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Fotografia: Sebastião Santana
Publicado a: 24/03/2026

Os dois rappers lançaram um EP conjunto sobre os beats de Blumen.

M’Cirilo sobre a Casta de 85 com Beware Jack: “É um trabalho curto e grosso, mas com princípio, meio e fim”

Fotografia: Sebastião Santana
Publicado a: 24/03/2026

Um dos projectos que marcaram o rap tuga neste primeiro trimestre de 2026 foi um EP conjunto entre M’Cirilo e Beware Jack, Casta de 85, a unir Porto e Lisboa. Produzido na íntegra por Blumen, gravado por Mundo Segundo no 2º Piso e com participações de Ace e DJ Cruzfader, é um disco compacto mas denso — de dois rappers maduros que chegaram à casa dos 40 anos e reflectem sobre as suas experiências de vida.

Para assinalarmos o lançamento do projecto e levantarmos o véu sobre esta colaboração inesperada, dirigimos algumas questões a M’Cirilo sobre esta Casta de 85, rap apurado e envelhecido nas melhores barricas do Douro.



Como é que tu e o Beware Jack se conhecem e decidem juntar-se para este projecto?

O Beware mudou-se para o Porto há cerca de um ano e tal, quase dois anos, e calhou cruzarmo-nos no Barrako [27] com o Né. Privámos um bocadinho e eu já acompanho o trabalho dele desde o Coisas de 1 Porco, essa grande mixtape. Calhou cruzarmo-nos e dissemos um para o outro: temos de fazer uma cena juntos. 

Porquê este projecto de três faixas? Podia ter sido só um single, podia ser um álbum completo, mas decidiram fechar nas três. Por algum motivo?

De facto podia ter sido só um single, mas não foi. Até era para ser um álbum, mas acabou por não se proporcionar e ficou um EP com três faixas muito bonitas. Um trabalho curto e grosso — mas com princípio, meio e fim. Somos ambos de 1985 e decidimos pôr os títulos dos temas todos em latim. “Octoginta Quinque” é 85, “Iuventus” é juventude e prosperidade, “Postumus” significa o pós-morte. No início, eu tinha estes três beats guardados para mim — são beats do Blumen, um grande produtor da Mobb Beat que já participou no Natal do Marginal. Ele tem uma sonoridade muito própria, muito soul e eu identifiquei-me mesmo muito. Há cerca de dois, três anos, falei com ele, pedi-lhe uns beats e fui guardando alguns dos instrumentais que mais sentia. Mostrei esses beats e uma letra que tinha ao Beware e surgiu com muita naturalidade a cena de fazermos algo.

Como descreverias o processo criativo? 

Foi cada um a escrever na sua casa, os temas eram discutidos entre nós por mensagens e quando nos encontrávamos… Foi algo muito fluido mesmo. Porque as peças começaram a encaixar-se e foi algo muito bonito, do qual me orgulho mesmo muito. A intro da primeira faixa é do TK no Beat, é um produtor de que gosto muito e com quem trabalho há muitos anos, também foi fundamental neste projecto. E a capa foi feita pelo Evolute da Mobb Beat, em conjunto com os Zinihaus. Representa uma pipa, por causa da casta, com o desenho do continente africano — sendo que eu tenho raízes guineenses e o Beware raízes cabo-verdianas. E depois há a simbologia tribal africana, três símbolos que representam o nascimento, a juventude e prosperidade, e outro que representa a morte e o além da morte.



Como é que surgiram as colaborações com o Ace e o DJ Cruzfader?

A participação do Ace surgiu naturalmente, com o pedido para um feat. Tendo ele um coração enorme e tendo sentido o instrumental do Blumen, disponibilizou-se de imediato a fazer parte deste projecto e foi uma grande mais-valia, sem dúvida. Sempre me identifiquei com o Ace, o padrinho do rap do Porto, sempre fui grande fã de Mind da Gap e continuo a ser grande fã do Ace, que tem lançado grandes projectos. A participação do Cruz foi através do Beware, ele também aceitou logo de imediato e disponibilizou-se logo, fez um grande digging na faixa dele para obter aqueles scratches, foi muito fixe. E quando tivemos o material todo, falámos com o Mundo Segundo e gravámos no 2º Piso. Foi um processo muito fixe. Aproveito para realçar também que as três faixas terão vídeo — falta sair o da “Iuventus”, que é em formato de animação. Os outros dois vídeos foram filmados de drone, foi algo que optei por fazer porque sempre gostei da visão e da forma como podemos explorar o drone. Fizemos algo simples e eficaz sem grandes cenas, curto e grosso, papo recto.

Este pode ser o primeiro projecto de outros em conjunto? O que é que se segue para vocês?

Para já, este é o primeiro e não temos em mente outro projecto em conjunto. O Beware lançou a “77 Minutos Num Cadillac Escuro” no ano passado, eu lancei a “Faixa Preta” com o K1X. Sei que ele está a trabalhar num álbum novo, eu também continuo a trabalhar e vou lançar umas malhas que já tenho prontas para saírem este ano e em 2027, se Deus quiser, temos novo álbum do M’Cirilo.


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