Mike El Nite sobre Inter-Missão: “É um convite aos ouvintes para estarem dentro da minha experimentação”

[ENTREVISTA] Rui Miguel Abreu [FOTOS E CAPTAÇÃO DE VÍDEO] Sebastião Santana [EDIÇÃO DE VÍDEO] Luis Almeida

Mike El Nite acaba de lançar Inter-Missão, o seu primeiro projecto com o selo da Think Music. J-K, Rita Vian, Sippinpurpp, Fínix MG e Catarina Boto são os convidados do disco/banda desenhada que sucede a O Justiceiro, o seu álbum de estreia, que saiu em 2016.

DWARF, Maria, Lewis M, Ice Burz, benji price e Osémio Boémio assumem a produção com o auxílio do próprio Miguel Caixeiro. Para a BD, o rapper e produtor de Telheiras chamou Miguel Peres (argumento), Marcus Aquino (desenho), Joana Oliveira (trabalho de coloração) Ivan Rego (legendagem).

A conversa do Rimas e Batidas com Mike El Nite não poderia ter acontecido num sítio mais adequado: a Kingpin Books, loja de banda desenhada em Lisboa. Sentado no meio dos livros, o artista falou sobre a vida pós-O Justiceiro, o seu papel no hip hop tuga ou os seus comics favoritos.

 



Começamos por recuar até ao momento da edição d’O Justiceiro e de tudo o que se seguiu. De que forma esse momento marcou a tua carreira?

Foi o meu primeiro longa-duração. O meu primeiro álbum físico. Foi um momento incrível para mim. A NOS Discos proporcionou-me isso e foi brutal. Foi um disco com mais ou menos uma só direcção porque foi todo produzido pelo Dwarf, a meias comigo. Ainda bem que assim foi, porque era um statement de “eu sou o Mike El Nite. Este é O Justiceiro. Isto é a minha cena”. Foi uma boa forma de me introduzir no game. Depois disso adveio o sucesso, que foi bem nice. Houve grandes reacções ao disco e eu diria que o culminar, após o release, foi mesmo o concerto no Super Bock Super Rock, no mesmo dia que Kendrick Lamar e Slow J… Foi um grande dia.

E foi aí que começou a história do teu capítulo seguinte, mas já lá iremos. Ainda nos domínios d’O Justiceiro, o que é que tu achas que esse disco fez pela tua posição dentro do hip hop tuga? Se imaginarmos um mapa para esta cena, onde é que tu achas que ficaste posicionado depois da edição do teu álbum?

Eu acho que foi uma afirmação como um artista sólido, e não só um artista que está aí e “vamos ver como é que acontece”. Acho que foi “ok, ele está aqui e lançou um disco sólido”. É um trabalho com registo de autor, com uma linha. É uma coisa bem trabalhada, bem pensada. Como qualquer primeiro álbum de um artista deve ser. Foi uma maneira de eu me estabelecer numa posição mais ou menos definitiva, ou pelo menos garantida para já, como um dos nomes a ouvir dentro do panorama do hip hop nacional.

E achas que te posicionas entre escolas — uma escola veterana e uma nova escola — ou tu formaste a tua própria escola?

Eu acho que isso foi definido com a minha data de nascimento e não com o meu disco [risos]. Eu cresci com a velha escola, e novo o suficiente, pelo menos mentalmente, para estar completamente aberto à nova escola. Acho que isso é latente no meu trabalho, desde o primeiro momento. Tenho várias influências, não só do hip hop — também de electrónica e outros estilos —, e isso depois reúne-se tudo na panela do projecto Mike El Nite, que basicamente é um pouco das duas coisas. Eu respeito os valores da velha escola do hip hop e adoro a nova estética e adoro ser surpreendido e surpreender-me a mim próprio através de novas ideias, novas imagens, novos sons. Acho que tenho um pouco das duas coisas e estou entre as duas gerações.

Se a memória não me falha, 16 de Julho de 2016 é a data que tu referes da apresentação do teu trabalho no Super Bock Super Rock. Nesse dia, nessa altura, já tinhas ideia de como é que iria ser o teu trabalho seguinte?

