Little Brother // May the Lord Watch

[TEXTO] Moisés Regalado 

Em “The Feel”, Phonte e Big Pooh começam por evocar o regresso dos bons velhos tempos, como tantos outros vão fazendo. A probabilidade disso acontecer não será assim tão alta, mas, logo depois de uma breve passagem de testemunho para Peter Rosenberg, num skit dedicado ao cantor Percy (icónica personagem interpretada por Phonte), o inesperado acontece.

Começar um alinhamento com temas como “Everything” é batota. Como se o tempo não passasse, a produção de Khrysis continua a carregar rappers — mesmo estes, dos bons — e a lembrá-lo como um dos intocáveis no hall of fame do movimento. O duo alinhou com a mestria que sempre os distinguiu e deixou a narrativa à boleia de um simples jogo de palavras. Em “What I Came For” não manteve, até porque seria difícil, sobrando espaço para produtores como Nottz, Black Milk, King Michael Koy ou Focus, associado à Aftermath e aqui responsável por “Black Magic”, um dos melhores temas em May the Lord Watch.

 



Big Pooh chegou ao novo disco com a presença que seria de esperar, Phonte continua a ser dono de uma métrica absolutamente invejável, além de ter assinado a co-produção de “Sittin Alone”, outro dos pontos altos, e os interlúdios honram os grandes discos da nossa história, como de resto acontece com todos os ingredientes desta iguaria. Não que seja uma nova iguaria, se calhar até já caiu em desuso e entretanto inventaram-se melhores sabores, mas não há nada como voltar a casa para uma visita prolongada.

Porquê voltar? Saudades, sobretudo, ou simplesmente para perceber que às vezes se pode optar pela maneira como se fazia, ao invés da maneira como agora se faz. Exemplos: quantas técnicas de produção terá Khrysis a ensinar perante alguém que se fez artista nos últimos anos? Ou Phonte, na hora de transformar um texto de rap numa realidade quase palpável — quando a arte e a técnica se juntam de forma tão sublime como por norma acontece em Little Brother, estéticas e filosofias como a do grupo nunca perdem relevância.

Não é um clássico, um disco obrigatório ou sequer incontornável — talvez apenas para quem não conhece a história e eventualmente até prefere começar pelos eventos mais recentes. Talvez nem seja o disco pelo qual as pessoas clamam, ou que fará história, mas aqui chegados mantém-se a certeza de que o hip hop está vivo sob rigorosamente todas as formas e feitios possíveis, sem problemas de quantidade ou qualidade. Que o senhor nos acompanhe observe.


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