Murta: “Eu quero ter mais plays no Spotify do que seguidores no Instagram. Eu sou um músico, não sou uma celebridade”

[ENTREVISTA] Rui Miguel Abreu [VÍDEO] Johnny’s On Set [FOTO] Sara Falcão

Existe um entusiasmo contagiante na maneira como Francisco Murta fala sobre si, as suas canções e a natureza. Mesmo que ainda se sinta alguma ingenuidade no discurso, algo normal para alguém que olha de forma tão romântica para a vida, não há como não ficar curioso com o que sairá dali, ainda para mais vindo de um multifacetado artista que não vê limites para o seu próprio crescimento.

Depois de ficar em segundo lugar numa das edições portuguesas do The Voice, Murta não largou o lado mais popular da música, mas encontrou refúgio junto de vários nomes do hip hop português como DOMI (“Rosas”), Papillon (“Sweet Spot”), Estraca (“Não Quebro”) e Charlie Beats, produtor que assumiu um papel importante no seu longa-duração de estreia, D’ A R T V I D A.

No início desta semana, e já com a actuação no Super Bock em Stock na mira, o Rimas e Batidas sentou-se à conversa com o jovem talento para (tentar) entender onde é que se encaixa no cada vez mais plurifacetado mapa português da música pop.



Começamos por uma afirmação, que tens bem explícita no Facebook, sobre adorares todos os tipos de artes. Se não fosse a música, que outra arte é que tu te vias a prender as tuas atenções e concentrar o teu talento?

Há aqui uma linha sensível, no sentido em que precisa de interpretação. Há coisas que para mim são arte e que para ti não. Eu considero arte tudo o que seja uma expressão de alguém que passa uma mensagem, que passa um sentimento. Para mim, a extensão de uma ideia e a expressão de alguém são arte. Por isso, moda é arte, para mim. Gosto de pensar em roupa. E ainda não sou muito forte nisso, porque ainda não me sentei a fazê-lo. Outra cena: escultura. Já tenho algumas cenas projectadas. Escultura que também envolve arquitectura, erguer um edifício de certa maneira. Isso fascina-me. Eu adoro designs de coisas. Fórmulas, cores, a maneira como elas te atingem. Eu gosto de perceber isso tudo. E isso para mim é arte. 

Andaste numa escola de artes?

[Risos] Sou só um puto que sempre foi bué curioso. E nunca fui de tecnologia. Andava na rua. Eu observava tudo. Isso fez com que me interessasse. Eu gosto tanto quando alguma coisa te diz algo e ficas, “wow”. Isso é viciante. E eu quero pôr esse sentimento nas pessoas de várias maneiras. 

Disseste que aprendeste muito na rua a ver e a olhar para as coisas. Fala-nos um bocadinho do teu background: de onde é que vens, onde é que cresceste e como é que a música entrou na tua vida?

Eu sou da Figueira da Foz, vivi lá até aos 14 anos. A única música que existia era piano: ia lá uma vez por semana, mas não tinha assim tanto interesse. Venho para Samora Correia no 9º ano e aí foi a cena. Aprendi a cantar nesse ano. Eu sempre fui uma pessoa que cantarolava, mas a minha voz, se calhar com a ajuda da puberdade, foi ao sítio e no 9º ano é que eu percebi, “ok, tu tens um timbre engraçado”. Na altura foi numa rede social, o ask.fm, eu estava com um amigo e eles disseram, “ah, canta aí uma música”. E eu disse, “boy, até curto, deixa-me cantar”. Na altura havia um som bué viral que era uma família de brasileiros a cantar “Para Nossa Alegria“, e eu vi um cover lindo disso na net. É uma música católica, eu não sou, nesse sentido não me identifico, mas achei tão bonito, e adoro música brasileira. Então cantei e foi bué pessoal comentar e eu, “como assim?” Comecei a pensar nisso de alguma maneira e depois fui para o 10º ano e aí bombou tudo. Parece que entrei na pista. Conheci a minha banda, eram todos da minha turma, e foi aí que comecei a ter contacto com alguém que estudava música, com alguém que gostava e percebia. Eu não percebia nada, só sentia. E eles começaram-me a dizer, “olha, tu podes fazer isto”. E eu não cantava, entrei na banda como um pianista. Um gajo não foi ao primeiro ensaio de todos, eu sabia um som, que era o “Feeling Good”, eles sabiam tocar, e cantei. Foi o primeiro som de todos que eu cantei ao vivo numa festa da lista, num concerto que teve quatro músicas: foi o “Feeling Good”, “A Carta”, “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair” e foi outro som que não me estou a lembrar. A partir daí só me fazia sentido continuar. Nunca pensei fazer disto vida, nunca. Nessa altura eu queria ser jogador de futebol e biólogo. Biólogo era a cena certa, ser jogador de futebol era o sonho (porque sempre amei futebol). 

