NEOPOP’18 – Dia 2: maratona techno até de manhã

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTOS] Diogo Lima, Marta Santos e Rui Soares / NEOPOP

O techno foi a banda sonora do segundo dia de NEOPOP, numa mostra clara de sintonia colectiva que parece ter um propósito mais vasto, mas é claro que a imposição de Viana do Castelo como capital do techno tem que ser sonho antes de se tornar realidade.

E sim, a realidade de um título dessa natureza exigirá mais do que três ou quatro dias de ritmos electrónicos intensos concentrados no epicentro do forte de Santiago da Barra. A uma capital digna desse nome deverão exigir-se outras infraestruturas: lojas de discos e estúdios, escolas, clubes, uma rádio até? Nada que seja impossível de erguer, na verdade, e tendo em conta a determinação da equipa que todos os anos programa e produz o NEOPOP o mais certo é que tudo isso aconteça mais depressa do que se imagina. Mas ainda não é real em 2018. Olhos no futuro, portanto.

O que aconteceu ontem, porém, deixa animadas perspectivas para o que poderá acontecer amanhã: um público militante, que dança e se agita, que se sintoniza numa mesma vibração e que comunga desta cultura. All For Techno, garantem as t-shirts e os hoodies que ostentam a marca NEOPOP. Todos por um som, portanto. E são bastantes, os que demoram, mas não falham a encher o recinto.

 



Switchdance e Trikk no NEO Stage e Terzi, Tiago e Dexter no Anti Stage foram a armada nacional encarregue de puxar a maré que encheria o NEOPOP. Mega competentes, fluídos e certeiros, os DJs e produtores nacionais percorreram o caminho entre tendências mais cósmicas ou dubby quando o sol ainda ia alto até às mais musculadas propostas que o cair da noite justificou.

No programa houve espaço para prestações live do alemão Recondite ou dos italianos Agents of Time (NEO Stage) e ainda dos nativos de Detroit Dopplereffekt e do finlandês Aleksi Perala, sempre com o rigor da manipulação de maquinaria em tempo real a não baixar o impacto que os DJs conseguem com recurso a música pré-gravada. De certa maneira, até, parece ser nesta sintonia e equilíbrio entre seres humanos e máquinas que se adivinha o poder do mais imaginativo techno. E isso sentiu-se nas variadas actuações ontem à noite.

Os pontos altos da maratona, que só terminou quando a outra vida da cidade já ia em velocidade de cruzeiro, foram ainda a actuação do trio francês Apollonia, com uma incessante barragem de beats a ser entregue em regime back to back, e, claro, do mestre Ben Klock. Tanto o trio de Dyed, Dan e Shonky como o residente do Barghain reclamam Berlim como a sua base de trabalho, mas a verdade é que, de diferentes formas com escalas distintas, com Klock à cabeça, claro, ambos os nomes podem ser encontrados em cartazes de todo o mundo que procuram espaço techno para os seus eventos. São embaixadores de um género que está mais vivo do que nunca e que hoje terá nova maratona com outros dois pilares a responderem à chamada do NEOPOP: esta madrugada, as paredes do forte Santiago da Barra terão que aguentar a pressão de Jeff Mills e de Ricardo Villalobos.

O dia de hoje assistirá também ao arranque das duas noites carimbadas pela Red Bull Music no Teatro Sá da Bandeira: hoje subirão ao palco o português GPU Panic e o britânico Clark que apresentará o seu projecto Death Peak ao vivo.

 


Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
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