pub

Texto: Vera Brito
Fotografia: Vera Marmelo

Sem condicionamentos. Existindo apenas.

Noiserv: “O bom de questionar é perceber que nunca vamos chegar verdadeiramente a uma grande conclusão”

Texto: Vera Brito
Fotografia: Vera Marmelo

Uma Palavra Começada Por N é o título do novo disco de Noiserv, e talvez sejam mesmo as palavras que mais nos prendem a este seu trabalho. Palavras que fomos conhecendo através de um ritual paciente, em que a cada mês aguardávamos por uma música nova, capítulo de uma história que agora termina e que muitas vezes nos pareceu ser a nossa, pois os seus dilemas são transversais a todos aqueles que se questionam. Um trabalho minucioso, construído a partir de uma paleta feita das mais diferentes texturas sonoras, no qual David Santos não deixou nada ao acaso, e que se tornou na companhia perfeita para estes dias outonais que agora se iniciam. 

Nesta entrevista com o ReB, Noiserv desvendou-nos um pouco mais sobre todo o processo e trabalho envolvidos neste disco, que vai ser agora apresentado em vários concertos por todo o país, e que, segundo nos conta, pode ler-se assim: “Eram 27 Metros de Salto Mas Parou, Meio Picotado Neste Andar, Neutro, Sem Tempo, Por arrasto, Sempre rente ao chão.”



Comecemos pelo motivo desta entrevista, o teu novo disco: Uma Palavra Começada Por N podia ser Noiserv. Queres desvendar-nos um pouco mais sobre o significado deste título?

Acho que o significado aqui é muito simples, ou seja, tanto pode ser Noiserv, que se calhar é o nome mais fácil de chegar, mas também pode não ser, e o facto de poder não ser dá ao título uma abrangência muito maior. Isso foi uma das minhas questões quando pensei [no título], e em inglês nunca tinha sentido muito isso, mas quando foi a questão de um disco em português, de repente, qualquer palavra ou frase que eu escolhesse parecia-me pouco para aquilo que o disco poderia eventualmente ser. Depois de andar muito às voltas com títulos, percebi que havia uma fatia de opções possíveis que apenas explicavam uma coisa, mas que não eram tão concretos assim, e que se calhar esse era o caminho certo, porque não é uma palavra só que define todas estas músicas. Quando me lembrei deste título foi com a ideia de poder ser quase um disco homónimo, não o sendo na mesma — portanto tanto pode ser Noiserv, como pode ser nada, como pode ser outra palavra qualquer, e achei que as músicas ficavam todas muito mais bem servidas com um título assim, precisamente por isso, por poder ser o mais óbvio, e o sítio onde eu também cheguei logo ao princípio, mas depois por tudo aquilo que pode ser, sem ser apenas Noiserv.

Este teu disco sai agora esta sexta-feira mas na verdade já foi quase todo revelado em vários videoclipes que tens lançado ao longo deste ano. Vídeos que se completam como capítulos de uma história que agora termina. Era importante para ti apresentá-lo desta maneira?

Não sei… eu tenho sentido ao longo dos últimos tempos que parece que não há assim tanto tempo para ouvir um disco na íntegra. E pior que isso, existe quase como que a ditadura dos singles, ou seja, uma pessoa perde tempo, pode ser muito ou pouco — eu demoro muito tempo a fazer um disco com 10 ou 12 músicas — e depois numa questão mais mediática, o disco parece que são apenas aquelas duas ou três músicas para as quais se fez um vídeo, nas quais as rádios pegaram ou que as pessoas tiveram um acesso mais privilegiado, porque não estão apenas numa lista de Spotify ou no disco físico. E isso é uma coisa que venho sentindo ao longo dos últimos lançamentos que fiz e já tinha pensado que gostava de um dia ter um disco em que conseguisse ter esta unidade entre os vídeos todos e achei que, neste caso, tendo em conta que o acabei muito tempo antes daquele em que queria depois lançar, percebi que se calhar era o disco em que isso fazia sentido. Também havia a hipótese de poder lançar uma música por dia até o disco sair no final da semana, mas isso parecia que era tudo muito a correr. E aqui, de repente, cada música tinha na verdade um mês em que da minha parte não havia… qual é que é a palavra? Chatear? Não é chatear, mas em que eu não ia dar às pessoas mais nada do que aquela música só. Aquela música tinha aquele mês para conseguir respirar e para dar tempo para que as pessoas a ouvissem, e no mês a seguir haveria outra. Então, acho que até para as pessoas que me seguiam, comecei a perceber o engraçado dessa dinâmica, da antecipação de estar a chegar à última sexta do mês em que ia sair uma música nova. E de repente parece que o disco já está a sair há muito tempo e vai agora terminar, ao contrário dos outros em que se vai fazendo uma preparação até ao dia do lançamento. Acho que assim todas as músicas tiveram um bocadinho mais de tempo do que se tivessem saído apenas com o lançamento e a ideia foi precisamente essa: dar mais tempo a cada momento do disco. 