Mas pegando na cena de ir para rua… Eu amo a vida. O álbum intitula-se D’ A R T V I D A. Não é nada à toa. É a minha forma de existir. O título do álbum faz parte da obra. Não são só as músicas. O título, a cor, todo o conceito engloba a minha expressão. Porque tu vês o D’ A R T V I D A e tens duas interpretações. Logo aí tem cena. E eu gosto bué de observar tudo. Nunca fui muito de Playstations, joguei os meus Medal of Honors, FIFAs, PES, mas curtia sempre ir para a rua.

A minha zona era abundante em fósseis, então eu tenho uma colecção gigante de fósseis de todo o tipo. E eu ia para as aulas de Ciências Naturais e virava-me para a minha stora: “o que é que é isto?” Havia amonites, trilobites, mas depois havia cenas bem diferentes, bactérias meio estranhas, e ela explicava-me tudo e eu ficava, “wow”. Então eu comecei a absorver tudo. Eu gosto de tudo e é muito estranho. Gosto de ver, gosto de observar e por isso é que eu acho que é importante não nos fecharmos. E estas tecnologias dão uma sensação de liberdade irrealista. Para mim, é irrealista. Nós vemos tudo, mas não vemos nada, na minha opinião. Estou sempre a dizer isto: o meu puto só há-de ter um telemóvel aos 12. Para que é que ele precisa de um telemóvel antes dos 12? Ele nem sabe falar quase. Não faz sentido. O meu filho vai jogar à bola comigo, vai fazer papagaios de papel como eu fiz. Isso cria memórias, cria sensações que te abrem o cérebro. Ouvir certos tipos de músicas… Isso é muito importante e as pessoas esquecem-se disso. 

Fala-me do The Voice. Diz-me a minha longa experiência que não têm sido assim tantas as carreiras que se conseguem impor a partir dos programas de talentos na televisão. João Pedro Pais, Sara Tavares, Diogo Piçarra, mas são poucos para a quantidade gigantesca de artistas que passaram por estes programas ao longo dos anos. E muitas vezes acontecem edições em que nem ouvimos falar mais do vencedor. Portanto, não é assim um caminho tão seguro como isso para se construir uma carreira. O que é que tu retiraste dessa experiência?

Sou-te sincero: no meu caso específico, acho que tem directamente a ver com ter continuado. Eu olho para mim, para as minhas características, lembro-me de mim na altura e sei que não sou o tipo de pessoa que vá a um programa de televisão. Não sou a pessoa que dá valor a isso. Como é que eu hei-de explicar? Eu não sinto que seja por aí, mas eu pensei: “estou aqui na minha zona, já rodei os bares todos da zona [risos], o pessoal diz que eu canto fixe, epá, e eu sou maluco”. E isto é a história que eu conto, porque é a verdade, houve um dia que vi a final e disse à minha mãe: “olha, eu vou-me inscrever”. E eu quando tive esta vontade foi só: eu quero que vocês saibam que eu existo. E, nesse sentido, aproveitei da melhor maneira porque o pessoal começou a saber que eu existia. Agora, se tu me perguntares se eu me identifico com a mentalidade de show, epá, não. A partir do dia em que eu saí do The Voice, posso-te garantir que nunca mais vi nenhuma temporada. E não é por eu achar que o programa é mau ou porque é muita bom; é porque eu não me identifico. Um amigo meu foi para o The Voice, foi a única coisa que eu acompanhei. Eu acho que é importante se tu souberes o que é que lá vais fazer; e eu sabia. Eu sabia que não queria sair da minha linha de clássicos de soul, eu queria muito mostrar que também estou cá, e tenho uma voz engraçada e tenho algo a dizer. Na altura tinha 17 anos. E isso ajudou-me a perceber como é que funcionavam os directos, e é tudo tão imperfeito mas parece tudo tão perfeito. Eu adoro estar dentro disso. É excelente, deram-me bué informação que ainda hoje uso. Estar bem à frente de uma câmara. Se calhar não dizeres aquilo que estás a pensar porque milhões vão ouvir. Isso forma-te e faz parte da minha vida. 

