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Labareda: “procuramos música sem pensar em gavetas para a definir ou fechar”

[TEXTO] Martim Simões de Almeida [FOTO] Direitos Reservados

A Labareda é uma editora portuguesa que aposta fundamentalmente em devaneios musicais mais arrojados. O tech house beatport top 10, felizmente, não é para aqui chamado. Nascido em 2014, a primeira aposta do selo foi uma compilação de música feita exclusivamente na China. Do Drone ao Kraut, do Acid ao Industrial, do House ao Techno, vale tudo desde que seja bom, muito bom. Há pouca coisa que escape ao olhar cuidadoso de Sonja, dona da Labareda, cujo gosto exímio e critério a escolher discos na cabine de DJ traduz-se na perfeição para a editora que gere.

Passados dois anos, a Labareda está de regresso com mais uma compilação e o grau elevadíssimo de qualidade mantém-se, aliado a um pormenor interessante: os 18 temas apresentados são nacionais e de produtoras. Entre nomes mais conhecidos como Violet (cuja música serviu de musa para Donatella Versace) ou Yellow, figuram estrelas em ascensão como Inês Duarte, Caroline Letho ou Sheri Vari e autênticos tesouros por desvendar como Jejuno ou Iris. Este segundo lançamento justifica festa de arromba, com o Lux Frágil a dedicar uma das suas noites Acorde à Labareda. Sendo assim, mais logo as cabines do bar e da pista do célebre clube lisboeta pertencem a Emauz, Caroline Letho, Violet, Sheri Vari, Jejuno, Ednd, Inês Duarte e Sonja. Com a música extraordinária do Labareda Vol 1 e 2 ainda bem presente nas nossas mentes, pusemos as seguintes questões à arquitecta deste projecto.

Quando e em que contexto nasceu a Labareda?

A Labareda é a completa personificação da minha vontade de me envolver ainda mais com a música. Também é verdade que, na altura, não me sentia satisfeita comigo como DJ, ou com os gigs que estava a fazer. Something was missing.
 Produção musical também não era um caminho. Era este.

Qual a tua ligação com a China? Qual foi a ideia por trás do primeiro lançamento com música feita exclusivamente nesse país?


Eu vivi algum tempo em Pequim onde trabalhei como project manager.
 Essa cidade tão “suja” foi uma casa e acrescentou pontos exponenciais ao que eu era. É uma cidade com uma movida muito rica. Conheci alguns Djs locais e outros laowai (estrangeiros) que faziam grandes festas e tinham uma crew muito unida. Uma dessas festas, as Yen Party, eram raves amazing em localizações mesmo bad ass. 
Acho que, quando pensamos em eletrónica vinda da Ásia, a direção aponta logo ao Japão, mas, em Pequim e em Shanghai, há muito a acontecer. O meu primeiro release é modesto, sim, mas honesto nesse sentido de querer mostrar essas qualidades. E quero fazer um VOL II deste made in china.


 


 

Para além de editora, a Labareda é também um programa na Rádio Quântica, o que procuras quando escolhes música ou convidados para a emissão?

Eu procuro música sem pensar em gavetas para a definir ou fechar. Porque essas gavetas e definições por vezes não fazem nada por ela. Isolam e limitam apenas. Tento com que os programas sejam sempre diferentes. E isso é também o que me propus com a LABAREDA. Estar mais à margem. Não ser linear. Como conceito e resultado.

É provável que já te tenham perguntado isto umas quantas vezes mas de onde surgiu esta ideia de juntar 18 portuguesas numa só compilação?


A ideia da compilação surgiu primeiro. Apenas. Não tinha um número x de entradas. Mas em partilha e conversas percebi que queria fazer algo além da pista de dança e da força de corpo. E que poderia ser um documento o mais completo possível do trabalho das artistas e produtoras nacionais. Desde estreantes a mais veteranas. 
O resultado foi este. Mas faltam aqui algumas pessoas. Numa próxima, espero eu.
Tiveste alguma dificuldade em encontrar colaboradoras? Já as conhecias a todas? Ou tiveste que pedir demos ou recomendações?


Eu não tive dificuldade. Admito. Tinha um esboço inicial e muito do line up foi team work. Recomendações e opiniões e contactos. A dificuldade maior veio depois. Gerir tudo com calma e inteligência.

Quais as tuas expectativas para a noite de hoje no Lux?


Estou tão feliz e tão realizada por esta noite acontecer. Fiz print screens de tudo e de todas as entradas para guardar para sempre.
 Acho que vamos ter muitos amigos à nossa volta. É uma noite mesmo especial. 
4 pessoas vão tocar ali pela primeira vez e é o primeiro live da EDND ( metade dos Roundhouse Kick) a solo. E um line up all girls. É bonito isso.


 

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As compilações Labareda Vol 1 e 2 estão disponíveis agora no Bandcamp. Logo à noite no Lux Frágil, Acorde com curadoria de Sonja, estão todos convidados.


 

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