Nem por isso. Estava a desfrutar ainda d’O Justiceiro. Tinha uma ideia para o trabalho a seguir a’O Justiceiro, que depois acabou por ficar em stand-by. Coisas aconteceram e, dessas coisas que aconteceram, começou a nascer outra coisa que não era o que eu tinha imaginado, mas sim um novo episódio entre O Justiceiro e isso que eu tinha imaginado.

Isso que tu tinhas imaginado, nada dirá que não irá acontecer…. certo?

Provavelmente irá acontecer.

Quando é que a ideia ficou mesmo definida e clara na tua cabeça?

Levou algum tempo. Porque eu, até bastante tempo depois, estava com a ideia de que ia fazer o disco que tinha na minha cabeça — a sequela d’O Justiceiro, a nível de storyline. O Mike El Nite é uma personagem e existe uma timeline a contar essa história. Mas este trabalho que eu vou lançar agora começou a materializar-se. Eu tinha um ou dois temas soltos. Começou a materializar-se numa altura algures entre a minha queda aparatosa de bicicleta e o facto de eu ter recebido uma banda desenhada, cujo argumentista é o Miguel Peres — que é também o argumentista desta banda desenhada que eu estou a desenvolver agora com ele —, com uma dedicatória a mim e ao meu trabalho, a dizer que era uma inspiração para ele. Começámos a contactar, pensámos em fazer um projecto em conjunto e foi daí que surgiu a ideia. “Se calhar eu devia reunir músicas que tenho e fazer mais sobre esta fase da minha vida, que foi um tanto ou quanto atribulada. Reunir isso e juntar a uma peça física que é um livro de banda desenhada, que conta mesmo a história”. Ou seja, o disco vem acompanhar a BD e vice-versa. Não são necessariamente todas as páginas a ilustrar a música. Está aqui, a Inter-Missão. É como se fosse um episódio alternativo à minha storyline principal.

O teu Mundo Bizarro, como nas histórias do Super-Homem.

Se calhar para o pessoal que está mais habituado a este imaginário é mais fácil de compreender. Há uma storyline principal, que são os meus álbuns mais conceptuais e à volta da cena de Mike El Nite, e aproveitei toda esta conjuntura das coisas que me aconteceram e desta ideia da BD para fazer quase uma side story. Uma side quest da quest principal.

Tu acabaste de descrever Mike El Nite como uma personagem. Quem é que deu a queda da bicicleta? O Mike El Nite ou o Miguel Caixeiro?

O Miguel Caixeiro caiu de bicicleta. O Mike El Nite decidiu transformar isso em música. É sempre… Não sei qual é a percentagem, se é 50/50 ou não. Mas é óbvio que é auto-biográfico. O que eu quero dizer com “personagem” é que há espaço para coisas que não têm necessariamente de ser reais. Há extrapolação, há exagero. Isso é ok, porque é uma personagem.

Falando da vida real: o que é que tu sentiste naquele momento? Como diriam as gerações mais velhas, viste a vidinha a andar para trás? O que é que isso mudou no teu olhar sobre a vida?