Fala-nos, então, um pouco mais sobre estes vídeos – embora não sejam produções muito elaboradas, são conceptualmente bastante intensos, em alguns deles sente-se até uma certa luta interior, como na “Eram 27 Metros de Salto” ou na “Neutro” — com alguns momentos que causam até um certo nervoso para quem está a ver, digo eu. E todos eles parecem estar interligados. Qual era a tua a intenção?

O vídeo final, que vai sair agora no dia 25 [de Setembro] com o disco, demonstra um bocadinho melhor a ligação entre todos os vídeos e acho que um disco é precisamente isso, pelo menos no meu caso, é um conjunto de músicas que descrevem um mesmo universo ou talvez a cabeça de uma pessoa num período de tempo. As minhas músicas (tirando se calhar uma em cada disco que tem sempre um tema mais paralelo) abordam praticamente sempre os meus dilemas, as minhas dúvidas e não-dúvidas, o que é que nós fazemos aqui ou não fazemos, portanto as personagens desses vídeos são as personagens de cada uma das músicas, e se as músicas retratam isso, então as personagens tinham também de ter esse retrato. E como te estava a dizer neste vídeo que vai sair na sexta percebe-se que há um todo naquilo que eu acredito que é também o todo do disco.

A ideia de cada vídeo foi basicamente essa, a de não criar momentos separados, mas momentos que tivessem um princípio, meio e fim, e que no final todos eles se unissem nessa mesma estética. Percebe-se que [os vídeos] estão todos no mesmo lugar, e se calhar as músicas também são isso, são o mesmo lugar dentro de mim próprio, durante os dois anos em que fiz o disco. Portanto queria fazer esse paralelismo entre as músicas e que aquilo fosse um bocadinho mais sobre o que era o disco e o seu processo. As próprias músicas todas juntas fazem quase que uma sinopse de uma história, e este vídeo mostra isso, aquilo é tudo um caminho dentro de algo da mesma pessoa. Se calhar as pessoas podem até não se aperceber, mas eu estou a explicar um pouco mais do processo todo nos vídeos, embora isso possa ser muito metafórico, porque as pessoas que estão ali não fizeram parte do disco, mas estão a representar momentos específicos da parte da criação das coisas.



Uma das coisas que achei curiosas foi perceber que ao ler todas as faixas por ordem elas completavam uma frase e realmente fiquei com essa dúvida, se isso seria propositado…

Isso foi das coisas que talvez mais tempo me demorou a fazer. É a tal sinopse que te estava a dizer, os títulos todos juntos, ou na verdade as músicas todas juntas, criam um estado de espírito e esse estado de espírito é aquele em que eu fiz o disco, que depois se revela nos próprios vídeos e em tudo o que ele irá envolver, espero eu.

Gostei especialmente da “Neste Andar”, curiosamente é aquela que tem o videoclipe mais fora da estética dos outros, dentro de uma simulação de videojogo e que encerra com uma pergunta bastante interessante: “já pensaste que tudo o que se vê foi inventado por quem não és?”. Sentes-te por vezes a viver dentro de uma ficção de ti próprio?

