Kristóman: “Quero que Remédio Santo seja o remédio para muitos”

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Remédio Santo vai marcar a estreia de Kristóman (Tribruto) nas prescrições sonoras a solo. O rapper algarvio anunciou na terça-feira na sua página no Facebook que está a trabalhar no seu primeiro disco de assinatura singular e que o mesmo terá edição em 2016. Informação que se sente como uma gancha de esquerda, curta e directa, vinda de um MC que é mestre na manipulação de punchlines.

Ricardo Miguel Vieira trocou umas palavras com um dos homens do colectivo Tribruto sobre as motivações para se lançar na produção de um disco em nome próprio, a herança sónica e postural dos Tribruto nesse trabalho e expectativas sobre o Remédio Santo.

 

[CAMINHAR A SOLO]

“Já está na altura de lançar o meu primeiro álbum a solo. Os Tribruto lançaram o Chavascal no final de 2014 e agora é o momento certo para preparar a minha carreira a solo. É uma ideia que tenho fixa desde há muito tempo. O projecto de Charnecos [disco colaborativo de Kristóman com RandyOne lançado em 2013] foi apenas uma preparação para o que aí vem. Senti que, para além de eu querer muito [este trabalho a solo], há muita gente que gosta de mim que também me ‘pressiona’ para este feito. E também já sentia a necessidade de experimentar coisas diferentes.”

 

[HERANÇA TRIBRUTO]

“Em termos musicais é diferente, mas se falarmos de estrutura não, isto porque continuo a trabalhar com a mesma equipa e da mesma maneira. Agora, em termos musicais, vai com certeza soar diferente de Tribruto, até porque se assim não o fosse não valia a pena estar a perder tempo com isto. Obviamente será um álbum com punchlines, senão também não seria Kristóman, mas logicamente que vou falar de coisas pessoais que nunca abordei e explorar temas sobre coisas que presencio diariamente. Quero atingir um público diferente.”

 


 


[REMÉDIO SANTO DE LIBERTAÇÃO PROLONGADA]

Remédio Santo porque, para muitos, será isso mesmo. É uma expressão que se usa quando queremos dizer que algo que não representa uma solução para um problema. Santo porque também é sinónimo de kristo. Quero que este álbum seja o remédio para muitos, que os acompanhe no carro, em casa, nas férias, com os amigos ou namoradas ou namorados, que não o bebam todo duma vez só, que sigam as indicações do vosso médico ou farmacêutico (risos).”

 

[ASSINATURA (QUASE) EXCLUSIVA]

Vai ser um álbum com produções de diferentes produtores, vai soar fresh, acima de tudo. Temas diversificados, calmos, sociais, músicas de amor, faixas pessoais, punchlines e vai ter apenas um MC convidado – o único que desejei ter neste projecto. Quero que seja um álbum meu na sua totalidade, apenas recorrer a uma colaboração no que não conseguir fazer sozinho e no que sentir que pode dar um outro toque a uma faixa. Vou ter uma faixa dedicada a B-Boys, foi algo que experimentei na adolescência e que gostei imenso.”

 

[FORMATO PALPÁVEL]

“O disco estará à venda em formato físico no início 2016 com a Kimahera nas costas, claro. Quem não edita um álbum físico não está a dar valor ao que gosta de fazer. Eu tenho os meus álbuns em quadros na parede e daqui a 40 anos quero olhar para eles e dizer aos meus netos que fiz aquilo –  não seria o mesmo dizer-lhes para procurarem o avô no YouTube. Vais sair em formato físico, mas não estará em lojas como a FNAC – é ridículo o que se dá a essas empresas só para teres o teu álbum numa prateleira. Quem quer, sabe onde me encontrar (redes sociais!). De certeza que preferem dar o dinheiro a ti (artista) do que comprar em lojas que ficam com 40% ou mais do teu suor e investimento. Felizmente tenho alguns amigos com lojas espalhadas pelo país e aí também poderão encontrar Remédio Santo.”

 


 


[ESTRADA FORA SEM BAGAGEM]

“Espero, acima de tudo, realizar mais um sonho, que as pessoas olhem para este álbum como um trabalho do Kristóman a solo e não do Kristóman dos Tribruto. Aliás, os singles dirão isso mesmo. Quero fazer imensa estrada sozinho, o RealPunch será só mesmo para carregar as malas (risos). Quero continuar a pisar palcos e a conquistar mais pessoas com a minha música.”

Ricardo Miguel Vieira

Escrevo umas linhas em revistas e sites. Cultura, música, activismo, DIY, surfing são o meu universo. Se não me encontrarem por aí de headphones entre orelhas é porque estou algures no oceano.