No momento não senti nada porque apaguei [risos]. Depois acordei, fui para o hospital e só me começou a cair a ficha quando estava em casa, impedido de sair. Não conseguia estar mais de duas horas em pé. Estava em casa sem fazer nada, uma grande seca. Já estava farto de jogar jogos de computador, já nem isso me entretinha. Comecei a pensar na efemeridade — não só da vida, da fragilidade da vida —, da sorte e do azar. Nessa efemeridade e fragilidade da vida, pensei também na efemeridade e na fragilidade das carreiras musicais, das carreiras artísticas. Comecei a pensar muito sobre o que é que eu queria fazer. Se me queria definir como artista, se queria ser só mais um rapper. Como é que eu me vou distinguir das outras pessoas? O game está completamente overwhelmed de artistas e a competição é muito forte. Então comecei a tentar encontrar um espaço meu, quase um safe spot para mim, onde eu pudesse ser eu com menos filtros. Com menos daquelas coisas de “ah, eu sou rapper, tenho de encaixar em certas gavetas, fazer as coisas de determinada maneira, ter um discurso ‘x’ ou ‘y’”. Sentei-me ao computador e comecei a fazer músicas de outra maneira. Em vez de receber um beat e escrever versos e pensar só em punchlines e dicas bué fortes, comecei a pensar “deixa-me escrever uma música sobre a minha queda de bicicleta”. Vou dar-lhe sempre o meu twist de rapper, porque na verdade a música é sobre as pessoas nunca prevenirem e remediarem sempre. Bora lá fazer isto. Comecei a tocar umas linhas de piano e “agora em vez de fazer rap vou uma música aqui”, com os versos mais curtos a nível de conteúdo lírico, mais simplificados, vou experimentar fazer um refrão com melodias. Desconstruir a fórmula do que eu tinha feito antes, por exemplo n’O Justiceiro, em que era tudo feito da mesma maneira. Senti uma necessidade de fazer as coisas de maneira diferente e isso, de maneira orgânica, levou a essa diferenciação. Eu senti que me estava a diferenciar do resto. Se calhar aqui estou a criar uma cena minha, uma marca minha.

Estás a descrever-te como uma carta fora do baralho. A carta fora do baralho é o Joker. É esse o teu papel nesse baralho cada vez mais rico, com cada vez mais trunfos, do rap português?

Isso é um grande statement, ser o Joker. Em alguns jogos vale mais mas noutros não serve para nada. Mas eu sou um joker, sem dúvida. Porque eu estou a falar de uma coisa meio trágica mas sempre com sentido de humor. Sempre tive isso desde início e essa linha mantém-se no meu discurso. Tenho uma ligação grande à comédia, por causa do meu pai. É interessante ver como isso se reflecte no meu trabalho. Não estava propriamente a pensar “eu quero ser a carta do baralho, eu quero ser especial”. Eu quero ser o que mais ninguém consegue ser, que é ser eu próprio. É mais por aí.

Tenho a tua BD na mão. Quais são os teus superpoderes, ou que superpoderes assumes aqui?

Na verdade, é engraçado porque eu não tenho super poderes [risos]. Eu tenho um fato de super-herói, estou num universo bué cósmico, mas não tenho superpoderes. O meu único superpoder é a resiliência e a capacidade de sobreviver às malapatas da vida, digamos assim. Mas isso é um superpoder… É um poder normal, que toda a gente deve ter ou procurar ter. Eu acho que isso é uma forma de eu me auto-inspirar e de tentar inspirar os outros. Toda a gente passa por dificuldades, mas com o nosso poder de resistência humana podemos superar as coisas. Pensar que as coisas vão melhorar.

Não te vês como tendo um superpoder sobre as palavras, por exemplo? De manipular a caneta sobre o papel ou do dedo sobre o ecrã do telemóvel (não sei como é que escreves…) Não sentes que tens um domínio sobre as palavras e que isso possa ser um superpoder?

Claro que sim. Acho que toda a malta que escreve sente isso. Tal como toda a malta que desenha sente que tem uma capacidade extra, de desenhar melhor do que os outros. Pode ser um superpoder, sim. Mas esta coisa toda do Mike El Nite tem um bocado dessa vibe dos super-heróis. Sempre adorei este imaginário. O próprio Mike El Nite é um super-herói, embora ele não tenha poderes. Quem tem poderes é o carro. Nesse sentido, sim. Posso encarar isso como um superpoder. Mas não é o superpoder principal que está escrito nesta história. Esse é o de ultrapassar dificuldades.

De se levantar quando cai?

Exactamente.

Fala-me do lado musical deste projecto. Há aqui alguns encontros inéditos, que ainda não tinham acontecido na tua carreira. Como é que foi na hora de escolher a música em cima da qual querias meter as tuas palavras?

