Lichens na Galeria Zé dos Bois: Vislumbrar territórios desconhecidos

[TEXTO] Francisco Marujo [FOTOS] Lais Pereira

O pano de padrões africanos cobria a mesa onde uma curiosa mala estava pousada. Do outro lado, pequenos módulos electrónicos uniam-se através de pequenos cabos. O sintetizador modular, inserido dentro da mágica mala, acabaria por se tornar o elemento principal da paisagem sonora criada por Lichens, projecto a solo de Robert Aiki Aubrey Lowe, ao longo de uma hora.

Metáfora, portanto, para o tema predominante no recente Two Orb Reel (editado pela More Than Human), o de uma ficção científica aplicada ao continente africano. O objecto modular não identificado, aterrado sobre as texturas orgânicas do berço do Homem, ia fazendo vibrar as paredes do aquário da Galeria Zé dos Bois com loops sintetizados e batidas tectónicas, oscilações também reverberadas na aura visual que circundava Lowe.

 


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Pontualmente, também a voz moldada do artista norte-americano – feita ecos sobrenaturais – nos chegava, tocando em regiões adormecidas do nosso córtex, cartografando territórios que nos eram desconhecidos.

Sem um princípio ou fim palpável, os drones geodésicos de Lichens deixaram-nos liquefeitos, num limbo entre a realidade e a ficção. Um concerto morno que, ainda assim, nos deixou numa atordoação estranha, como o vislumbre vertiginoso de um mundo desconhecido no qual ficámos por tropeçar.

 


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