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Miguel no NOS Primavera Sound: um performer como existem poucos…

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Hugo Lima

A viagem de Lisboa até ao Porto não teve música – culpem a falta de bateria do telemóvel – , mas, para quem não se consegue distrair com headphones nos ouvidos ou dormir, tudo se torna mais relevante e interessante. “Quero ver King Gizzard & the Lizard Wizard e Skepta”, diz-se na parte de trás do autocarro. A atenção está retida na conversa alheia e a primeira lição a retirar está registada: as novas gerações não colocam barreiras entre géneros musicais e conseguem deambular entre o rock psicadélico e o grime sem pudor nem peso na consciência. É a geração shuffle, meus senhores.

Coroas de flores, coroas de flores e adivinhem: coroas de flores. Já sabem onde estamos? Sim, no NOS Primavera Sound, o festival mais parecido com o Coachella que temos por terras portuguesas. Final de dia com o sol a bater no público e o palco principal pronto para receber a primeira estrela da jornada: Miguel.

Rock, r&b e muita sensualidade. Prince – que, se estivesse vivo, festejaria 59 anos ontem – estaria orgulhoso do que se passou no Parque da Cidade. Ladeado por baterista, baixista e guitarrista, o cantor de Inglewood, Los Angeles, ataca o microfone com a ferocidade e sensibilidade que se pede aos grandes nomes. “Do you like drugs?”, atira. Pelos gestos corporais do público que vai balanceando o corpo à nossa volta, parece-nos que a própria música de Miguel tem essa função narcótica.

Pour up, drank, head shot, drank“, ouve-se no sistema de som do palco NOS. O sample de “Swimming Pools”, hino de Kendrick Lamar, é carregado por riffs pesados e o Porto aproxima-se da Califórnia por instantes. Na mesma onda, “Hollywood Dreams”, faixa retirada de Wildheart, é mais um exemplo da capacidade exímia dos músicos que acompanham a estrela norte-americana. Bounce no baixo e na bateria e rasganço total na guitarra.

Para quem nunca viu Miguel ao vivo, nós descrevemos: Um performer à moda antiga que dança, cativa e sorri em todos os instantes, um verdadeiro Don Juan que utiliza o r&B a seu bom proveito. Por momentos, ouvimo-lo pedir uma “positive change”. Momentos depois, entrega-se no momento mais sereno em palco – a sensibilidade desarmante de Frank Ocean apodera-se do corpo do artista por momentos.

“Adorn” é o grande single e o momento alto do concerto. A audiência rendida a um mestre no palco como existem poucos hoje em dia. “Show love to receive love“, evangeliza-nos mais uma vez. Um sonhador a utilizar a plataforma que tem para patrocinar a paz.

O sol começa a ir embora e Miguel também. Mas isto ainda agora acabou de começar…

 


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