Olha, à falta de melhor termo, e ainda ninguém inventou uma palavra melhor que pop, houve aqui uma mudança de paradigma. Nos anos 80 tu tinhas gente como o Variações, que nitidamente vinha de um lado mais da música popular, tinhas uma Lena D’Água, que vinha mais do rock, mas esses eram os principais caminhos para se chegar à pop. Hoje em dia é nítido que esse paradigma se alterou e que o r&b e o hip hop estão a informar muito aquilo que é hoje a nossa ideia da música pop. É com essa área que tu te sentes a dialogar? Ou vês-te mais como alguém com uma formação clássica, se calhar mais próxima desses exemplos que eu enumerei?

Há aqui uma cena que eu quero deixar bem claro: o que eu quero ocupar (ou que gosto de ocupar) e aquilo que eu sei que sou melhor [são coisas diferentes]. Eu sei que sou melhor na pop clássica: aquela balada, aquela melodia. Eu sou melhor nesse sentido. É algo que eu tenho muita facilidade. Agora o que eu gosto e quero fazer é mais o lado urbano. E nem é tanto pela sonoridade. Eu deparei-me com o hip hop muito tarde, tipo aos 16. Na altura ouvia Sam [The Kid] e eu pensava que ele era black. Eu não era bem informado, mas havia uma cena que… man, eu repetia aquilo porque ele dizia o que sentia e não era xaxo [conversa fiada]. Para mim, o que muito pop diz é xaxo. E o que me atraiu bué no hip hop foi a filosofia “vamos falar do que estamos mesmo a sentir”. Por isso é que neste álbum falo de diferença, igualdade, liberdade, sentimentos que não são tão óbvios. Ou estás feliz ou estás triste. Porque se tu pensares o que é que te faz sentir livre… Há bué tempo vi o filme Os Condenados de Shawshank e aquele tropa fez os prisioneiros de Shawshank sentirem-se as pessoas mais livres daquela zona. E eram os gajos presos. Liberdade é muito por interpretação. E é isso que eu quero falar. E se tu me dizes, “pá, podes falar nisso na pop”. Claro, mas a atitude é diferente. O swing da pop é diferente do hip hop. Sentes diferente. Eu quero unir uma legião, eu quero unir as pessoas pelo que elas passam e acreditam. E mostrar que também estamos aqui. Não é só love. E tu dizes-me, “ok, mas os teus quatro singles foram sobre amor”. True! Mas sabes tão bem quanto eu que uma equipa toma decisões em conjunto. Achámos todos que era a melhor opção, mas se calhar não reflecte tão bem o que eu defendo porque só mostro amor. E o D’ A R T V I D A é todos os tipos de amor. É amor pela família, amor pela vida, amor pela liberdade, mostrar que a diferença não é bom nem mau; usa-a. Porque eu posso ser o gajo mais forte do mundo com um puzzle de 99 peças e falta uma. A pessoa que tem uma peça tem menos do que eu, mas eu preciso dela para completar o puzzle. Usa a diferença. Eu falo disso. E nesse sentido, eu quero (e gosto) e vou continuar no lado mais urbano. 



Olha, o que é que tu sentes que trazes que ainda não existisse nesse tal terreno da música pop em Portugal, que pode ir da Ana Bacalhau ao Holly Hood, pode ir dos Wet Bed Gang ao Piçarra. O que é que tu sentes que o teu disco traz que ainda não exista nesse território?

