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Lendárias ESG despedem-se com digressão que passa por Viseu

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As nova-iorquinas ESG, banda do clássico Come Away With ESG que incluía os temas “Dance”, “Moody” ou “The Beat”, todos obrigatórios nos melhores clubes que se estendiam de Manhattan ao Bronx, fez saber que tem três concertos agendados para celebrar 40 anos de existência. As três apresentações decorrerão em Chicago — que o cartaz avançado pelo grupo na sua página oficial de Facebook indica ser o último de sempre nos Estados Unidos — já no próximo dia 26, no festival Strangewaves, em Ontário, Canadá, a 21 de Julho próximo e ainda, na Catedral de Viseu, duas semanas antes, a 7 de Julho. Este concerto — tendo em conta a data e localização — deverá estar integrado na programação do festival Jardins Efémeros que ainda não divulgou o cartaz para a edição de 2018. Este assinalar de 4 décadas de existência deverá igualmente funcionar como um ponto final na carreira do grupo.

 



As ESG formaram-se no Sul do Bronx, epicentro do nascimento da cultura hip hop, em 1978, e estrearam-se na mítica 99 Records de Ed Bahlman (que também editaria outros expoentes do chamado punk funk como os Liquid Liquid ou Bush Tetras) em 1981 com um EP homónimo produzido por Martin Hannett, o principal esteta do som da britânica Factory. Às ESG, aliás, caberia aliás honra de abrir o Haçienda, clube pertença da etiqueta comanda por Tony Wilson e Rob Gretton. Anos mais tarde, a banda das irmãs Scroggins foi igualmente eleita para fazer o último concerto antes do fecho do lendário Paradise Garage, clube de Larry Levan.

Uma compilação lançada pela Soul Jazz em 2000, A South Bronx Story, traria o grupo de volta ao presente, bem a tempo de reclamar justa influência sobre bandas como LCD Soundsystem que voltaram a colocar o pulsar rock e a vertigem da dança no mesmo plano no arranque deste milénio. Os álbuns Step Off — de 2002 — e Keep On Moving – de 2006 -, ambos editados pela Soul Jazz, sustentaram um segundo fôlego na carreira que inclusivamente as trouxe a Portugal para um memorável concerto no Lux. A propósito de Step Off, Rui Miguel Abreu escrevia em 2002 nas páginas da revista Op.:

As ESG das manas Scroggins fizeram carreira do facto de soarem como um sampler a debitar loops de breakbeats. A compilação “A South Bronx Story” imaginada e editada pela Soul Jazz recolocou este seminal grupo na ordem do dia provando haver ainda validade para um som que cruzava com precisão e saber o funk e o punk, o groove e o imediatismo, o tom primitivo e alguma soifisticação. Por isso o grupo era adorado por gente como os Clash, seguido pelo contigente do Hip Hop e convidado a tocar em lugares como o Hacienda. O novo álbum, “Step Off”, atesta a recusa das ESG em estarem quietas. Renovaram o grupo com as filhas de uma das manas originais, Renee, e oferecem-nos um pulsar inalterado, com o baixo e os breakbeats a interligarem-se em jogos de sedução da pista de dança. A fórmula ainda funciona…

O estatuto mítico das ESG foi ainda reforçado ao longo dos anos pelo facto da sua música, carregada de breaks e de justo apelo para os b-boys, ter sido samplada por gente tão diversa quanto as TLC, Wu-Tang Clan, Biggie Smalls, J Dilla, Tricky ou Jamie Lidell. What More Can You Take, que as ESG lançaram digitalmente em 2017, mantém a fórmula de linhas de baixo minimais e pulsantes e ritmos musculados na bateria, numa música de recursos económicos mas altamente contagiante e eficaz na pista de dança.

 


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