Centro Cultural de Belém (Lisboa, 31 de Maio) e Theatro Circo (Braga, 2 de Junho) são as duas salas escolhidas para acolher o regresso de Laurie Anderson ao nosso país, desta vez com o novo espectáculo “Republic of Love”.
O projecto surgiu de um convite para um festival em Viena focado na temática da ascensão do fascismo na Europa. A encomenda foi, nas palavras da artista nova-iorquina, “irresistível”: “Pediram-me que fizesse uma palestra de duas horas sobre a relação entre governo e amor. Não recebo frequentemente encomendas, mas esta era irresistível. Desde então, esta palestra assumiu várias formas, todas com o título ‘Republic of Love’.”
O que poderia ter ficado apenas pelo formato de conferência transformou-se numa performance em constante mutação, cruzando canções, narrativa e os “fantasmas” de Lou Reed, John Cage, Gertrude Stein, William S. Burroughs e Allen Ginsberg, bem como criações de outros autores. Laurie Anderson, uma das figuras mais singulares da arte experimental do século XX, traz agora esse espectáculo a Portugal em dois momentos.
O coração musical da actuação é assumido pelos Sexmob, ensemble de jazz de Nova Iorque liderado pelo trompetista Steven Bernstein, cuja linguagem híbrida — algures entre o contemporâneo, o blues e a música de câmara — funciona como contraponto perfeito à voz de Anderson. Em palco, clássicos como “Big Science” e “Language Is a Virus” são revisitados com uma roupagem do presente, com a autora a explicar que estas canções “adquiriram novos significados em 2026”.