Imagina: o meu disco não é deste ano. Eu não fiz o disco este ano. A cada ano que passa, a música evolui de maneiras diferentes. O que eu quero dizer é: quando fiz o disco, havia muito mais coisas que não existiam em comparação com o que havia na rua, e agora tens muitas outras cenas. O meu álbum está minado de vozes, harmonias, frases. Eu tenho um beat, uma voz, uma melodia principal, vamos pintar a tela. Já que temos o desenho vamos escolher as cores. Eu faço muito isso. Agora, há muitos artistas que estão a ingressar por esse lado. Eu lembro-me bué bem de pensar: havia um Richie [Campbell]. Ele tinha batidas de hip hop, cantava mais r&b e eu ficava, “também quero, mas não canto em inglês”. E em inglês é muito suave, mas eu não queria aceitar isso. Deixa tentar em português. Comecei a evoluir e o meu álbum tem várias cores, não tem uma só. Eu tenho uma música que começa com um som de lenha a queimar e sou só eu e guitarra. Porquê? Porque foi assim que eu escrevi o som. Ele nasceu disso. Foi numa vez que fui acampar a Montargil e tinha tipo uma fogueira gigante, levei a guitarra, foi o ano passado, estava a acabar o álbum em termos de maquetes, daí eu dizer que este álbum não é deste ano. E surgiu assim, eu à guitarra, ao luar, e por isso é que a letra é como é. Eu quis mostrar às pessoas que a nossa natureza se estava a perder no D’ A R T V I D A. Isto não é fácil de perceber porque a nossa natureza não é algo fácil de definir. Tu não consegues dizer o que é que tu és naturalmente, quando ainda por cima há muita tecnologia e muita coisa a acontecer. Eu quando falo da nossa natureza, falo das nossas sensações principais. A ingenuidade, como nós começamos, o absorver sem estares moldado. 

Até aqui há uns tempos ninguém esperava receber lições de quem tem 25, 20, 15 anos até. Mas a tua geração está a assumir muito este peso da responsabilidade. O caso da Greta Thunberg é sintomático em relação à chamada emergência climática. Sentes esse peso de “ok, puseram-me aqui neste pedestal, tenho uma voz, tenho um disco para comunicar coisas, tenho que dizer coisas que são importantes”?

Sem dúvida! É o maior peso que eu sinto na minha vida. Falei disso há pouco tempo com um amigo meu. Ele ouviu o “Saudade” e disse-me assim, “boy, este som para mim é aquele em que mostras mais a tua extensão vocal, a tua natureza melódica”. E eu disse, “ya, foi dos sons do álbum que me tirou mais tempo e deu mais trabalho”. E ele, “pá, também tem de ser assim, né, e, aqui entre nós, o teu talento também ajuda”. Eu respondi-lhe, “exactamente”. Por isso mesmo seria um desperdício não potenciá-lo ao máximo. E agora tu dizes-me, “ok, mas como é que tu percebes que tens o talento?” Epá, durante bué tempo eu não percebi. E não é não percebi por ser hipócrita. Eu só estava existir e a absorver. Eu não estava a avaliar-me e não queria saber se era bom ou mau. Durante muito tempo eu recolhi tudo o que precisava. Agora consigo perceber o que talvez seja o carisma. Que não se explica. O que é isso? Mas já percebo um bocado isso. Algo que liga visualmente as pessoas em termos de energia. Eu sempre senti que esse era o meu papel. Já que eu vejo a vida dessa maneira, já que se calhar outros não estão a perceber que as redes sociais e a tecnologia limitam em vez de… e não vamos ser hipócritas, é uma ferramenta bué importante e está a fazer crescer a música a um ritmo estúpido, e em Portugal cada vez mais, mas não é tudo. E por isso é que eu não gosto de pôr fotos todos os dias, não quero pôr música no Instagram. Eu quero ter mais plays no Spotify do que seguidores no Instagram. Eu sou um músico, não sou uma celebridade. E desde muito cedo que sou bué resmungão. E eu sou muito sincero, se não curto de alguma cena, eu digo. Acho que temos de ser sinceros uns com os outros. Se eu te vou dizer a verdade, tu vais julgar-me por aquilo que eu sou. Tu podes não gostar, mas é a vida. Não podemos agradar a todos. Mais vale seres sincero do que estares a mentir. Porque é que eu hei-de fazer só sons de amor, que já foi mais a minha altura, mas agora é diferente porque se calhar a minha pureza e ingenuidade artística também se foi desvanecendo um bocadinho ao ver o business world ou ver outras coisas que eu acho que deviam ser feitas de outra maneira. Isso foi-se desvanecendo, e se calhar não falo tanto de amor e por isso é que começo a falar de outras coisas que eu acho mesmo importantes e que ‘tão a passar ao lado a muita gente. 

