Morreu LaShawn “Big Shiz” Daniels, nome fulcral do r&b dos 90s e 2000s

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTO] Direitos Reservados

Compositor quintessencial de r&b, LaShawn Daniels morreu esta quarta-feira, na sequência de um acidente rodoviário fatal na Carolina do Sul, conforme declarado pelo seu publicista JoJo Pada à CNN. “É com tremendo sofrimento e profunda tristeza”, pode ler-se no anúncio da esposa April Daniels nas suas redes sociais, “que anunciamos o falecimento do nosso adorado marido, pai, membro de família e amigo”.

Nascido LaShawn Ameen Daniels a 28 de Dezembro de 1977, em Newark, cidade do estado de Nova Jérsia, o letrista conhecido por “Big Shiz” tornou-se um dos pontos de referência na história do r&b. Fê-lo em conjunto com o amigo Rodney “Darkchild” Jenkins, dupla responsável por escrever várias páginas sagradas no cancioneiro dos anos 90 e 2000. Um de dois êxitos que concebeu para o grupo vocal Destiny’s Child, “Say My Name”‌‌ (sendo o outro “Lose My Breath”), garantiu-lhe um GRAMMY para Melhor Canção r&b.



O impacto de “Big Shiz” transcendeu os versos e as melodias, ao também modelar o influente estilo vocal de Brandy em Never Say Never e Full Moon. Co-produtor executivo desses discos seminais, Daniels impulsionou os graves profundos, os melismas e a sobreposição de camadas que deram a Brandy o título de “Bíblia Vocal”.

Filho de pai pastor, Daniels cresceu numa família dedicada à igreja, assumindo as funções de contínuo, arrumador e corista, ao lado da mãe e dos irmãos. É neste período que aparece o chamamento: “Comecei com tenra idade e tornou-se uma paixão para mim quando comecei a perceber como respondia a certas músicas”, recordou à Parle Mag em 2018. “Foi então que soube que tinha, de alguma forma, de fazer parte disso.”

No início da década de 1990, o songwriter fomentou o talento da escrita ao serviço do cantor Joe, antes de ser recrutado por Jenkins. Uniram esforços na empreitada Darkchild Entertainment e conheceram Brandy, cantora e actriz juvenil com receio de gravar o sucessor do seu exitoso disco de estreia de 1994. Materializa-se em Never Say Never, sob a batuta de Daniels e Jenkins‌, que nele assinam o colossal “The Boy Is Mine”. Desenhado como experiência “audio-cinemática”, o tema de Brandy e Monica dominou as ondas de rádio e TV durante meses, tornando-se o terceiro maior dueto de sempre nos EUA e um ponto de viragem para todos os envolvidos. 



“[Eu e o Jenkins] éramos crianças. Não tínhamos ideia do que eram as tabelas de vendas”, recordou à The Fader. “Apenas sabíamos que adorávamos fazer música, tínhamos a oportunidade de trabalhar com uma artista excelente e não a tomámos por garantida.” 

O estímulo renovou-se ao longo dos anos seguintes, expandindo o portefólio com os nomes de Whitney Houston, para quem Daniels escreveu dois temas incluindo “It’s Not Right but It’s Okay”, Jennifer Lopez (“If You Had My Love”), Michael Jackson (“You Rock My World”), Toni Braxton (“He Wasn’t Man Enough”), Ciara (“Can’t Leave ‘em Alone”), Janet Jackson (“Feedback”)‌, e Lady Gaga e Beyoncé (“Telephone”). Em 2019, voltou a ser chamado ao estúdio por Brandy para a produção vocal do seu novo álbum.

Há seis anos, Daniels voltou a estar na corrida por um GRAMMY. A canção nomeada foi “Love and War”, desenvolvida com Tamar Braxton, em cujo reality show “Big Shiz” era presença regular, ao lado da esposa e personalidade televisiva April Daniels. 

O compositor lançou em Setembro de 2018 o seu primeiro projecto a solo:‌ um EP de gospel. Pode ser encarado como o fecho de um ciclo: regressou à sua casa de partida para a sua primeira e derradeira declaração artística em nome próprio. Contudo, recordá-lo no seu zénite será pensar no seu nome como um dínamo da colaboração. Um nome em associação ao panteão do r&b, onde LaShawn Daniels justamente pertence.


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