Monster Jinx: pensar fora da caixa, fazer fresco e apontar para o planeta internet

 

DarkSunn assume mais abaixo o papel de porta-voz do colectivo nortenho Monster Jinx e faz o balanço de sete anos de actividade, seis deles marcados por edições. Esta etiqueta, que conquistou lugar no mapa com o projecto Monstro Robot em 2009, tem quartel-general no Grande Porto, mas aponta para o planeta internet na hora de eleger uma base estético-geográfica enquanto alinha agulhas com agentes progressivos da galáxia hip hop e de outros corpos celestes circundantes. Com novas edições na rua – a compilação Roxo #01 e o EP Melange de DarkSunn – a Monster Jinx abre aqui o seu livro de estilo e antecipa os próximos capítulos da sua história.

 

Qual foi o impulso inicial que conduziu ao nascimento da Monster Jinx?
Nasceu quase por “necessidade”. A ideia de existir uma pequena indie label, quase comunitária, já andava a ser pensada há algum tempo antes da Jinx, mas o grande trigger foi Monstro Robot. Com a finalização desse álbum, ficámos a entender que nos era necessário ter uma plataforma onde o hip hop e derivados mais alternativos que andávamos a produzir tivessem o necessário escape. Um orfanato, por assim dizer. Ao pensarmos nisso para Monstro Robot, fez todo o sentido pensarmos nisso não só para um projecto, mas para um conjunto de projectos que estavam a nascer e ainda iriam nascer. Fomos agregando artistas com a mesma visão desde aí.

Quais diriam ser as linhas orientadoras da identidade da vossa editora?
A principal linha é quase o somatório de todas as outras: a independência. Independência de correntes, de travões e até de estilos. O grande denominador na Jinx é que a música deva ser “fresca”. A segunda linha menos implícita é que a música será sempre disponibilizada de forma gratuita, independentemente da sua edição física ou não.

Sugestão de entrada no universo Monster Jinx: três títulos fundamentais do vosso catálogo?
Esta é a pergunta difícil, porque todos os nossos projectos são bem representativos do espírito e ethos da Jinx, mas diria Monstro Robot, que foi a génese a uma série de níveis para nós, Sorriso Parvo do J-K, que representa o trabalho com mais alcance que tivemos e a ROXO #01, porque mete os olhos no futuro imediato da editora. Mais uma vez, pergunta muito complicada, o catálogo já é extenso.

Monster Jinx. ©Direitos Reservados.

O que diriam, a nível internacional, que inspira a estética da Monster Jinx? Que produtores, designers, rappers, editoras seguem com mais atenção?
A Internet como cultura vai ser sempre um dos nosso pilares e quase um símbolo para o que somos, logo, é uma influência gigante, porque é quase uma linha vital para o que a Jinx representa. A nível de sonoridade, somos um misto. Cada elemento na Jinx acaba por trazer as suas próprias influências para a mesa, logo tens um melting pot gigante a esse nível. Mas nomes consensuais são a extinta Def Jux,a Soulection, a Brainfeeder, a Rhymesayers, a Stones Throw, a Warp, a Ninja Tune, toda a corrente LA Beats, Run The Jewels, Atmosphere, Earl, Tyler, Action Bronson, Kendrick, produtores como o Ta-Ku, Shlohmo, Hudson Mohawke, Flying Lotus… demasiadas influências para te dizer aqui. Há uma geração inteira de pessoas novas a fazerem música, design, arte no geral que nos influenciam enquanto artistas. Todas essas influências somadas acabam por servir de combustível ao que a Jinx é e faz.

Acabam de lançar a compilação Roxo #01 e um novo Ep de DarkSunn. O hip hop já não é a única coordenada que orienta as vossas viagens, certo? Falem-nos das sonoridades exploradas nestes lançamentos.
A Roxo #01 é a compilação que há muito andávamos a dever, mas que só agora vê a luz do dia. Representa o que somos actualmente a nível sonoro. Tal como o EP do DarkSunn representa também isso. Essa tal mescla de hip hop com a electrónica. Algo que é factual na Jinx é que todos os artistas que fazem parte do nosso colectivo vêm de uma base hip hop. À medida que todos se foram desenvolvendo, começaram a tomar novas influências, novas bases para o rap ou para a base instrumental que estavam a fazer. No fim, o tal produto final que está a ser feito por eles agora pode quase não ser reconhecido como hip hop por si, mas acaba por ter a sua ascendência aí. O que, na verdade, não é castrador, mas sim valorizado na nossa casa. Ou seja, já não somos uma label que edita hip hop e passámos, no nosso entendimento, a ser uma label que edita música sem géneros. Os últimos projectos que lançámos (podemos voltar a 2014 ao EP do Polido), retratam essa nossa mudança de paradigma. Não é pensar fora da caixa. Simplesmente não existe caixa. Outra vez, a música só tem de ser fresca.

Pistas para o futuro: quais os próximos episódios da saga Monster Jinx?
Um ano muito, muito cheio! Como disseste, o DarkSunn regressou aos originais com Melange, temos o dgtldrmr com o seu EP de estreia chamado Sudden Moves, temos também um novo recruta a ser apresentado em breve. Podem contar este ano com novo trabalho do NO FUTURE, novo trabalho do Ghost Wavvves, o novo álbum do J-K e mais uma série de novidades que estão a ser preparadas. O maior destaque deste ano vai ser a Jonster Minx na K7, projecto colectivo de originais da Jinx – não uma compilação – com os nossos rappers favoritos Stray, Pulso e J-K a tomarem conta das operações, servidos com as bases dos nossos produtores, contando ainda com alguns convidados de peso. E mais algumas surpresas ao longo do ano!

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu

Latest posts by Rui Miguel Abreu (see all)

Photo By: ©Direitos Reservados