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Jon Hopkins: Como envelheceu Opalescent?

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Geoff Fitzgerald

 

A resposta é bastante simples: envelheceu da melhor forma possível. Opalescent, lançado há 15 anos, não marcou uma era, nem sequer aparece nas listas de melhores álbuns desse ano, mas foi o início de uma carreira bastante prometedora para Jon Hopkins, na altura com 22 anos e à procura do seu lugar como músico e produtor.

 



Voltemos a 2001: o iTunes foi criado pela Apple, álbuns incríveis de artistas como Radiohead, Bjork, N.E.R.D., Cannibal Ox ou Tool eram editados e a morte de Delia Derbyshire, pioneira da electrónica britânica, marcaria igualmente esse calendário de forma distinta. Essa foi uma era em que a Internet ainda não tinha ganho força e, relembremos, o papel do produtor era ainda bastante obscuro e desvalorizado. Na altura, como seria de esperar, um álbum como Opalescent foi recebido sem grande pompa, mas ainda assim a crítica especializada tentou fazer-lhe justiça enquanto os pares de Jon Hopkins não deixaram de repararar no seu óbvio talento.

“When I was 23, I felt like I was further back than when I was 21. After two solo albums for this small indie label Just Music, they’d gotten no real profile. So I kind of turned away from the solo thing a bit,” disse Hopkins em entrevista à Billboard após o lançamento do aclamado Immunity, em 2013. O lançamento de Opalescent só pecou por ter sido feito, lá está, num tempo onde as pequenas editoras não tinham o SoundCloud ou Bandcamp para darem espaço aos lançamentos dos seus fantásticos artistas sem espaço numa major. Era-se mais invisível há 15 anos.

A definição de Opalescent é o reflexo da música e perfil de Jon Hopkins: “Something that is opalescent reflects light and changes colour like an opal”, pode-se ler no Cambridge Dictionary. Neste caso, Jon Hopkins é opalescente e reflecte camadas de sons, melodias e tonalidades. “Fading Glow”, sétima canção do álbum, é um de vários exemplos dessa paleta de cores protagonizada pela melodia orelhuda no riff de guitarra, bem auxiliada pelos synths a emanar melancolia por todos os poros. Seis minutos onde os instrumentos respiram e deixam-nos, como não poderia deixar de ser, a ver tudo mais claro e simplificado.

As coordenadas para este álbum são claras: Brian Eno, com quem mais tarde viria a ser colaborar, e ambient music alemã, mais concretamente do catálogo editorial da Recycle or Die. As particularidades, aparentemente, curativas da música de Hopkins também se fazem sentir desde este álbum, altura em que o produtor revelou ter começado a praticar auto-hipnose e treino autogénico, duas técnicas que ajudam a relaxar. O Sexo e a Cidade, série americana que conquistou um público mais mainstream, ajudou a divulgar a música de Opalescent, levando, mesmo que inconscientemente, as canções de um jovem de 22 anos mais longe.

Passados 15 anos, muitas coisas mudaram na vida de Jon Hopkins. As colaborações com o mago da produção Brian Eno levaram a que co-produzisse os álbuns dos Coldplay, proporcionando um reconhecimento por uma audiência maior. Immunity, editado em 2013, foi o ponto mais alto, para já, da sua discografia, conquistando a crítica – acabou por ser nomeado para o Mercury Prize – e o público. Opalescent é reeditado hoje e representa o ponto de partida para um dos produtores mais entusiasmantes dos últimos anos.

 


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