Produzes, escreves o teu próprio material, és músico, cantas, portanto pode-se falar em ti como o pacote completo. Achas que isso te vai distinguir? Foi algo que tu trabalhaste conscientemente? 

Está tudo certo. Precisei; sou bué curioso; quero saber tudo, quero fazer tudo. Isso é algo que eu debato dentro de mim. Não sei se me vai distinguir ou se me pode afundar. No sentido em que eu quando me sento à frente do computador para começar uma melodia de um verso, eu posso pensar como uma guitarra, como um piano ou como uma voz. Posso perder nesse sentido. Eu não consigo ter essa percepção. Ainda é algo com que eu batalho. Eu faço esta cena: quando eu tenho dúvidas, eu penso bué nelas até não haver mais, crio as minhas teorias. E neste ainda não tenho uma opinião bem fundamentada para te entregar. Mas acho que me pode distinguir, sem dúvida, se eu ganhar maturidade e conseguir escolher quando é que estou a ser demais. Ainda não tenho essa facilidade. É difícil porque eu gosto de fazer tudo. Sou enérgico, intenso e há muito por onde ir. 

Se foi propositadamente? Sem dúvida. Por exemplo, acabou o The Voice, eu não ganhei, não tive o acordo discográfico. Fiquei em segundo ou seja, a seguir ao primeiro fui a segunda pessoa com mais visibilidade. E agora? Eu não tenho um acordo discográfico, não conheço produtores. Esse tempo foi muito importante. De certa forma, ainda bem que não ganhei. Porque eu não estava pronto. Eu não tinha linguagem pra me expressar. Ainda não tenho. Quando comecei a fazer este primeiro álbum, o que mudou foi eu ter descoberto em que palheiro estava a agulha. Eu não descobri a agulha; eu sei é que ela está pra aqui. Eu sei que é por aqui. E isso define-me bué. Uma cena que mudou a minha vida foi ter comprado um Mac. Em 2017 comprei um Mac, tive o Garage Band durante um ano. Em Outubro do ano passado, instalei o Logic. Como sou tão curioso e interessado, eu perco bué tempo a ver tudo e evoluo rápido. O problema é que também esgota e agora estou a chegar à parte do descansar um bocado. Por isso é que eu digo que se calhar pode afundar de certa forma, mas ya. Foi tudo natural. 

Como é que estás a projectar a coisa em termos de palco? Como é que isto vai resultar em concerto?

Nós estamos com algumas cenas visuais e queremos envolver o conceito visual com o que eu estou a fazer musicalmente. Mas parte muito do título. Vamos dar vida em termos visuais com luz, muita luz. Perceber que onde há luz, há vida. É a maneira mais fácil de o fazer visualmente. Já estou a dar concertos com o álbum desde Junho, o MEO Sudoeste foi com o álbum. Não fazia sentido covers, estou mais que farto de tocar covers. Faz parte da escola, [mas] acabou. 

E quem é que tens em palco ao teu lado? 

Tenho os meus manos, os meus músicos. O meu guitarrista, o Paulinho, que foi da minha primeira banda. Não me lembro de fazer música sem ele. O meu baixista, o Rodrigo, conheci-o numa escola que fui à toa. A vida deu-me mesmo essas pessoas. O Manuel, que está no piano, e o Pedro Antunes na bateria. Somos um quinteto. 


Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
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