“Mozambique” é a contribuição de Selma Uamusse para a compilação Two Tribes

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Direitos Reservados

A etiqueta Agogo Records é a responsável pelo projecto Two Tribes – An Intercontinental Journey in Rhythm, trabalho supervisionado por Tobi Kirsch e Ubbo Gronerwold e lançado há algumas semanas em formatos físicos (CD e vinil) e digitais (está disponível no Bandcamp).

Assegura Tobi Kirsch no texto que acompanha este lançamento que “a cultura musical europeia nunca foi fechada” e que se tem mostrado desde sempre “aberta a influências de outras partes do mundo”. “Two Tribes“, refere-se ainda, “faz um esforço para mostrar como é que alguns músicos que vivem na Europa hoje em dia incorporam e transferem tradições musicais, particularmente do continente africano, para a sua própria música”.

Selma Uamusse é a artista portuguesa convocada para figurar num alinhamento que inclui ainda contribuições de artistas como Andrea Benini, Elias Agogo, o Healing Force Project, Blay Ambolley, os Sorcerers ou, entre outros, David Hanke.



Sobre a participação da artista que recentemente lançou o álbum Mati, em cujo alinhamento aliás se inclui também o tema “Mozambique”, escreve a Agogo Records: “Selma Uamusse é uma cantora de Moçambique que já há muitos anos vive em Lisboa. Ela combina os ritmos da herança musical recebida da sua terra mãe com tradições musicais europeias. E o seu tema ‘Mozambique’ é tão apelativo como energético”.

“A compilação Two Tribes inclui não apenas músicos que têm raízes em países africanos e residem na Europa”, refere-se ainda, “como colaborações entre músicos europeus e africanos”. Ou seja, nesta compilação que procura estabelecer pontes não apenas entre dois continentes, mas também entre tradições e modos de produção diferenciados, com a electrónica e os instrumentos convencionais e tradicionais a dividirem o mesmo espaço em peças que parecem evocar vastas planícies, densas florestas e natureza em estado puro, mas que se posicionam igualmente entre a pista de dança e os auscultadores. “Jawa”, tema de abertura da responsabilidade de Andrea benini é um óptimo exemplo: toada baleárica evocativa das “músicas possíveis” enunciadas por Jon Hassell.

Itália, França, Alemanha, Gana — pela mão do lendário Blay Ambolley –, Senegal, Portugal, Moçambique, Reino Unido, Finlândia ou Tanzânia e Costa do Marfim são as nacionalidades representadas num projecto ambicioso e artisticamente estimulante.

Para escutar aqui mesmo:


Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
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