Keso sobre “Peito Banguela”: “É dedicado a todas as mulheres e homens que sabem perder paixões e seguir o seu caminho”

[FOTOS] Pedro Mkk

Um encontro entre Portugal e Brasil no Porto: “Peito Banguela” é o primeiro single colaborativo de Keso com Luca Argel.

A canção tem videoclipe de Martha Appelt, guitarra de Frankie Baptista, letra de Aldir Blanc, teclas de Sérgio Alves e mistura e masterização de Francisco Reis.

Falámos com o autor de Ksx2016 sobre o seu papel nesta conexão PT-BR, a forma como tudo se desenrolou e o estímulo inicial para a ligação com o vocalista e compositor brasileiro.



Como aconteceu este encontro com o Luca Argel?

Aconteceu muito naturalmente, tanto o foi que eu conheci o Luca pessoalmente em minha casa. Já há mais de um ano que ando a trabalhar em instrumentais samplados de discografias brasileiras. Era um tributo que queria fazer ao Vinicius Terra e a todos os artistas com quem convivi nas duas passagens pelo Brasil. A determinada altura, com tanta voz brasileira samplada, lembrei-me que se calhar era melhor gravar originais. Havia várias melodias que tinha na cabeça mas não era com o meu sotaque português/br/estranho que as ia gravar. Coloquei um anúncio no Facebook para saber se havia intérpretes brasileiros a residir no Porto, e plim, conheci esta voz de anjo, o Luca Argel. Ele ouviu o que eu tinha, gostou e disse-me que tinha umas vozes gravadas em casa. Enviou-me o “Peito Banguela” e mais umas quantas e eu acabei por compor em cima da voz. Este foi o processo até agora.

É um tema em que além do input de composição do Luca tens também músicos a trabalhar contigo, certo? É diferente, certamente, de produzir em modo solitário com a MPC… ou nem por isso?

Sim, sou um defensor da dinâmica da produção do hip hop com músicos dos mais diversos parâmetros. Entretanto, fui conhecendo vários músicos que estão disponíveis e um deles é o meu querido Frankie Baptista que já tinha gravado algumas guitarras para outras colabs cá em casa. O Sérgio Alves, teclista, é outro músico que conheci já de outros projectos e que até, muito recentemente, participou no single do Virtus, o “Trapézio”. Ele gosta de hip hop e tem um gosto incrível. Gostou do tema e trabalhou nele. A grande diferença de trabalhar com músicos, além dos pads da MPC, é a de que cada um deles tem o seu input criativo e visão do tema. Eu podia fazer as linhas de guitarra ou teclas, mas eles é que são os verdadeiros ginastas do instrumento, eles é que o tocam, e bem. A música termina com um resultado bem diferente e a meu ver bem mais orgânica e robusta.

Que representa esta canção? Um novo projecto em que vais colaborar com o Luca? Com mais cantores?

Este tema representa a primeira canção de amor em que o meu nome se apresenta. É dedicado a todas as mulheres e homens que sabem perder paixões e seguir o seu caminho. Numa altura em que a violência entre casais é tanta, não podia deixar de aproveitar a mestria do poema do Aldir Blanc, escolhido pelo Luca, para relembrar de que “Nenhum peito banguela justifica a agressão”. Em relação a um possível projecto, para já, é só uma experiência. Tenho intenção de continuar a fazer temas novos com o Luca, e só com ele, neste registo mais intimista. E é bem possível que venham a sair mais em breve.

Há lugar nesse eventual projecto para o Keso MC?

Haverá, claro. Já está gravado e tudo.

De alguma forma a tua experiência no Brasil tem ligação com este encontro com o Luca?

Sim, como dizia antes, é na verdade um tributo a um povo maravilhoso e mais uma pedra na conexão musical lusófona. Espero que mais projectos colaborativos, como este, venham a acontecer em breve e com outros artistas. São dois mundos muito distantes, realidades muito diferentes, mas a verdade é que existe uma química muito especial entre estes dois povos.


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