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Batida: “No planeta das rimas e batidas Nova Iorque é uma das capitais”

[TEXTO] Hugo Jorge [FOTO] Direitos Reservados

Batida está de malas feitas. Depois de mais um “ciclo à volta do mundo”, o dedo no mapa voltou a deslizar para Oeste e destino são os Estados Unidos. Para Pedro Coquenão trata-se de um regresso – esteve em Agosto no Summerstage Festival, em Central Park – mas agora em dose reforçada.

Ao todo serão três concertos: o primeiro no Atrium do Lincoln Center, em Nova Iorque, no próximo dia 29. Já em 2017, no dia 6 de Janeiro actua no Kennedy Center em Washinton, voltando a Nova Iorque dois dias depois para o globalFEST.

A semente plantada levou pouco mais de quatro meses a dar fruto e Batida prepara-se para passar o fim do ano no centro do mundo. “Nova Iorque está muito longe de ser mais um ponto de passagem. No planeta rimas e batidas esta é certamente uma das capitais. E no meu também”, disse o músico, numa curta conversa com o ReB.

Mas antes de seguir viagem, sobra tempo para um último ensaio em Lisboa, hoje no antigo armazém do Village Underground. A entrada é gratuita e o plano passa por recriar os shows dos EUA. “É um ensaio como faço sempre antes de cada show e onde trabalho cada detalhe. Desta vez, pareceu-me uma boa ideia abrir a porta. Ter algum público ajuda a um melhor ensaio porque não existe um bom show sem público”. Para os interessados fica um aviso: cheguem antes das 18h e desliguem os telemóveis.

Dos três espectáculos, o destaque vai para o globalFEST, um concerto anual que junta 12 artistas, escolhidos entre muitos outros que se candidatam, no Webster Hall, em Nova Iorque. No caso de Batida, foi um convite directo da organização para encerrar a edição de 2017.

Na mala, além das ferramentas de trabalho, na maioria os seus discos da Soundway, Pedro Coquenão leva a sua “ideia de normalidade” e o poder unificador da Batida. “Só aproximando-nos podemos ter a certeza do que nos une e diferencia uns dos outros, com alguma propriedade. Somos juntos, soa-me um bom ponto de partida e a música junta-nos. Literalmente. Uma pista de dança tem esse potencial agregador.”

O desafio é aliciante se pensarmos nos Estados Unidos de hoje, ou serão antes os “estados divididos” a que a “Time” fez referência na sua última edição. Para já, o começo de diálogo com Batida pode fazer-se ao som da remistura assinada de “No Madame”, faixa de Calypso Rose – o tema critica o tratamento de servos domésticos durante a década de 60 na Trinidade e Tobago.

Se o ano que aí vem parece prometedor, nada melhor do que agora para fazer um pequeno balanço a 2016. E este dificilmente poderia ser melhor. A um álbum lançado a meias com Konono, somaram-se concertos e digressões mundo fora. Num plano mais pessoal, Pedro Coquenão celebrou a “libertação dos presos políticos em Angola”, embora custe “aceitar uma amnistia de inocentes”. Aqui, “num campo onde tudo se mistura”, deixou uma palavra de apreço para os Ikopongo, projecto que ajudou a crescer.

Em 2017 Pedro Coquenão faz 10 anos a trabalhar como Batida, a “crescer e evoluir como humano” e com uma promessa tentadora: “o melhor ainda está para vir”.

 


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