Foi curioso porque houve vários inputs diferentes. Eu até há bem pouco tempo estava a pensar como é que ia fazer isto tudo colar. Começaram a aparecer instrumentais mais ligados aos produtores da Think Music, como o Osémio Boémio ou o Ice Burz. Tenho um tema produzido pelo Dwarf, que para mim fazia sentido, porque é uma continuação d’O Justiceiro e a entrada de uma coisa nova. Tive o input do J-K da Monster Jinx, que trouxe um instrumental do Maria. Recebi um instrumental do Luís Montenegro, dos Salto, e mais tarde fui ter com ele para ele tocar em cima de uma coisa que eu tinha composto em casa sozinho. E também existiram momentos para eu fazer as coisas sozinho. Eu comecei a fazer os temas e pensei “como é que isto tudo vai colar?” São muitas vibes diferentes. Mas com o desenvolvimento da banda desenhada e com o desenvolvimento das músicas em si, comecei a ver as coisas montarem-se e com o trabalho incrível do benji price conseguimos colar tudo para que a coisa fizesse sentido. De certa forma, assumi a questão de não haver uma regra ou uma linha musical. As coisas aqui podem andar de um lado para o outro e não interessa porque estamos dentro da minha cabeça e isto é quase uma viagem a um sonho. Tentei não impor muito essa limitação a mim, ao contrário d’O Justiceiro, em que eu quis mesmo que as coisas — todo o álbum — tivesse uma estética. Aqui a questão é mesmo a liberdade, o arco-íris e as cores todas. Estamos a experimentar e isso é ok. É um convite aos ouvintes para estarem dentro da minha experimentação.

Usaste essa palavra que é muito importante, que eu acho que classifica — se não todo — alguns dos momentos deste… Como é que lhe estás a chamar? EP, álbum, disco?

Disco, trabalho. É um disco e uma BD. Chamem-lhe o que quiserem. [risos] É um release.

 



Há aqui uma certa fuga à normalidade, uma vontade de experimentar terrenos novos. De arriscar, digamos assim. Sentes isso também?

Sim, claro. Essa fuga é não só musical, mas também mental. Para eu encontrar uma solução para as minhas questões existenciais, eu precisava de mudar o jogo. Mudar a maneira de como estava a fazer as coisas. Sem dúvida que há essa fuga. Mas todos os artistas vêem a sua arte como uma forma de escapismo. Não só da realidade, mas daquilo que os atormenta. Neste disco quis levar isso a um nível mais alto. Procurar mesmo esse escapismo e essa resolução de problemas através de fazer os temas. Até de uma forma mais honesta e mais transparente do que fiz antes.

Como é que achas que o público — se é que existe um público-tipo — da Think Music vai encaixar este release, como tu dizes?

Eu estou muito curioso com as reacções dos dois públicos-alvo que eu, mais ou menos, tinha na cabeça. Temos o público da Think Music — isto é um release Think Music e é normal que muita gente desse espectro vá ouvir — e temos o outro público, que era o que eu já trazia. E o público do hip hop em geral. Acabam por ser três. Acho que as reacções vão ser um bocado contrárias, uns de um lado e outros do outro. Mas estou confiante na qualidade do trabalho. Mas não consigo adivinhar, mesmo. Acho que vai ser muito interessante ver essas reacções. O que eu acho é que dentro do disco, e embora não seja um disco de 12 ou 13 músicas, acho que há músicas para todos. Para os que gostam de lírica, para os que gostam de melodia, para os que gostam de turn up, para os que gostam de coisas mais sentimentais e calmas. Porque eu gosto disso tudo, e então porque não fazer isso tudo?

Já iremos abordar o disco tema a tema. Em relação à BD, como é que foi o processo? Foste olhando para as coisas prancha a prancha ou apresentaram-te isto já terminado?

O Miguel Peres disse que ia arranjar uma equipa e assim o fez. Arranjou um ilustrador brasileiro, que é o Marcus [Aquino]. O Marcus foi-nos mostrando as pranchas. Tínhamos um grupo no Facebook em que ele ia mostrando. Eu estava sempre em cima da cena, a dar a minha opinião. Eles foram extremamente receptivos ao meu input, que para mim é importantíssimo, porque sou um bocado control freak com os meus projectos — mas acho que qualquer pessoa que tenha a sua marca assim o deve ser. Fomos ajustando o argumento, fomos ajustando os desenhos. Foi um processo brutal, eu ver as pranchas a nascerem com a minha cara…

Viste mais músculos?

