Livro documenta a cena rave nos últimos dias da União Soviética

Gosha Rubchinsky é o designer de um novo livro que reúne um importante acervo fotográfico que documenta o impacto que a cultura rave global registou nos últimos dias da União Soviética, em São Petersburgo principalmente. O livro tem chancela da editora INRUSSIA e foi lançado para acompanhar a apresentação de uma nova colecção de Rubchinsky, criador da casa Comme des Garçons, que se inspira, precisamente, na particular estética da era rave de finais dos anos 80 e inícios dos anos 90.

 


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Foi durante a era da Perestroika, que mudou o curso da história mundial ao conduzir à dissolução da União Soviética, em 1991, que a cultura rave se fez sentir de forma particularmente intensa em São Petersburgo. O professor universitário de antropologia Alexei Yurchak, que lecciona em Berkeley nos Estados Unidos, assina o ensaio Gagarin and the Rave Kids que está incluído no livro de Gosha Rubchinsky.

 


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“Alexei Khaas, fundador do primeiro clube de música de dança da Rússia, o Tunnel (que abriu em São Petersburgo em 1993) descreveu-me o seu primeiro encontro com o Ocidente”, relata o académico Alexei Yurchak no seu ensaio. ‘Em 1988 em Estocolmo fui a um clube chamado Mars situado numa antiga estação de metro. Esse lugar estava cheio de travestis. Toda a gente parecia feliz. Eu observei toda a noite como o DJ tocava discos e decidi que tínhamos que ter algo assim em São Petersburgo’. O artista e crítico Timur Novikov“, prossegue Yurchak, “que a imprensa russa já descreveu como ‘o ideólogo da cultura juvenil’, teve uma experiência similar: ‘Quando em 1988 fui pela primeira vez ao estrangeiro e visitei clubes nocturnos, pensei que isto era a coisa mais interessante que nos faltava na Rússia’. Através da sua capacidade de viajarem e da sua capacidade única de seguirem formas culturais não oficiais, estes artistas conseguiram aparecer como produtores de uma nova subcultura, identificando qual o material cultural ocidental em que se deviam inspirar, mas transformando-o para se encaixar nas demandas culturais russas e aproveitando o vazio de poder estatal temporário”.

 


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O livro foi disponibilizado ao público durante a apresentação da coleccção SS18 de Gosha Rubchinsky no Mariinsky Theatre em São Petersburgo, local onde, rezam as crónicas, foi realizada a primeira rave soviética. Certamente que o clássico “Chime”, dos Orbital, há-de ter-se feito ouvir nestas pioneiras raves soviéticas ao lado de clássicos locais, como os New Composers.

 


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