Eu acho que isso, lá está… vem dessas questões existenciais que todos nós temos e essa música não é um desistir, mas é um tentar meter como que um bloqueio nessa tentativa quase obsessiva de perceber onde é que nós estamos, o que é que nós somos, porque é que nascemos, porque é que morremos, porque é que estamos cá neste período ou porque é que não estamos. E realmente acho que há coisas que não se vão perceber e a música além dessa frase final (pelo menos no meu entendimento e quando fiz a letra) fala dessa ideia de: quando tu achas que já ’tás a perceber tudo é porque tu forçaste esse entendimento e não deixaste que as coisas fluíssem, então meteste-te dentro de uma caixinha, preparaste todas as paredes e todas as portas, e agora percebes tudo, mas na verdade condicionaste as variáveis. Portanto se tu não as condicionares e se viveres verdadeiramente num sítio criado por outras pessoas, se calhar tens apenas que existir da melhor maneira possível e não tentar perceber isto tudo. O próprio vídeo é também um bocadinho isso… o que é que é um jogo de computador? Houve alguém que definiu toda aquela realidade e há ainda uma outra pessoa que ’tá a controlar a vida daquela personagem, não é? É ainda pior do que aquela [realidade] que nós temos. Acho que temos sempre fases na vida em que questionamos um bocadinho as coisas todas, e não tem mal questionar, mas acho que o bom de questionar é perceber que nunca vamos chegar verdadeiramente a uma grande conclusão. 

Este disco marca a também diferença por ser inteiramente em português. Tu já tinhas apresentado alguns momentos assim no teu trabalho anterior [00:00:00:00] e eu confesso que não senti estranheza nenhuma ao ouvir-te cantar em português mas também me parece que este Noiserv é mais difícil de decifrar. Com letras que abrem muitos espaços nas entrelinhas para cada um interpretar por si. Achas que o português oferece essa ambivalência que pode ser mais difícil de conseguir em inglês? Foi uma escolha consciente tua ou simplesmente aconteceu?

Foi uma escolha consciente querer fazer em português, isso foi. Se calhar este foi o disco em que demorei mais tempo na questão das letras. Não sei se por ser a minha língua principal, acho que tudo tem muitas possibilidades de ter várias leituras e de repente há um gozo enorme em perceber todas essas leituras que a língua portuguesa pode ter, e se calhar em inglês isso é um bocadinho mais directo, não sei bem porquê. Acho que aí tens razão, que o português dá azo a muitas interpretações diferentes e estas letras são apenas uma leitura das muitas versões que tiveram, e por isso foi um desafio extra, além da parte instrumental que também acho que é diferente dos anteriores, mas o português foi um desafio que eu nunca tinha feito em tantas músicas. Porque uma coisa é ter feito um disco instrumental em que existem três momentos em que canto em português, outra é passar disso para 11 músicas, em que nove são cantadas, sem parecerem todas iguais e com dinâmicas iguais. Isso era um desafio muito maior que eu já tinha conseguido com o inglês, mas não com o português. E portanto quando pensei num disco novo, queria fazê-lo dessa forma e comecei a descobrir essa ambivalência de muitas palavras, de procurar a palavra perfeita para aquele sítio — até há trocadilhos que, se tu leres a uma determinada velocidade, parece que ’tou a dizer outra coisa. De repente aquilo tem tantas leituras possíveis — achei um bom desafio.



Talvez também não seja assim tão importante procurar esse único sentido…

Acho que todas as músicas têm uma ou duas frases que são muito directas e as outras acabam por ser mais metafóricas. Através dessas frases mais directas consegue-se dar um sentido às outras, e eu tive essa preocupação. Como na que estavas a dizer, na “Neste Andar”, aquela frase [“já pensaste que tudo o que se vê foi inventado por quem não és”] que no vídeo até aparece escrita na parede e tudo, é um bocado a chave de tudo, e acho que se depois de tu ouvires aquilo voltares atrás, se calhar houve coisas que podes não ter percebido que depois poderão fazer mais sentido. Portanto tentei que houvessem algumas frases mais objectivas no meio de cada música para que depois outras partes mais poéticas pudessem ter significados diferentes, mas agarrados à frase com mais significado.

Falaste agora na parte sonora e também achei que este disco é um pouco diferente dos anteriores, com ritmos mais intrincados e exploratórios, sem perder aquele lado mais melancólico no qual já te reconhecemos. Podias falar-nos mais nestas diferenças face aos teus trabalhos anteriores?

