Madluv Records: uma editora com um amor louco pela novas paisagens da música negra

[FOTO] Aidan Kless

Está aberta, há um mês, a editora Madluv Records. Fundada por Jorge Caiado, produtor e DJ (Balance Recordings, Groovement ou Carpet & Snares), é uma label que pretende trabalhar projectos dentro dos universos nu-soul, beats, funk ou boogie. Se foi a 27 de Agosto que a página de Facebook da editora foi inaugurada, a estreia nos discos acontecerá a 14 de Outubro, com a edição física de 33, que é também o primeiro disco de Nery.

“A Madluv surgiu como um alterego/projecto para os esboços que andava a criar”, começa por explicar Jorge Caiado ao Rimas e Batidas. Por ter ganho mais notoriedade nos géneros do disco, house e techno, o produtor sentiu a necessidade de encontrar um novo nome para estas abordagens que começou a fazer às suas outras paixões musicais, como é o caso da música negra. “Após alguns rascunhos decidi convidar algumas pessoas para o projecto, fazer uma espécie de Slum Village onde o que conta mais seria o resultado final e não quem compôs o quê. A verdade é que passado alguns meses percebi que a minha disponibilidade era pouca para que o projecto andasse para a frente a uma velocidade aceitável”, recorda. O facto de ser também embaixador da Red Bull Music Academy – iniciativa em que participou em 2011 – fez com que tomasse conhecimento de muitos produtores e projectos “de vários quadrantes da música”.


madluv


O nome Madluv começou a ganhar forma, então, como editora pela “vontade de ajudar alguns dos projectos” a que Jorge Caiado foi tendo acesso. O objectivo principal passou a ser, então, “ajudar a lançar projectos através não só da edição dos discos mas também através da exposição que a distribuição internacional e alguns eventos”. Jorge Caiado define o público-alvo da Madluv como “uma nova geração de seguidores das mais recentes ramificações da música negra como o soul/jazz contemporâneo, future/experimental beats ou IDM”.

33: UM DISCO “INTIMISTA E HONESTO,  ORGÂNICO E ELECTRÓNICO”

O primeiro lançamento acontece no dia 14 de Outubro. Depois de 33, “já existem mais dois ou três projectos alinhados”, apesar de Jorge Caiado não querer ainda desenvendá-los. Já Nery descreve este seu primeiro disco como “um disco intimista e honesto, orgânico e electrónico, que mostra os amplos universos” que o rodeiam. “Tanto podem sentir influências do que tem vindo a acontecer em LA, ao longo dos últimos anos, através de editoras como a Brainfeeder e artistas como o Teebs, o Flying Lotus ou o Thundercat, como podem ouvir abordagens mais soul e jazz. Mas mais que usar estes chavões, que de forma mais ou menos intensa acabaram por me influenciar, quero sublinhar que não pretendo me aproximar de qualquer outro artista em termos de sonoridade, mas antes mostrar daquilo que sou feito.”

Apesar de ser o seu disco de estreia, Nery já trabalha na música desde 2001. Nestes últimos 15 anos, o músico e produtor considera que as suas criações podem ser representadas através de fragmentos, até porque sempre investiu mais no DJing e no scratch. “Em termos de produção acabei por editar três ou quatro temas e umas quantas remisturas. Mas ultimamente estive a produzir com o Hollly, para os Oco (também com o Holly) e para a Joana Espadinha, e também lancei um beat numa compilação da WeMany. Acho que só depois de 2009, quando fiz parte de uma edição portuguesa da RBMA é que percebi a minha necessidade de voltar à produção e mais recentemente a necessidade de apresentar algo coeso e com a minha própria linguagem, como o 33.”



Este é então um filho muito desejado por parte de Nery, que, em 33, colaborou com 14 artistas, o que fez com que “a nível musical tenha sido um disco moroso”, tendo demorado cerca de um ano e meio “até estar fechado em todos os processos”. Da lista de colaboradores fazem parte nomes como Holly, Maria do Rosário, Elisa Rodrigues, Lewis M., Alex Klimovitsky, Soia, Margo e Joana Espadinha.

“Praticamente todas as faixas foram criadas para o disco. Quando comecei a produzir o disco foquei-me essencialmente no disco. O essencial é que tanto as que ficaram de fora como as que entraram no disco partilham do mesmo processo e da mesma essência, que é aquilo que eu tenho a dizer através da música.”

Está também prevista uma festa que servirá para celebrar o lançamento da editora e também a edição de 33, onde Nery marcará natural presença, bem como a de mais alguns convidados. As datas e locais ainda estão a ser afinados, mas Jorge Caiado promete confirmações para breve.


Alinhamento de 33:
1.
Could You See Me (ft. Holly & Maria do Rosário)
2. Jealous (ft. Elisa Rodrigues & Lewis M.)
3. Jigsaw About Noise Known Illusion
4. Sleep At The Wheel (ft. Alex Klimovitsky)
5. Give U
6. Snake’s Head (ft. Soia)
7. Silent Light (ft. Margo)
8. Mom
9. Welcome to Timbuktu
10. Echoplex
11. 33 Colours
12. Paris (ft. Joana Espadinha) (digital)

Bruno Martins

Sou jornalista desde 2003. O hobbie da música vem de garoto e há um bom par de anos que cruzo tudo em papéis. Tudo se mistura nesta mixtape cheia de scratches que é a vida.