CD / Digital

Mujipuki

Mujipuki Lives!

Rotten \ Fresh

Texto de Vasco Completo

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Os samples em reverse far-nos-iam pensar que estaríamos presos num rebobinar eterno. A partir desse primeiro momento, assumimos que o tempo não é cronológico na narrativa de Francisco Morgan – aliás, o EP começa com “Interlude 01”, tema com a participação de Katya Yonder, em vez da tradicional introdução. Enquanto esta primeira faixa podia ser retirada da obra de um qualquer artista de IDM entusiasmado por ambientes downtempo imersivos, a seguinte, “Fuck You, Your Bitch And You”, e a penúltima, “Recuerdos A Todos (mix05)”, não destoariam em b-sides de Tyler, The Creator e do vosso rapper de SoundCloud favorito, respectivamente. A coesão/coerência não é exigida (“Sleepy Doggo 5.0” e “What’s My Pin!” estão mais próximas de uma ideia de pista-de-dança mais upbeat, num constante four-to-the-floor), mas as músicas acabam por ligar-se pelas texturas de sampling, pelo “rebobinar” constante de ficheiros áudio; é no ritmo que Mujipuki Lives! se vai dispersando, como se se tratasse de um conjunto de crónicas que não se ligam, mas que acontecem no mesmo espaço temporal. A exploração de diferentes melodias justapostas pela adição de timbres suaves e cativantes desenvolvem temas que não têm uma narrativa longa, mas que puxam novos ambientes para aqueles que têm uma imaginação mais fértil. As melodias são inteligentes, simples e a sua repetição, em constante jogo com os sub-graves dos beats, são o melhor de Mujipuki Lives!. Esta procura pós-moderna, ecléctica, aglutinadora, sem necessariamente ser inovadora, só poderia terminar com um “Outro” a ir para os caminhos de um vaporwave que encerra as contas num tom quase-cómico, mas igualmente dançável. E deixa-nos água na boca, a pedir por mais. Assim, Mujipuki vive. E nós? Vamos vivendo à espera de um trabalho mais longo da sua parte.

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