Acho que em termos instrumentais foi um bocadinho o que tu disseste, eu tive, não a obrigatoriedade, mas a vontade de que houvesse uma parte rítmica mais presente, não em todas as músicas, mas em grande parte delas e, juntamente com isso, tive um cuidado muito maior com cada som. Se calhar no disco de 2013, que foi outro que tinha muitas coisas, era capaz de ter músicas com 80 instrumentos ao mesmo tempo, e aqui talvez o máximo que existe são 40 numa música, mas cada um deles demorou muito mais tempo do que gravar os 80 das outras. Todas as introduções, todas as coisas, tiveram muitas versões diferentes, e eu perdi muito tempo a tentar chegar a um som que me parecia, acima de tudo, diferente de outras texturas que já tivesse feito antes. Porque praticamente (tirando o piano e a guitarra, que são dois instrumentos que eu já usava muito, e também um bocadinho o baixo) poucos são os instrumentos que são muito parecidos com discos anteriores. Acho que há muitas texturas e muitos tipos de som que eu não usava ou que não tinha explorado antes. E isso foi um trabalho exaustivo em cada música, na procura de conseguir encontrar não algo que fosse totalmente diferente, mas que a mim me desafiasse por nunca ter chegado lá. Portanto acho que aí descreveste bem, são esses dois pontos, a parte rítmica e as texturas de cada som. 

Imagino que agora um dos desafios seja levar isto a palco enquanto “homem-orquestra” como te conhecemos. Quando estás a compor tens essa preocupação de pensar como é que depois vais conseguir tocar sozinho em concerto?

Eu já tive mais essa preocupação e quando a tinha depois essa parte era mais fácil. [Risos] Mas comecei a sentir, desde o disco de 2013, que se quiser fazer um disco igual àquilo que depois vou conseguir fazer ao vivo, isso vai-me limitar a parte criativa. E se calhar no de 2013 eu não deixei que as camadas me limitassem, mas limitaram-me os instrumentos, e usei basicamente os mesmos que depois uso ao vivo. Neste disco também não quis ficar preso nessa parte e por isso nem os instrumentos foram os mesmos, e de repente gravei um disco inteiro em que nenhum dos instrumentos que usei no disco, tirando a guitarra e o piano, são os que toco ao vivo. E o trabalho que tenho estado a fazer nas últimas semanas é esse: ouvir o disco — e não quero mudar todo o set dos instrumentos porque quero tocar as músicas antigas e que elas continuem a ser aquilo que eram — e tenho andado numa nova busca de perceber o que é que é verdadeiramente importante dentro de cada música e, com os instrumentos que usava nos outros discos, como é que consigo tocar aquelas mesmas coisas. Tem sido meio complicado fazer essa transição, mas é uma coisa que tenho de fazer, e este disco também tem uma particularidade diferente que é: nos outros as músicas começavam todas com poucas coisas e iam subindo, e aqui há muitas músicas que começam já com muitas coisas, e eu só tenho duas mãos e só tenho dois pés… Portanto ao vivo as músicas vão ter sempre uma energia diferente — embora em algumas eu esteja a tentar conseguir tocar coisas diferentes, a disparar uma coisa com o pé e a tocar outras duas coisas com as mãos — mesmo assim nunca vai ter aquela carga no início, mas depois mais para o meio consigo chegar lá.

Às vezes é todo um trabalho até meio matemático o de transpor do disco para ao vivo, mas nunca quis que o ao vivo fosse a condição, porque senão todo o trabalho exploratório iria ficar condicionado por isso, e gosto que essa parte seja mais livre e a música só pára quando acho que não consigo fazer melhor do que aquilo, independentemente da forma como eu depois vá tocar.



Já tens vários espectáculos agendados até final do ano. Num ano tão atípico quais são as expectativas para estes concertos?

A expectativa acima de tudo, e sendo concertos que estão relacionados com o lançamento do disco, é que antes as pessoas já tenham ouvido as músicas e gostem do disco na íntegra. E que dentro das condições todas e da felicidade que tenho de ter conseguido um conjunto tão grande de concertos — que é um trabalho que já vem sendo feito desde o ano passado, antes desta questão toda –, a expectativa é que as pessoas ao gostarem do disco, mesmo com as condicionantes todas ou o receio de a qualquer momento poder ser tudo cancelado, queiram ir na mesma e que depois de lá estarem tudo faça sentido. O concerto também vai ter um desenho de luz e uma parte que, não é bem cénica, mas que vai ser um bocadinho diferente daquilo que tenho feito antes, também com a ideia de respeitar o próprio conceito do disco.

