Pôr a minha vida no teu ouvido: “O objectivo deles é levarem o nome do Rossi e o seu legado ao mundo”, diz André C. Santos, realizador do mini-documentário sobre os Wet Bed Gang

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Direitos Reservados

 

O trailer de Pôr a minha vida no teu ouvido colocou as redes sociais num pequeno rebuliço na noite passada e não é para menos: vem aí um mini-documentário sobre os Wet Bed Gang com realização de André C. Santos.

 


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O colectivo de Vialonga marcou o panorama nacional em 2016 com “Não Tens Visto”, banger certificado onde brilham Gson e Zara G – dois dos membros -, e músicas como “In Love” ou “Funge” ultrapassaram facilmente as centenas de milhares de views no YouTube. Apesar do impacto ainda ser recente, a história já é antiga. André C. Santos, realizador que já trabalhou com nomes como Carlão, Sam The Kid, Valete, Força Suprema ou Phoenix RDC, conta-nos como surgiu a hipótese de fazer este documento audiovisual: “Desde que o Rossi faleceu que tenho a intenção de lhe prestar uma homenagem, visto que partilhei uma boa parte da minha adolescência com ele. Era também muito chegado ao irmão dele, o Fábio Barbosa (‘Fabrizzy’), com quem mantive contacto e essa homenagem era um tema recorrente. No entanto, nunca consegui decidir que tipo de homenagem, a nível visual, é que lhe podia prestar. Cheguei a falar com o Fábio sobre fazermos um videoclip ou talvez um vídeo experimental, mas o estilo de vídeo ficou sempre por decidir porque queria ter a certeza que era uma homenagem marcante, tal como o Rossi foi. No final do ano passado, o Gson veio falar comigo para saber a minha disponibilidade para filmar o primeiro concerto da Wet Bed Gang em Lisboa, dia 6 de Janeiro no Titanic Sur Mer. Eu aceitei e surgiu a ideia de filmarmos também o backstage do concerto, o que depois evoluiu para filmar o caminho para o concerto e rapidamente escalou para ‘e se começássemos a filmar dois dias antes do concerto?’. E foi assim, numa espécie de epifania, que surgiu a ideia de contar história da Wet Bed Gang que em tudo está ligada com a história do Rossi. É impossível falar de WBG sem falar do Rossi.”

 


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Rossi, o nome que uniu os Wet Bed Gang, desapareceu aos 28 anos, mas a morte dele foi o principal impulso para que Zizzy, Kroa, Gson e Zara G chegassem onde chegaram. “O fio condutor do mini-doc e aquilo que quero mostrar às pessoas é a força que os ‘putos’ tiveram depois da morte do Rossi, não só para não abandonar o projecto que ele começou, mas para o elevarem a uma escala que se calhar nenhum deles achou possível no início. O objectivo deles é levarem o nome do Rossi e o seu legado ao mundo. Voltando um pouco atrás na história de Vialonga, quando os actuais membros da WBG começaram a rimar, faziam-no individualmente e sempre que lançavam um som, este era um feat. entre dois ou mais rappers. O que o Rossi conseguiu foi uni-los a todos no mesmo projecto porque uma das coisas a que ele mais dava valor era a união entre as pessoas. E foi assim que começou a WBG. Resumindo, o Rossi não é o fio-condutor mas é, sem dúvida o ponto-de-partida”, elucida-nos o realizador.

“A principal dificuldade que encontrei não se prendeu muito com a música, porque este documentário não gira à volta das músicas que eles fazem, mas sim à volta dos valores que o Rossi lhes deixou. Então, o mais difícil foi mesmo arranjar imagens de arquivo de quando tudo começou”, esclarece André C. Santos.

 


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O trabalho que fez com grandes nomes do rap nacional deixa o “maestro” por trás do documentário com algum crédito para falar sobre o talento do quarteto: “Musicalmente falando, acho que a característica principal que todos os membros da WBG têm é a versatilidade. A energia que eles têm em palco é, na minha opinião, algo que eu não sentia desde Da Weasel (volto a reforçar que esta é apenas a minha opinião). São uma das grandes referências deles a nível de atitude e energia. Depois vem o ponto mais importante para mim, que tento mostrar no documentário: a força de vontade, a determinação e a irreverência que eles têm.”

Os passos dados pelo grupo têm sido cautelosos e, aparentemente, pensados ao pormenor. A estreia do documentário não poderia ser diferente: “Vou fazer uma ante-estreia no dia 21 de Fevereiro, no Salão Nobre em Vialonga. O Rossi faria nesse dia 31 anos. Posteriormente, o doc vai ser lançado online, não tendo ainda uma data definida. Depois, a minha intenção é enviar o ‘Pôr a minha vida no teu ouvido’ para exibição em alguns festivais”, conclui André C. Santos, acrescentando que “o espaço da ante-estreia foi cedido pela Junta de Freguesia de Vialonga como um apoio à divulgação do mini-doc”.

O trailer, que pode ser visto mais em baixo, tem um ingrediente especial: “Todos Olham” é uma música ainda por lançar que pertence a um EP que irá sair em breve. Fiquem atentos!