Mike Bek sobe ao palco do Musicbox para apresentar Oversight

A grande novidade da noite OpAmp \/\/\ MUSICBOX BIRTHDAY WEEK que acontece hoje, dia 3 de Dezembro, no conhecido clube do Cais de Sodré é a estreia do EP Oversight, o filho mais novo de Mike Bek. Na noite que marca o início da celebração do 9º aniversário do Musicbox, o jovem produtor vai estar a mostrar o que vale em formato live, auxiliado pelos seus sintetizadores e por Ghost Wavvves, Photonz e V i L, os artistas que assinam as remisturas deste novo EP.

O techno é cabeça de cartaz, mas não vai brilhar sozinho até porque Mike Bek assume que a sua maior preocupação é a “exploração de sonoridades diferentes”. É por isso que une o gosto pela composição musical com o gosto em tocar instrumentos de palco ao vivo. A noite vai ter espaço para toques de blues, notas de jazz e sonoridades de rap.

Ghost Wavvves, que representou Portugal este ano na RBMA de Paris, vai ser o primeiro artista a actuar, apoiado numa vertente mais hip hop. “O contraste com as restantes faixas do EP é óbvio e propositado, fortalecendo as raízes do hip-hop que Mike Bek nunca quis perder” pode ler-se no press release. A partir das 02h30 da madrugada, o público ficará entregue a Photonz, uma das mentes por trás da nova Rádio Quântica criada a partir de Londres. Photonz é visto como “um dos maiores embaixadores da música electrónica nacional no Reino Unido”. O fecho da noite ficará a cargo de V i L, fundador do colectivo WARFACE LISBOA.

O produtor conta já com dois EP no portefólio, Sleepless Nights e Legacy, ambos lançados pela editora nacional Extended Records. Mais recentemente colaborou com o produtor Holly em Clouds EP. 

 

Qual é a essência do EP Oversight? O público pode esperar uma abordagem mais clubbing?

Oversight é maioritariamente composto por realidades obscuras e distorcidas e de sensações específicas. Tentei com este EP focar-me sobretudo em texturas e ritmos que deixassem o corpo exprimir-se, não necessariamente no clubbing na sua forma mais tradicional do 4×4, mas idealizo que as músicas levem as pessoas a dançar.

Oversight conta com remisturas de Ghost Wavvves, Vil e Photonz. Como surgiu a ligação com cada um deles?

Foi de certa forma uma selecção para dar as nuances que queria ao EP, quer de diferentes andamentos como de texturas que no fundo preenchem Mike Bek. A vertente mais hip hop do Ghost Wavvves, a visão mais exótica e enérgica do Photonz e o minimalismo obscuro e tenso de V i L. É como um principio, meio e fim de noite, daí todos eles fazerem sentido no mesmo line-up de apresentação do EP.

Todos têm dado cartas e levado o legado da música electrónica feita por portugueses mais longe. Ghost Wavvves foi o representante português este ano na RBMA de Paris e Photonz criou a nova Rádio Quântica a partir de Londres. Os produtores portugueses estão a ganhar espaço lá fora?

Como em qualquer área em Portugal, a música electrónica praticamente só tem visibilidade cá dentro quando apreciada lá fora. Por vezes sinto que cá não há grande interesse em ouvir algo novo, ou pelo menos em apostar de forma mais arrojada em projectos diferentes. Há grandes produtores e editoras nacionais, mas muitos deles foram reconhecidos lá fora primeiro antes de serem convidados para grandes clubes e eventos cá dentro. Alguns já nem vivem cá exactamente por isso. Por falar na Rádio Quântica, só aí se vê a quantidade de gente com qualidade que há em Portugal.

Esta emigração musical de artistas é o reflexo directo das barreiras que enfrentam no mercado português?

Barreiras, estagnação e por vezes alguma preguiça. Há um bom produto mas não se consegue potenciar tanto ou tão rapidamente se se ficar só por aqui, também pela dimensão “dos circuitos”. Há poucos clubes e o meio da música electrónica é muito reduzido, tal como noutros sectores artísticos como a dança ou o teatro, o cinema, etc…

Blues, hip hop e sintetizadores distorcidos não costumam figurar na mesma faixa. Como é que o teu estilo se foi desenhando?

Não há propriamente uma receita, nem um plano, simplesmente fui incluindo diferentes caminhos e influências que queria explorar e isso acaba por se unir tudo e resultar na sonoridade actual de Mike Bek. A ideia é continuar a explorar sempre coisas diferentes e adicionar novas experiências à sonoridade já existente.

Já fechaste acordo com alguma editora?

Não. Desta vez decidi lançar de forma independente. Desde o Legacy que a minha maior intenção era oferecer a música às pessoas. Agora, desta vez das duas uma: lançava a minha música por uma editora que me desse boas contrapartidas em potenciar e dirigir o meu som para as pessoas certas, ou então, lançar por mim, disponibilizando gratuitamente o EP para toda a gente. Em principio vai existir um versão física do EP mas é algo que ainda não consigo confirmar.

O EP foi apresentado no programa da Antena 3 Purpurina (ouvir aqui), com o Rui Estêvão, ocasião aproveitada para divulgar o terceiro nome a colaborar com uma remistura. A divulgação do single de Sleepless Nights correu bem em 2013 e quiseram repetir o lançamento oficial no mesmo programa?

A Antena 3 é uma rádio de referência na música electrónica alternativa, ainda mais depois desta grande “remodelação”. Há cerca de três anos que vou partilhando as minhas músicas com o Rui, e ele é um dos poucos “entendidos” que me apoiou desde o início e que tem acompanhado de perto a minha evolução e como tal foi a minha primeira escolha para a apresentar Oversight em primeira mão!

Tens surpresas preparadas para a actuação no Musicbox?

Tenho algumas. Mas não diria que a festa esteja carregada de surpresas. O maior destaque desta noite, na minha opinião, é a linha condutora de sonoridades que se vai poder ouvir ao longo do meu live em particular e da noite toda no geral.

Quem é Mike Bek? Que influências te desenharam e que caminhos projectas para o futuro?

Não me é muito fácil de fazer um auto-retrato, mas diria que Mike Bek é um produtor que tem como maior preocupação a exploração de sonoridades diferentes. Apesar de não produzir só para mim, a ambição é sempre tentar fazer algo único.