detrás da bancada de DJ, Apache, vai garantindo as trocas de música, assumindo um papel activo nesta missão: ao mesmo tempo que faz as seleções, vai disparando samples através de um pad e vai acompanhado as músicas numa espécie de guitarra digital luminosa, capaz de concorrer diretamente com a coleção de tunings de Matt Bellamy, dos Muse. Na boca de palco, Skillaz e Yo Cliché vão tratando de debitar rimas ao microfone, que por sinal, e caso raro nestas andanças, nos chegam aos ouvidos de forma clara e definida, embebidas nos instrumentais secos e possantes que parecem saltar altifalantes fora para nos dar murros no estômago. A justificação para tal eficiência não tem segredo: Funktion-One.

Do repertório dos MGDRV foi possível ouvir temas como “Abana a Cabeça”, “Sheik”, “Big Bang” (uma colaboração com Ride), “Salta Só” e “Tu Não Tens”, uma abordagem muito interessante ao tema “Taras e Manias”, de Marco Paulo”. Não obstante o facto da casa ainda não estar composta à hora da actuação do colectivo, o público presente não se deixou intimidar e acompanhou de forma efusiva os temas interpretados – especial destaque para as primeiras filas de pessoas, que não deixaram um verso por cantar.

Segue-se uma seleção de disco a cargo de Mumdance, com casa já bem composta e o ambiente de festa instalado – algumas pessoas descem do piso superior, como forma de matar a curiosidade, e acabam por ficar rendidos à seleção que viajou entre o hip hop, grime electro e dubstep. Apesar da adesão (todos dançam ao ritmo das músicas escolhidas por Jack Adams – nome de batismo), o artista passou grande parte do seu set distanciado do público, pouco participativo, sem esboçar grandes reações e sem dirigir uma palavra que seja à plateia. “Hall of Mirros” (Mumdance & Logos), “1 Sec” (Mumdance e Novelist) e “Take Time” (Mumdance e Novelist) são algumas músicas que integram o alinhamento. A noite é rematada pela mão de Glue, que, num registo que colou com o set do artista britânico, trouxe temas como “Shutdown” (Skepta, o homem que já tem passagem marcada para Portugal), “Southside Anthem” (Big Dope P), “Silo Pass” (Bok Bok) e “Get Back” (Sh?m). Chega assim ao fim esta noite C.R.E.A.M. (acrónimo para Crack Rules Everything Around Me). Venham mais.

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