Jordan Rakei no EDP Cool Jazz: nasce uma estrela

[TEXTO] Vera Brito [FOTOS] Hélder White

Jordan Rakei poderia ter sido apenas o preâmbulo para a noite em que todos esperavam por Jessie Ware, nesta 15ª edição do EDP Cool Jazz em Cascais. Poderia até ter feito parte da reportagem, que fizemos do concerto da londrina, apenas num pequeno parágrafo. Mas Jordan Rakei foi muito mais que isso. Jordan Rakei é, neste momento, uma supernova do jazz e da soul que ontem tudo ofuscou. Um segredo, ainda relativamente bem guardado, desta geração emergente de artistas que a Internet tornou independentes.

É provável que o neozelandês, aos seus 26 anos, não tenha ainda a noção disto, assim como não deve ter percebido que aqueles primeiros versos da sublime “Eye to Eye”, com que abriu a noite, eram na verdade sobre si. “It’s the birth of a star, earlier than sunset. It’s the galaxy’s water, flowing like a river bed”.

Na tentativa de explicar o seu percurso alguns poderão sugerir que a sorte lhe bafejou o caminho quando, através de um simples clique de Shazam, foi descoberto pela Ninja Tune, editora independente de Londres que tem no catálogo nomes como Bonobo, Amon Tobi ou Kate Tempest. Outros dirão que a exposição que recebeu com a colaboração no último álbum dos Disclosure foi determinante na sua ascensão. Uma colaboração que, segundo consta, surgiu de um outro acaso — um amigo do duo de música electrónica britânico ter-lhes-á mencionado um artista excepcional que viu num pequeno bar na Austrália. Sorte? Acasos? Por aqui não acreditamos nisso. Ou melhor, o concerto a que ontem assistimos pouco ou nada nos pareceu ter tido a ver com sorte, o talento de Jordan Rakei é como um rio que mais cedo ou mais tarde encontraria o seu curso para um mar de reconhecimento.

 



Muitas coisas nos impressionaram ontem. Para começar, é raro encontrar artistas que consigam defender em palco trabalhos meticulosos de estúdio, pelo menos com esta precisão. Por estes dias ouvimos compulsivamente Wallflower, o seu último disco, e podemos dizer-vos que ao vivo nada se perdeu e tudo se transformou. “Eye to Eye”, “Lucid”, “Wallflower” e “Sorceress” ganharam toda uma dimensão orgânica na instrumentação, mérito também da banda muito competente que o acompanha nesta digressão. As mais funks “The Light” e “Blame It on the Youth”, do álbum estreia Cloak, brilharam como se estivéssemos dentro de uma pista de dança, sacudindo até muitas cabeças que se encontravam na plateia sentada.

Mas nada consegue impressionar mais em Jordan Rakei do que a sua voz irrepreensível de alma soul. Um timbre límpido e forte que varreu o Parque Marechal Carmona em vários arrepios colectivos. Até Jessie Ware, mais tarde nos rasgados elogios que lhe dirigiu, admitiu que há séculos não ouvia uma voz assim.

“Sorceress” foi a última de nove músicas que marcaram uma curta mas admirável estreia de Jordan Rakei no nosso país. Um momento que, como confessou, o deixa também muito feliz. Quanto a nós fica-nos aquela incrível sensação de ter feito parte de um acontecimento singular: fomos testemunhas do nascimento de uma estrela.

 


ReB Team

ReB Team

Facebook.com/rimasebatidas
Twitter: @rimasebatidas
Instagram: @rimasebatidas
SoundCloud.com/rimasebatidas
YouTube.com/c/rimasebatidas
Mixcloud.com/rimasebatidas
ReB Team