Não, não [risos]. Foi logo muito musculado desde o início. E magro. Foi muito flattering, na verdade.

E já mandaste fazer uma ampliação para meteres na sala?

Ainda não. Mas entrei aqui e vi algumas pranchas desse género… Comecei a pensar seriamente nisso. Talvez até para vender ao pessoal que queira. Mas foi um processo incrível. Mais tarde entrou a Joana Oliveira para colorir. Para fazer as legendas foi o Ivan Rego. Depois podem ler os créditos e os agradecimentos a esta gente toda. Foi brutal. Toda a gente trabalhou muito bem. No final só tinha mesmo que dizer “obrigado”. Eu sempre sonhei em estar dentro de uma BD. Isto é um soño de niño, como diz o Ronaldo.

Quais eram os teus comics favoritos? Eras mais Marvel ou DC?

Era maioritariamente Marvel. Mas eu tive fases. Comecei com Marvel, também porque era a mais acessível. Depois a DC também entrou — na altura era com a morte do Super-Homem, grande cena. Tive a fase Sin City também. Tive várias fases. Havia uma editora que era a Image [Comics], tinha umas coisas assim mais alternativas e que também eram fixes. Depois tive o meu curso de Desenho Animado, na ETIC, em que também tive aulas de banda desenhada. Eu sempre estive muito ligado a esse universo, que é um universo que vai colar também com o universo de jogos de computador… Um universo nerd. A cena sci-fy. Quis ter isso latente no meu trabalho. N’O Justiceiro isso está latente e aqui ainda mais. Por mim, continua a estar. A nível artístico e visual é um universo que me agrada muito. E permite que eu tenha este personagem que está sempre em aventuras.

Quase que diríamos que tudo isto inevitavelmente vai parar um dia ao grande ecrã. Já te passou pela cabeça uma coisa desses?

Adorava. A nível de budget isso é uma coisa um bocado ambiciosa. Mas… Se eu tiver as ferramentas para isso, porque não? Pode ser o próximo passo.

Como é que vai ser distribuído o Inter-Missão, uma vez que é um formato diferente?

Plataformas digitais para os áudios. Se quiserem o formato físico, o livro vem numa sleeve e vem com o CD lá dentro. Ainda não tenho o formato físico mas está a chegar. Talvez até venha com um rebuçadinho ou outro como bónus. E é isso. Vai ter o valor de um CD normal mas tem o disco e a BD. À partida vão ser encomendas feitas através das redes sociais ou do e-mail. E vou ter também algumas cópias disponíveis na Kingpin Books, aqui na Rua Almirante Reis, que é uma loja brutal. Hit me in the DMs.

Sei que o disco só vai sair agora, mas imagino que já estejas a projectar os próximos passos. O que é que se vai passar? Há a edição, há um vídeo… Haverá mais vídeos? Como é que isto se vai manifestar em termos de concertos?

Para já, no dia 2 de Fevereiro, vou apresentar o disco no Estúdio Time Out, à partida. A nível de vídeos, vai sair o vídeo do single. Eu tive uma má experiência a lançar vídeos de temas que já tinham saído, com O Justiceiro. Não sei se vou fazer isso neste disco. É um bocado o investimento de recursos e que, possivelmente, não terá tanto impacto. Mas não digo que não a nada. Se calhar, depois deste capítulo ter passado, posso voltar à minha linha temporal normal e continuar a trabalhar no novo projecto. Com calma, com cabeça, com a bagagem que trago deste projecto — das experiências e das maneiras novas de encarar a produção.

Em cima do palco, vai haver alguma novidade?

Talvez. Ainda estou a pensar como é que vou fazer isso. Mas talvez. Porque alguns temas pedem, se calhar, mais coisas. No entanto, eu tenho de arranjar um formato sustentável. Vai ser por aí. Ainda vou decidir isso tudo. Mas para já, 2 de Fevereiro. Guardem a data.

 


Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu