MEO Sudoeste’19 – 10 de Agosto: o Verão quente de Biya ainda agora começou

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Manuel Casanova | Íris Cabaça / World Academy

It’s a hot girl summer“. Megan Thee Stallion, uma das rappers em grande destaque nos Estados Unidos da América, deu o mote para o Verão de 2019 e o MEO Sudoeste, voluntariamente e involuntariamente, acabou por aderir. Se o significado, segundo a sua própria criadora, é algo como fazer-se o que se quer sem se ralar com o que os outros pensam, Chong Kwong, Blaya, Mynda’Guevara e Biya, nomes que passaram pelo festival, representam, de formas diferentes, essa maneira de estar e pensar.

A última, uma das responsáveis por fechar a programação da edição deste ano do Palco LG by Mega Hits, está em pleno desabrochamento: depois de editar o EP Listen to Me em 2018 e de se juntar à Real Caviar de Agir no mesmo ano, a artista encontra-se a preparar a sua primeira mixtape, que, ao contrário do que já lançou, será toda em português. Primeiras impressões: a mudança de idioma parece ter sido uma escolha acertada — “Pablo” e “Carrossel”, entre outras, mostraram que existe uma naturalidade diferente na hora de cantar e rimar que só lhe poderá trazer benefícios a longo prazo.

Adriano Di Mulo (teclas), Alex Reis (bateria) e Gabriel Salles (baixo) ficaram na retaguarda e interpretaram o que se espera serem, nas suas versões de estúdio, instrumentais mais inclinados para uma mistura de trap com r&b. Nas canções já conhecidas (“Tell Me”, “Wake Up”, “Sober” — com direito a subida a palco de James dos Reis –, “Paper”, “Over You” e “Wait a Minute”), a banda (que também tem Bruno Abreu a servir de hype man) não soou intrusiva, entendendo a estrutura dos beats originais. E, com uma equipa preocupada com o detalhe, não há falha que se torne desconfortável, nem faixa pré-gravada que se intrometa na sua própria interpretação.

Como aconteceu em algumas situações, o início da actuação fez-se com um punhado de pessoas a ver, mas rapidamente o cenário mudou de figura, juntando-se um considerável número de curiosos à frente de um dos palcos que dá destaque aos novos talentos da música portuguesa. Apesar das críticas (algumas justificadas, outras não) à menor preocupação com a música em si e mais com a experiência no todo, ainda há a oportunidade de assistir in loco ao nascimento de potenciais estrelas.

Ontem, o cartaz foi, e faz sempre sentido ressalvar, dominado pelo sexo feminino: Rita Ora, Joss Stone, Carolina Deslandes, Tainá, MARO, IRMA e Biya dividiram-se pelo Palco MEO, Palco LG By Mega Hits e Palco Santa Casa.