Portanto tenho expectativa de que os concertos corram bem e que as pessoas gostem primeiro do disco, e que depois venham a gostar dos concertos, sabendo que que há muitas condicionantes e que há uma série de coisas que vão ser diferentes, como as próprias salas, mesmo que o concerto possa estar eventualmente esgotado, a sala vai estar estranha. Uma das melhores coisas de um concerto para quem toca é ver a cara das pessoas e aqui só se vão ver os olhos — os olhos são importantes mas também é bom perceber se a pessoa está contente se ou não está. Há uma série de coisas que acho que são uma experiência para quem vê e também para quem toca — quando chegas a uma sala que te dizem que pode estar esgotada, de repente o teu inconsciente mete-te num determinado sítio, e se depois um conjunto de palmas são mais fracas, porque são menos pessoas, se calhar vais sentir que aquilo não está a correr tão bem — portanto há uma série de adaptações que a própria pessoa tem de fazer. Mas por outro lado acho que a base de tudo é que já é bom poder fazer desta forma. Tinha muitos concertos desde Março e foi tudo cancelado até final de Junho, depois já tive quatro concertos, mas fui tentando condensar tudo neste período que vem aí e é tentar fazê-lo da melhor maneira possível e ficar contente por conseguir fazê-lo.

Por outro lado os teus concertos também convidam a um ambiente mais intimista…

Sim, se calhar a questão das pessoas estarem sentadas até é a única coisa boa. [Risos] Eu prefiro concertos sentados, não só enquanto espectador mas também enquanto quem está a tocar. Não sou um fã da parte de dançar, gosto de ver um concerto para receber as emoções daquilo e não propriamente para que o meu corpo se mexa com o que está a acontecer, portanto um concerto sentado, mais confortável, é sempre o melhor para mim. Neste caso acho que a minha música até funciona bem nesse registo. Quanto ao ser intimista, o único problema é que as salas mais pequenas perderam condições para conseguir fazer os espectáculos e já não dá para chegar a todas as cidades, porque salas que tivessem 100 lugares agora só dá para 50 pessoas, o que não chega nem para pagar o concerto e a logística toda, e isso é um problema. Mas como disse há bocado é aproveitar o que há para aproveitar.

Tens lançado álbuns consistentemente, e há pouco dizias que levas até bastante tempo a trabalhar um disco…

Sim, eu dizia isso porque por norma falava-se que os discos devem sair de dois em dois anos, e o meu último disco é de há quatro anos. Mas também tenho tido a sorte de fazer muitos projectos de outras coisas e de ter muitos concertos ao mesmo tempo. Muitas vezes o não fazer não é por falta de inspiração ou de tempo, mas porque quando penso no disco gosto de me focar nele e às vezes não é esse o tempo, nem a disponibilidade de criatividade para entrar nesse sítio. 

Acredito que quem te segue sabe que estás envolvido em muitos outros projectos, como os You Can’t Win, Charlie Brown e penso que fizeste também recentemente uma banda sonora de um filme? Queres falar-nos um pouco mais desses projectos e se tens outras coisas planeadas? 

O que tenho feito maioritariamente são bandas sonoras para cinema, peças de teatro em que toco, espectáculos de dança, e uma série de outras coisas. Tenho feito mesmo bastantes coisas nesse campo, em termos de média se calhar faço mais ou menos duas bandas sonoras por ano e algumas delas são para filmes grandes, com 20 músicas. Depois também tenho feito um ou dois espectáculos por ano, alguns de dança para um público mais infantil, outros não tanto. Assim de coisas futuras tenho um espectáculo que se chama Fit (IN) que íamos apresentar no Algarve em Março e que agora foi adiado para o próximo ano, tenho também um outro espectáculo de dança que acho que ficou para 2022, tenho a banda sonora também de um filme para acabar, tenho a banda sonora de um espectáculo de videomapping que ia acontecer nas Ruínas do Carmo em Outubro e que agora também foi adiado. Também aqui no meu bairro participei num festival que se chama Todos, em que além de tocar também fiz a sonoplastia de uma parte, portanto vou fazendo assim muitas coisas dentro desse género e às vezes até é mau quando me perguntam porque esqueço-me do que estou a fazer, mas se for ver a pasta de 2020 sou capaz de ter já algumas oito ou nove pastas de coisas novas, e tudo neste ano tão complicado, portanto felizmente acho que as pessoas têm gostado das coisas que faço e vão-me convidando. [Risos]


pub

Últimos da categoria: Entrevistas

RBTV

Últimos artigos