Meek Mill // Championships

[TEXTO] Moisés Regalado

Vale a pena começar pela conclusão: ao quarto major álbum, Meek Mill continua a ter tanto de genérico como de talentoso. Essa condição tem-lhe pautado a carreira e, partindo desse pressuposto, torna-se fácil apreciar o que o nativo de Filadélfia tem para oferecer. Championships continua o legado do mais certinho rapper do mainstream — exceptuando, talvez, Big Sean — e reúne, como não podia deixar de ser, uns quantos instrumentais milimetricamente polidos, algumas rimas fáceis e um punhado de feats de deixar água na boca.

Mas a produção, ainda que altamente cuidada, é o calcanhar deste Aquiles, mais dado a samples facilmente reconhecíveis (como os da faixa introdutória ou de “Respect The Game”, talvez na busca de um entendimento imediato entre música e ouvinte) e a recriações (“On Me” podia ser um qualquer “Bodak Yellow type beat”) do que a passos em frente. “Almost Slipped” segue a fórmula de “Fall Thru” e os exemplos podiam continuar, só que a linha de raciocínio é simples: a solo, o que acontece em menos de metade do álbum, Mill tenta ir a todas (um bocadinho de soul aqui, um throwback acolá e, como é seu hábito, uns quantos instrumentais com tempos tradicionais e estéticas contemporâneas a servir de grabber); já acompanhado, é certo e sabido que fará de tudo para adaptar o produto final ao estilo do convidado.

 



Foi assim com Fabolous, Cardi B, Jay-Z, Future ou Drake. No meio disso tudo, onde é que fica a personalidade do disco? Em paradeiro desconhecido, certamente, mas não há como negar que, apesar de tudo, os objectivos foram cumpridos. Jigga veio para “What’s Free” com tudo o que se pode pedir a um MC e mais um par de botas, Drake mostrou que é tão bom ao lado de Mill como tinha sido no beef que os opôs e “Dangerous” tem tanto para dar ao mercado como qualquer single que tenha os nomes de Jeremih ou PnB Rock nos créditos. Os números confirmam que o rapper tem jogado em vários campeonatos e, com este disco, já se infiltrou nas tabelas de vários países — na Holanda atingiu o top 10, chegando a quinto lugar, e nos Estados Unidos da América já ocupa o trono da Billboard.

Para o normal fluxo do movimento hip hop, as vendas e as visualizações serão apenas uma pequena parte da equação. Para nomes como Meek Mill, com compromissos ambíguos que o colocam entre a cultura e o mercado pop, o peso das contas é cada vez maior e é o próprio que o assume cada vez mais descaradamente. Uma vez que, está visto, não consegue competir com os melhores e mais criativos liricistas do jogo, como Action Bronson, Roc Marciano ou Kendrick Lamar, resta-lhe medir forças, aos olhos da história, com aqueles que ditam as tendências, como Travis Scott, Drake ou Cardi B. Ainda assim, e apesar dos sucessos consecutivos — e Championships é mais um –, Meek Mill continua a soar como um artesão milionário a quem falta alma de artista, seja lá o que isso for.

 


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