Low // NI IM

[TEXTO] Francisco Couto

Sediado em Bristol há pouco mais de um ano, o português Low dá os primeiros passos em 2020 com NI IM, quarto EP lançado desde 2019, sucedendo a This Place, Dual e Siri Sátir. Produzidas no seu quarto, as cinco faixas parecem estar predestinadas a ecoarem pelos pesados sistemas de som europeus, percorrendo as paredes com basslines musculadas e preenchendo o ar com sombrias melodias etéreas e discretas (e ainda assim presentes).

As linhas de baixo são, por vezes, aquilo que nos guia pela faixa, assumindo-se como principal ponto no qual os nossos ouvidos se focam, como é o caso em “Lar”, tema em que somos hipnotizados por essa força que cavalga por toda a música, acompanhada por uma bateria seca que marca o ritmo e cria uma base sólida para guiar a dança. Noutros casos, como em “Crawler” e “Changer”, os sintetizadores, apesar de estarem encostados atrás dos graves tenebrosos, orientam-nos para uma viagem mais cósmica. Essas duas nuances estão extremamente bem equilibradas ao longo do projecto, e é aí que conseguimos visualizar o mundo de Low como ele é: uma longa viagem emocional pelo espaço, onde contemplamos planetas, estrelas e os múltiplos astros com que nos cruzamos, com uma batida utilizada como combustível que nos faz mover a um ritmo avassalador.

Os momentos mais contemplativos são interrompidos por drops bruscos que nos voltam a centrar no verdadeiro objectivo desta viagem: as frequências graves. Como qualquer respeitador não só do techno mas também da cena britânica que nos ofereceu a bass music, os ritmos e a forte parede sonora do baixo são o principal foco de Low, que as utiliza para nos atingir fisicamente com vibrações que trespassam o nosso corpo com algo que parece ter a força suficiente para alterar qualquer coisa cá dentro. As restantes texturas criam uma ambiência que nos mantém cativados e a querer continuar a ouvir mais, impregnando as músicas com um toque progressivo que nos permite fechar os olhos e imaginar um complexo cenário em cada uma das cinco faixas que compõem este EP.

A identidade sonora do artista vai-se solidificando à nossa frente a cada faixa que ouvimos, tanto nos métodos de composição como nas texturas dos seus beats, sendo possível interligar sonoramente os quatro EPs lançados até agora. O ADN musical de Low está exposto, por isso resta-nos tentar entender o que nos diz e para onde é que nos quer levar. E, apesar da preponderância rítmica do techno, as texturas ambient deixam-nos um bichinho atrás da orelha em relação à possibilidade do produtor enveredar por caminhos mais etéreos e relaxados num futuro próximo. Mas isso fica para descobrir no próximo capítulo.


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